Ação judicial pede suspensão de novo CT do Santos idealizado por pai de Neymar devido à impacto ambiental
31/03/2026
(Foto: Reprodução) Projeto do CT do Santos em Praia Grande foi apresentado em 2025
Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande
Uma ação popular, movida pelo advogado Rui Elizeu de Matos Pereira, contesta o projeto de construção de um Centro de Treinamento (CT) do Santos FC em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Uma liminar foi pedida a Justiça para suspender o licenciamento e o início das obras, sob a alegação de impacto ambiental na região.
Batizado de CT Vila Praia Grande, o empreendimento integra uma iniciativa privada, sem custos para o clube, anunciada em junho de 2025 por Neymar da Silva Santos, pai de Neymar Jr. O projeto prevê a implantação do CT em uma área de mais de 90 mil m², na entrada da cidade, próximo ao Litoral Plaza Shopping.
Ambientalistas, porém, alertam que o local fica no entorno da mata atlântica e do Parque Estadual do Xixová-Japuí. “Além da vegetação de área de amortecimento, que é uma proteção para a biodiversidade no local, há diversas espécies de avifauna ameaçadas de extinção [...] É a devastação em nome do lucro das empresas responsáveis”, afirmou Rui Elizeu, que ajuizou a ação na última semana.
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O processo tem como réus a prefeitura e a Câmara Municipal de Praia Grande, além do Litoral Plaza Shopping e da empresa NR Sports, que custeariam a construção do CT. Para elaborar a ação, os autores reuniram evidências, incluindo aproximadamente 700 assinaturas em abaixo-assinado, e levaram em consideração o inquérito instaurado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para acompanhar possíveis irregularidades no mesmo projeto.
“Deixamos claro que não somos contra um projeto desses, em qualquer outra área já degradada da região, mas não em área envoltória de mata atlântica, protegida por lei”, disse Rui.
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De acordo com ele, o projeto deveria contar com participação popular, mas o poder público não realizou consulta ou audiência pública. “Estavam fazendo tudo na surdina, sem chamar sequer audiência pública para o povo se manifestar sobre esse projeto nefasto para o meio ambiente. Iremos lutar para que isso não seja levado adiante", afirmou.
O autor da ação informou que ainda não há um valor econômico mensurável para a causa. No entanto, estimou R$ 1 milhão, levando em consideração o fato de o meio ambiente ser um bem de valor inestimável, os custos de eventual recuperação da degradação e o dano ambiental.
O advogado aguarda os próximos passos da ação, com despacho do juiz sobre a liminar para poder indicar e produzir mais evidências sobre os possíveis impactos ambientais da obra.
Respostas
Ao g1, o MP-SP informou que o inquérito civil continua em andamento, aguardando retorno da prefeitura. “O que se sabe até agora é que a área tem vegetação, mas não fica dentro do parque”, disse em nota.
Também em nota, o Grupo Peralta e o Litoral Plaza esclareceram que o projeto está seguindo todos os trâmites da legislação ambiental vigente, com base em estudos técnicos, respeito ao Plano Diretor Municipal, às regras do plano de manejo do Parque Estadual Xixová-Japuí e às exigências de órgãos ambientais.
“O Grupo Peralta mantém o compromisso com a regularidade ambiental, com histórico de projetos bem-sucedidos. Todas as medidas necessárias para compensação e mitigação de impacto serão adotadas de acordo com o que for exigido nos processos de licenciamento", afirmou.
Procuradas pelo g1, a NR Sports, a Prefeitura e a Câmara de Praia Grande não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
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