Ao menos cinco licitações da Prefeitura de Manaus são investigadas por suspeita de superfaturamento
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Prefeitura de Manaus
Vinicius Assis/Rede Amazônica
Ao menos cinco licitações da Prefeitura de Manaus estão sob investigação da Justiça do Amazonas por suspeita de superfaturamento. Em uma delas, quase R$ 9 milhões foram gastos com material esportivo após a rejeição de propostas mais baratas.
Documentos obtidos pela Rede Amazônica revelam que a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) pediu, no ano passado, que a prefeitura comprasse dezesseis itens considerados essenciais para o tratamento de quem é atendido em um Centro de Atenção Piscossocial (Caps).
No documento estão detalhados tamanho, peso e material. Foram pedidas, por exemplo, vinte bolas de futsal. O levantamento previa também a mesma quantidade de cordas de pular. Em vez de vinte, a prefeitura comprou mais de cinco mil cordas.
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A Rede Amazônica questionou a Prefeitura de Manaus sobre as licitações investigadas, mas não obteve retorno até a última publicação desta reportagem.
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Quando uma prefeitura, por exemplo, precisa comprar alguma coisa, tem que fazer uma licitação, como se fosse uma competição entre vendedores. É burocrático, mas o objetivo é evitar que um prefeito acabe favorecendo aliados.
O município diz o que quer comprar, descreve com detalhes, cria regras, como deixar claro o preço máximo que está disposto a pagar. A empresa que estiver interessada em vender aquilo, faz uma proposta para tentar fechar negócio. Normalmente, vence quem oferece o menor preço.
Só que não foi o que aconteceu nesta licitação de materiais esportivos para a secretaria de saúde. Conforme os documentos, inicialmente, a ideia era gastar pouco mais de R$ 1,1 milhão, mas no fim a prefeitura gastou R$ 8,7 milhões.
Uma distribuidora de produtos de limpeza venceu a concorrência para vender mais de dois mil jogos de dominó. O preço que a prefeitura concordou em pagar também não foi o mais baixo.
Além do aumento da quantidade, empresas que ofereciam os produtos mais baratos foram descartadas no pregão e tudo foi feito virtualmente.
No caso das cordas de pular de seis metros, feitas de sisal e com cabo de madeira, houve proposta de R$ 8 a unidade, mas a prefeitura comprou cada uma por pouco mais de R$ 60. O valor de cada bola de futsal foi de quase R$ 100.
O vereador Coronel Rosses achou isso tudo suspeito e levou o assunto à Justiça.
"Fiz diversas denúncias, no Ministério Público de Contas e no Tribunal de Justiça, de facilitação de empresa em relação às licitações, principalmente no favorecimento em beneficiar empresas que no processo licitatório tinham o preço mais elevado. Isso aí sempre nos chamou atenção", disse.
A Rede Amazônica foi até o endereço que seria o da sede da distribuidoras de produtos de limpeza, no bairro Parque Dez, mas no local havia apenas uma casa e ninguém atendeu.
Da relação de materiais esportivos, a empresa Pétala Comércio de Produtos de Papelaria e Informática venceu a disputa para fornecer dez dos dezesseis itens licitados.
Com base nos documentos obtidos pela reportagem, só o contrato com essa empresa foi de quase R$ 6 milhões. Oficialmente , ela fica em uma rua movimentada no bairro Redenção, mas no local há apenas um mercado, onde ninguém sabe que empresa é essa.
O juiz responsável pelo caso deu quinze dias para a prefeitura fornecer informações sobre cinco licitações do ano passado.
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