Caso Benício: registro de técnica de enfermagem segue ativo no Coren-AM após decisão judicial
05/02/2026
(Foto: Reprodução) Caso Benício: Polícia pede prisão de médica e técnica investigadas pela morte do menino
O registro da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia continua “ativo” no site do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM). A situação contraria decisão judicial de dezembro de 2025 que determinou a suspensão do exercício profissional por um ano. A medida foi determinada durante as investigações sobre a morte de Benício, em Manaus.
Benício morreu em 23 de novembro, após receber adrenalina na veia durante atendimento hospitalar. De acordo com a investigação, a via e a dosagem prescritas não eram indicadas para o quadro clínico da criança. Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.
Em dezembro, o juiz Fábio Olintho de Souza determinou que o Conselho Regional de Medicina (CRM-AM), Coren-AM, além das secretarias estadual e municipal de saúde, sejam oficiados para garantir o cumprimento da suspensão.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp
Caso Benício: Delegado diz que perícia não encontrou falhas em sistema do hospital e contraria versão da médica
Uma consulta recente aos sistemas dos conselhos mostrou divergências no cumprimento da decisão judicial:
O registro da Médica Juliana Brasil Santos aparece como suspenso, em conformidade com a ordem judicial.
Já o da Técnica Raiza Bentes Praia segue ativo, em aparente descumprimento da decisão.
A decisão judicial também impôs outras medidas às profissionais:
Comparecer mensalmente em juízo para justificar suas atividades;
Não sair da Região Metropolitana de Manaus sem autorização judicial;
Manter distância mínima de 200 metros da família da vítima e das testemunhas;
Cumprir a suspensão do exercício profissional por 12 meses, prorrogáveis.
O g1 pediu esclarecimentos ao Coren-AM sobre o motivo de o registro da técnica continuar ativo e aguarda resposta.
LEIA TAMBÉM:
Caso Benício: Justiça revoga habeas corpus de médica investigada por prescrever adrenalina
Cronologia do atendimento de Benício mostra sequência que levou à morte da criança
Colega de trabalho diz em depoimento que alertou técnica para não aplicar adrenalina na veia
O caso
Caso Benício: erros em série causaram morte de menino de 6 anos com dose de adrenalina
Segundo o pai, Bruno Freitas, o menino foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Ele contou que a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.
A família disse ao g1 que chegou a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. De acordo com Bruno, logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai.
Após a reação, a equipe levou a criança para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi acionada para iniciar o monitoramento cardíaco. Pouco depois, foi solicitado um leito de UTI, e Benício foi transferido no início da noite de sábado.
Na UTI, segundo o pai, o quadro piorou. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, o menino sofreu as primeiras paradas cardíacas.
O pai relatou que o sangramento ocorreu porque a criança vomitou durante a intubação. Após as primeiras paradas, o estado de Benício continuou instável, com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, Benício apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação. Ele morreu às 2h55 do domingo.
“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, disse o pai.
Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e realizou uma investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.
Infográfico - Caso Benício
Arte g1
Raiza Bentes Praia foi suspensa do exercício profissional pelo Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas
Divulgação