50 anos de uma tragédia: relembre incêndio nas Lojas Renner que deixou mais de 40 mortos e parou o Centro de Porto Alegre

  • 28/04/2026
(Foto: Reprodução)
50 anos: Relembre incêndio nas Lojas Renner que deixou mais de 40 mortos Há 50 anos, um dia que parecia comum terminava em uma tragédia no Centro Histórico de Porto Alegre. Na tarde daquela terça-feira, no dia 27 de abril, um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio das Lojas Renner, entre a Avenida Otávio Rocha e a Rua Doutor Flores, matou 41 pessoas, deixou dezenas de feridos e marcou para sempre a memória da capital gaúcha. Por volta das 14h, cerca de 300 a 350 pessoas ocupavam o edifício. Clientes circulavam pelos nove andares da loja de departamentos, onde eram vendidas roupas, brinquedos, eletrodomésticos, instrumentos musicais e equipamentos de cinefoto. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp No sétimo pavimento, o restaurante atendia consumidores, enquanto outros aproveitavam serviços como a barbearia. Segundo o Instituto-Geral de Perícias do RS (IGP-RS), o primeiro sinal de que algo estava errado foi a fumaça, percebida inicialmente no terceiro pavimento, acima do térreo e da sobreloja. Rapidamente, o que parecia um princípio de incêndio ganhou proporções incontroláveis. As chamas atingiram temperaturas estimadas em até 800ºC. Do lado de fora, o edifício parecia um bloco único em chamas. Por dentro, era um complexo formado por quatro estruturas interligadas, resultado de sucessivas ampliações e reformas ao longo dos anos. A fumaça tomou conta do Centro Histórico e uma névoa densa se espalhou pela região. Da Praça Otávio Rocha, pedestres assistiam à cena. Em pouco tempo, o trânsito parou. Curiosos se aglomeraram e, por mais de quatro horas, todas as ruas de acesso à área ficaram congestionadas. Galerias Relacionadas Rotas de fuga Muitos ficaram "presos" do quarto andar para cima sem rotas de fuga adequadas. As janelas, pequenas e fechadas de forma hermética, impediam a ventilação e a dissipação dos gases tóxicos. A escada social, com apenas um metro de largura (metade do recomendado nas normas técnicas da época) não dava conta da evacuação em massa. A situação se agravou quando a escada de emergência, próxima ao ponto onde o fogo teria começado, foi bloqueada logo no início do incêndio. Em vez de servir como rota de fuga, transformou-se em uma espécie de chaminé, levando fumaça e calor rapidamente para os andares superiores. Quinze extintores usados foram encontrados na escada logo acima do primeiro pavimento, indicando tentativas de contenção, conforme o IGP-RS. Toda a estrutura de emergência da cidade foi acionada. As equipes do Corpo de Bombeiros atuaram desde os primeiros momentos, enquanto hospitais da capital se mobilizavam para receber feridos. O Hospital de Pronto Socorro colocou seu corpo técnico em alerta máximo. Centenas de pessoas se dirigiram aos bancos de sangue para doar e tentar ajudar as vítimas. Cerca de duas horas após o início do incêndio, parte do prédio desabou, principalmente na lateral voltada para a Rua Doutor Flores, cedendo em razão das temperaturas extremamente elevadas. Incêndio nas Lojas Renner em 1976, no Centro de Porto Alegre Carlos Rodrigues/ AGÊNCIA RBS Perícia O trabalho pericial avançou somente dois dias depois, quando foi possível acessar os escombros com relativa segurança. Durante oito dias, especialistas analisaram os nove andares do prédio, uma área de cerca de oito mil metros quadrados, observando o que restou das estruturas de alvenaria, divisórias de madeira, escadas, elevadores e instalações hidráulicas e elétricas. A atenção se voltou especialmente para a rede elétrica. Tomadas foram desmontadas e equipamentos avaliados em busca de indícios de curto-circuito. Ainda de acordo com o IGP, apenas uma irregularidade foi encontrada, em um aparelho de ar-condicionado do quarto pavimento, onde uma gota de ferro fundido sugeria aquecimento extremo. No entanto, o laudo concluiu que aquele dano havia sido consequência do incêndio — e não sua causa. A arquitetura do edifício também dificultou contra quem tentava escapar. Além das escadas estreitas e janelas inadequadas, as cortinas metálicas corta-fogo, do tipo enrolar nem sequer foram acionadas. Três dos quatro blocos que compunham o prédio acabaram desabando. Afinal, o que causou o incêndio? O trabalho culminou na resposta à principal pergunta da investigação: o que causou o incêndio? O IGP explica que a conclusão, assinada em julho de 1976, apontou que o fogo teve origem na "ação de corpo ígneo", um cigarro ou um palito de fósforo, caído ou lançado, de forma acidental ou proposital, sobre material altamente inflamável. O ponto inicial teria sido nos fundos do primeiro andar, próximo à escada de emergência, onde estavam armazenadas embalagens plásticas, palha, além de tintas e solventes. A fagulha inicial provocou explosões que ampliaram rapidamente o fogo. Os documentos também revelaram que os extintores eram suficientes, até em número maior que o exigido. Contudo, a posição em que estavam e a rápida obstrução das rotas impediram seu uso eficaz. No mesmo dia do incêndio, inclusive, era realizada uma vistoria nesses equipamentos. Incêndio nas Lojas Renner em 1976, no Centro de Porto Alegre Carlos Rodrigues/ AGÊNCIA RBS VÍDEOS: Tudo sobre o RS m , u terminava em uma

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/04/28/50-anos-tragedia-incendio-lojas-renner-41-mortos-centro-porto-alegre-rs.ghtml


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