Caso Master: Senado cria grupo de trabalho para acompanhar investigação
15/01/2026
(Foto: Reprodução) Caso Master: Senado cria grupo de trabalho para acompanhar investigação
O Senado criou nesta quarta-feira (15) um grupo de trabalho para acompanhar as investigações e apurações relacionadas a irregularidades atribuídas ao Banco Master. A medida foi assinada pelo presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Renan Calheiros (MDB-AL).
O grupo de trabalho poderá convocar autoridades com status de ministro de Estado e convidar outras pessoas que não tenham esse status, além de realizar visitas institucionais à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal, ao Tribunal de Contas da União, ao Banco Central, à Procuradoria-Geral da República e à Comissão de Valores Mobiliários, com o objetivo de contribuir para a apuração efetiva de eventuais condutas irregulares.
A comissão não terá poderes para quebrar sigilos bancário, fiscal ou telefônico.
"Na ausência da CPI, você coloca uma comissão, que não vai ser pressionada", comentou Calheiros ao blog.
A instrução normativa leva em consideração as competências da CAE previstas no Regimento Interno do Senado, especialmente aquelas ligadas à fiscalização econômica e financeira, além da "gravidade dos fatos noticiados pela imprensa e das investigações em andamento da Polícia Federal", diz o documento.
Também pesaram deliberações recentes do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU) envolvendo o banco. De acordo com o documento assinado por Calheiros, a comissão será coordenada pelo próprio presidente da CAE e contará com a participação dos seguintes senadores:
Fernando Farias (MDB-AL)
Eduardo Braga (MDB-PA)
Esperidião Amin (PP-SC)
Randolfe Rodrigues (PT-AP)
Alessandro Vieira (MDB-SE)
Leila Barros (PDT-DF)
Damares Alves (Republicanos-DF)
Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025
Rovena Rosa/Agência Brasil
O grupo terá poderes para realizar e organizar atos legislativos voltados ao acompanhamento das investigações. Entre as atribuições estão a apresentação de requerimentos para convocação de envolvidos e autoridades, pedidos formais de informação e a proposição de projetos de lei relacionados ao tema.
A comissão já entrou em vigor, e a expectativa é que o grupo de trabalho atue como instrumento de fiscalização do Senado sobre os desdobramentos do caso e eventuais impactos no sistema financeiro.
A criação do grupo de trabalho ocorre um dia depois de o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, mudar de ideia e decidir que as apreensões feitas na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes no Banco Master, devem ser guardadas na Procuradoria-Geral da República, e não mais no Supremo.