Caso Master: INSS investiga milhares de contratos de empréstimo consignado do banco com falhas graves
08/01/2026
(Foto: Reprodução) Caso Master: INSS investiga milhares de contratos de empréstimo consignado do banco com falhas graves
Revelações sobre o caso do Banco Master abriram mais duas frentes de investigação. O INSS apura irregularidades em mais de 250 mil contratos de empréstimo consignado com o banco de Daniel Vorcaro. E a Polícia Federal está atrás de uma milícia digital que recebeu dinheiro para atacar o Banco Central.
Nesta quinta-feira (8), a jornalista Malu Gaspar, revelou no blog do jornal O Globo detalhes do esquema de contratos milionários com influenciadores para defender o banco de Daniel Vorcaro. Malu Gaspar teve acesso a documentos, trocas de mensagens e comprovantes de depósitos.
Segundo o blog, contratos oferecidos a influenciadores de direita para lançar suspeitas nas redes sociais sobre o processo de liquidação do Banco Master pelo Banco Central – o “projeto DV”, em referência ao dono da instituição, Daniel Vorcaro – chegavam a R$ 2 milhões. E esses contratos previam cláusulas de sigilo absoluto para evitar o vazamento e manter a aparência de um movimento orgânico contra o órgão regulador.
De acordo com a reportagem, as cifras e diálogos indicam que o valor do cachê variava conforme a quantidade de seguidores do perfil em questão. Para um dos influenciadores, que tem mais de 1 milhão de seguidores, a remuneração oferecida foi de R$ 2 milhões por três meses de trabalho, com a contrapartida de oito postagens mensais.
O contratante final, de acordo com dois influenciadores que avançaram nas conversas para o projeto, era a Agência MiThi, mantida por Thiago Miranda.
No último mês, o Netlab - laboratório de pesquisa da escola de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificou mais de 80 mil publicações nas redes sociais com ataques ao BC.
No Tribunal de Contas da União, o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, acatou o recurso do Banco Central e suspendeu a inspeção nos documentos do Banco Central sobre o processo que culminou na liquidação do conglomerado Master, em novembro de 2025.
No recurso, o BC alegou que o regimento interno do TCU prevê que a fiscalização só poderia ser realizada após o aval de colegiado do tribunal - e não por decisão individual de um ministro.
No despacho desta quinta-feira (8), o relator minimizou o impacto da decisão de investigar os documentos do caso Master no Banco Central. E defendeu o direito de determinar o procedimento individualmente. Mas que diante da repercussão, vai levar a questão ao plenário.
Disse que: "a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria".
A expectativa é que a decisão de inspecionar o Banco Central seja julgada pelos nove ministros da corte já na primeira sessão apos o recesso, marcada para o dia 21de janeiro.
Um dia depois da liquidação do Master pelo Banco Central, uma diretoria do INSS recomendou à presidência do instituto a suspensão de todos os contratos de crédito consignado de aposentados e pensionistas com o Banco Master. Segundo a área técnica, em 74% dos empréstimos, o banco não apresentou sequer o contrato - o que foi considerado falha grave e insanável. Nos documentos que foram apresentados, os técnicos apontaram a falta de informações essenciais, como a taxa de juros e o número de parcelas.
E concluíram que a manutenção dos repasses financeiros referentes aos descontos de empréstimos e cartões de crédito em favor de uma instituição em processo de liquidação, acarretaria consequências desastrosas para os beneficiários e para o próprio INSS. E que permitir a continuidade desses pagamentos significaria compactuar com a perpetuação de descontos potencialmente indevidos em verbas de natureza alimentar, comprometendo a subsistência de milhares de famílias que dependem desses recursos para sobreviver.
O processo ainda não foi concluído, a presidência do INSS decidiu suspender os repasses para o Master dos pagamentos referentes a esses consignado ate a conclusão do processo.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Thiago Miranda.
Caso Master: INSS apura falha grave em milhares de contratos de empréstimo consignado do banco
Reprodução/TV Globo