Após ataque à Venezuela, Trump diz que uma nova operação militar, contra a Colômbia, 'soa bem'
04/01/2026
(Foto: Reprodução) Trump embarca no AirForce 1 para retornar à Washington na noite deste domingo (4)
Jonathan Ernst/Reuters
Após a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump afirmou que uma nova operação militar, dessa vez contra a Colômbia, "soa bem" para ele.
O republicano declarou que o país é governado por "um homem doente", em uma crítica direta a Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país. Em outubro de 2025, o governo Trump aplicou sanções contra o líder colombiano.
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“A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos — e não vai continuar fazendo isso por muito tempo", disse, a bordo do Air Force One, a aeronave oficial, na noite deste domingo (4).
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de os EUA levarem adiante uma operação militar contra o país, Trump respondeu: “Soa bem para mim”.
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O republicano também criticou o governo mexicano. "Temos que fazer alguma coisa em relação ao México. O país precisa se organizar", declarou.
Trump também se manifestou sobre Cuba. Ele afirmou que uma intervenção militar americana provavelmente não será necessária, já que, segundo ele, o país parece estar prestes a ruir por conta própria. “Cuba está prestes a ser nocauteada”, disse.
As declarações ocorrem após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação das forças norte-americanas que atingiu Caracas na madrugada do último sábado (3).
Governo interino
Com a deposição de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente interina da Venezuela. A decisão de mantê-la como substituta foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça do país logo após Maduro ser retirado do poder pelos Estados Unidos.
Segundo o texto da decisão, ela assume o cargo para "garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.
Além da decisão do Supremo, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram neste domingo Rodríguez como presidente interina do país. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, endossou em rede nacional a determinação de mantê-la no poder por 90 dias.
Donald Trump afirmou neste domingo que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, ao mesmo tempo em que lidam com a nova liderança interina em Caracas.
“Estamos lidando com as pessoas que acabaram de tomar posse. Não me perguntem quem está no comando, porque eu daria uma resposta e isso seria muito controverso”, disse o republicano a jornalistas nesta noite, ao ser questionado se havia falado com Delcy Rodríguez.
Pressionado a explicar o que quis dizer, Trump afirmou: “Isso significa que nós estamos no comando.”
'Quarentena do petróleo'
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou neste domingo (4) que os Estados Unidos não terão um papel direto no governo cotidiano da Venezuela e se limitarão a impor uma “quarentena do petróleo” já existente sobre o país.
A declaração representa um tom diferente do adotado por Trump, que afirmou, um dia antes, que os EUA passariam a “administrar” a Venezuela de forma interina após a captura do líder Nicolás Maduro.
Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, Rubio adotou um tom mais cauteloso ao afirmar que os EUA continuarão a aplicar a quarentena do petróleo — medida que já estava em vigor sobre navios-tanque sancionados antes de Maduro ser retirado do poder na madrugada de sábado.
Segundo o secretário de Estado, a medida será usada como instrumento de pressão para promover mudanças de política na Venezuela. “É esse o tipo de controle a que o presidente se refere quando diz isso”, afirmou.
“Nós mantemos essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício da população, mas também para que se interrompa o tráfico de drogas", acrescentou.
Maduro detido em Nova York
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulga foto de Nicolás Maduro após captura do líder venezuelano no dia 4 de janeiro de 2026
Reprodução
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou ao centro de detenção em Nova York no fim da noite de sábado (3), após ser capturado por autoridades dos Estados Unidos. A prisão ocorreu durante a madrugada, em Caracas, de acordo com o governo americano.
Maduro foi conduzido sob custódia ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde foi fichado. Um perfil oficial da Casa Branca no X divulgou as imagens do venezuelano escoltado por agentes.
Em entrevista coletiva, o presidente Donald Trump disse que avalia os próximos passos para o país sul-americano. Ele ainda afirmou que os EUA pretendem conduzir o país por meio de um "grupo" que está em formação até uma transição de poder, sem detalhar prazos nem como esse arranjo funcionaria.
Também neste sábado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York.
Segundo Bondi, o líder venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores — também detida pelas autoridades americanas —, foram formalmente acusados dos seguintes crimes:
Reunião da ONU e Maduro em tribunal
Nicolás Maduro aguarda audiência de custódia em Nova York
O Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros, deve se reunir nesta segunda-feira (5), por volta das 12h (horário de Brasília), para discutir a legalidade da captura do presidente da Venezuela.
Levado para solo americano, onde está detido, o venezuelano deve comparecer diante de um juiz de Nova York nesta segunda-feira, às 14h (horário de Brasília), de acordo com comunicado do Tribunal Distrital Federal de Manhattan.
A primeira audiência em que Maduro será formalmente apresentado à Justiça dos EUA, sob acusações de narcotráfico, será diante do juiz Alvin K. Hellerstein. A esposa dele, Cilia Flores, que também foi capturada durante a operação, deve comparecer ao tribunal com o marido.