Análise: avanço de Flávio Bolsonaro entre homens, jovens e classe média explica empate com Lula, diz diretor da Quaest
15/04/2026
(Foto: Reprodução) Análise: avanço de Flávio entre homens, jovens e classe média explica empate com Lula
O empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, medido pela pesquisa Genial/Quaest, é resultado de mudanças na composição do eleitorado, com crescimento do senador em grupos estratégicos e redução da vantagem do presidente em bases tradicionais.
A avaliação é do diretor da Quaest, Felipe Nunes, em entrevista ao Estúdio i, nesta quarta-feira (15).
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Segundo ele, “pela primeira vez, Flávio aparece numericamente à frente do presidente Lula”, embora o cenário ainda esteja dentro da margem de erro.
Entre os principais movimentos identificados está a mudança no comportamento por gênero.
“Neste momento o Flávio tem uma vantagem no público masculino e lentamente a gente vai vendo o presidente Lula perder vantagem no público feminino”, afirmou Nunes.
Na análise de Nunes, as mulheres foram um dos principais pilares da vitória de Lula em 2022, e a redução dessa diferença ajuda a explicar o equilíbrio atual na disputa.
Veja os números:
Quaest: aprovação governo Lula por gênero
Arte/g1
Avanço entre jovens e adultos impulsiona Flávio
A pesquisa também aponta crescimento do senador em diferentes faixas etárias.
“Os jovens de 16 a 34 anos têm 46% de intenção de voto em favor do Flávio contra 38% do Lula”, disse Nunes.
Entre os eleitores de 35 a 59 anos, o movimento também aparece.
“A gente também está vendo uma tendência de queda do presidente Lula ao longo do tempo e de crescimento e consolidação do nome do Flávio”, afirmou.
Já entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula mantém vantagem.
“É o único segmento em que o Lula está vencendo”, acrescenta.
Quaest: aprovação do governo Lula por faixa etária em abril de 2026
Arte/g1
Classe média e renda mais alta puxam mudança
O recorte por renda mostra um dos pontos mais relevantes da análise. Segundo Nunes, Lula mantém vantagem entre os mais pobres. “O Lula tem um desempenho muito favorável na população com até dois salários mínimos, isso continua se repetindo”, afirmou.
Mas a situação se inverte nas demais faixas. No público de 2 a 5 salários mínimos, Flávio tem 47% e Lula, 36%. Nunes destaca que esse é justamente o grupo em que o governo esperava maior impacto de medidas econômicas.
“É exatamente no público em que o governo apostava que haveria uma grande repercussão da isenção do Imposto de Renda”, afirmou.
Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, o cenário também mudou. “Os dois estavam empatados no começo da série e agora o Flávio leva vantagem”.
Quaest: aprovação do governo Lula por renda familiar em abril de 2026
Arte/g1
Religião mostra redução da vantagem de Lula
A pesquisa também aponta mudanças no segmento religião. Entre os católicos, Lula segue à frente, mas com vantagem menor. “Antes era de 54 a 30 e agora está em 46 a 38”, afirmou Nunes.
Já entre os evangélicos, o cenário é mais favorável ao senador. Segundo ele, trata-se de um eleitorado “mais conservador e guiado por valores”, no qual “Flávio vem ganhando cada vez mais espaço”.
Quaest: aprovação do governo Lula por religião em abril de 2026
Arte/g1
Independentes
Para o diretor da Quaest, o ponto central da eleição está nos eleitores independentes.
“O que chama atenção mesmo são os independentes, é neles que a gente tem que focar”, afirmou.
Segundo ele, o avanço de Flávio nesse grupo ajuda a explicar a mudança no cenário.
“O Flávio aparece numericamente à frente do Lula porque está ganhando espaço neste primeiro trimestre sobre o eleitor independente”, disse. “Houve um número maior de independentes passando a acreditar que o Flávio é diferente da sua família”.