Alto custo e estoques de munição baixos podem levar a acordo para o fim da guerra no Oriente Médio
24/04/2026
(Foto: Reprodução) Custo da guerra em mísseis é alto para os EUA
Representantes dos Estados Unidos e do Irã se movimentam para uma nova rodada de negociações no Paquistão. Depois de quase dois meses de guerra no Oriente Médio, a imprensa americana informa que Donald Trump tem mais um motivo de preocupação: estão baixos os estoques de munição das Forças Armadas americanas. A semana termina com dezenas de navios parados no Estreito de Ormuz.
Os bombardeios deram lugar a um teste de forças entre Estados Unidos e Irã: um bloqueio naval duplo, com apreensões de embarcações dos dois lados. Uma tentativa de ganhar vantagem para a mesa de negociação.
Nesta sexta-feira (24), o secretário de Guerra Pete Hegseth disse que um segundo porta-aviões vai se juntar ao bloqueio a navios iranianos nos próximos dias e que o cerco agora é global, em oceanos do mundo todo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã rebateu:
"Ataques a navios são tanto uma violação do cessar-fogo quanto contrários ao direito internacional e demonstram que o lado americano não apenas carece de boa-fé, mas na verdade tem más intenções”.
Navios do mundo todo seguem parados no Estreito de Ormuz à espera da retomada das negociações. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, desembarcou no Paquistão, país que está mediando as conversas. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o enviado especial, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, vão embarcar para a capital paquistanesa neste sábado (25).
Em Islamabad, tudo preparado. A segurança está reforçada. Mas um porta-voz do Irã disse que os dois lados não vão se encontrar frente a frente, apenas com os negociadores paquistaneses. O desafio agora vai ser alcançar consensos mínimos. Os iranianos querem o alívio das sanções, uma compensação pela destruição da guerra e a garantia de que os Estados Unidos não vão voltar a atacar. Os americanos dizem que não abrem mão do fim do programa nuclear iraniano e não querem que o Estreito de Ormuz fique sob o controle do adversário. Quem vai ceder?
Alto custo e estoques de munição baixos podem levar a acordo para o fim da guerra no Oriente Médio
Jornal Nacional/ Reprodução
Apesar das diferenças, não interessa a nenhum dos lados continuar com a guerra. Ela tem um custo alto. O jornal americano “New York Times” publicou uma reportagem nesta sexta-feira (24) mostrando que os estoques de munição dos Estados Unidos estão baixos e as armas tiveram que ser remanejadas de outras regiões estratégicas - do Comando da Ásia, por exemplo.
Segundo a reportagem, os americanos já usaram na guerra cerca de 1,1 mil mísseis de cruzeiro de longo alcance, que tinham sido projetados para o caso de uma guerra com a China; mais de 1,2 mil mísseis interceptores Patriot, que custam mais de US$ 4 milhões cada; mil mísseis de ataque de precisão; além de outros mil Tomahawks - quase dez vezes a quantidade que o governo compra anualmente. Todos bem mais caros do que os drones iranianos.
E sabe o custo disso tudo? Autoridades da Casa Branca se recusam a estimar. Mas dois grupos independentes ouvidos pelo jornal calculam que a despesa até agora está entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões. Sem contar o impacto no preço da energia. A Reuters divulgou uma pesquisa nesta sexta-feira (24) mostrando que 77% dos americanos dizem que o presidente tem culpa pelo aumento da gasolina. O custo de manter a guerra é alto para Donald Trump.
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