Conheça a história da colônia alemã centenária no coração de Goiás

  • 18/01/2026
(Foto: Reprodução)
Conheça a história da colônia alemã centenária no coração de Goiás A Colônia do Uvá, distrito da cidade de Goiás, a 170 km de Goiânia, nasceu do sonho de uma centena de imigrantes alemães. A promessa do governo era de que aqui eles teriam uma casa e como se sustentar. Atualmente, a colônia possui poucas lembranças alemãs, como as casas feitas de tijolo de barro e as comidas tradicionais. Em 1924, cerca de 120 imigrantes alemães vieram para Goiás, a maioria operários e ex-combatentes de guerra, e alguns poucos agricultores. No Brasil, construíram suas casas em uma área ainda sem energia elétrica e ruas de terra. “Eles vieram para não morrerem de fome, fugindo da guerra. O governo do estado daqui ofereceu na época para virem, mas não deu suporte”, contou Afreu Koesterke, de 60 anos, neto de alemães. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Conheça a história da colônia alemã centenária no coração de Goiás Arquivo pessoal/Afreu Koesterke Quando os avós de Afreu chegaram ao Brasil, foram para Itapirapuã, cidade a 58 km da cidade de Goiás. O pai nasceu na cidade no dia 6 de dezembro de 1925. Porém, no mesmo ano, a família Koesterke se mudou para a colônia recém-criada no mesmo ano devido a uma grande enchente do rio Itapira, que passa pela cidade. Com o passar dos anos, grande parte das tradições, como a língua, a culinária e até mesmo os sobrenomes, mudou. "Segundo o que meu pai falava, eles não ensinavam o alemão porque tinham medo de sofrer perseguição, eles achavam que se ensinassem e estivessem conversando em alemão, estariam conspirando contra eles, naquele período de guerra", completou. LEIA TAMBÉM: Conheça conjunto de cachoeiras com águas azul-turquesa que fica em cidade conhecida como a ‘Buenos Aires de Goiás’ Cachoeira do Segredo: conheça atrativo turístico famoso por cânions e piscinas naturais que teve localização escondida por garimpeiros Conheça marmelada produzida em distrito de Luziânia que é patrimônio cultural e imaterial de Goiás Afreu disse que gostaria que a identidade alemã estivesse ainda presente na região. Ele conta que o sonho é que a comunidade tivesse um professor de alemão para ensinar as crianças. Algumas casas da Colônia de Uvá ainda mantêm as construções de tijolos de terra, Goiás Aline Goulart/g1 Goiás Tataravó da colônia Magdalena Koch Souza, de 79 anos, é filha de alemães que se mudaram para o Brasil. Ela construiu a família em Goiás e teve dois filhos, cinco netos, dez bisnetos e um tataraneto. Porém, nenhum descendente herdou o sobrenome alemão, pois somente homens passavam o sobrenome da família. "Aprendi o alemão, mas eu esqueci. Quando eu era criança, minha mãe trocava cartas com as irmãs na Alemanha, ela lia para mim e eu entendia tudo", contou Magdalena Koch, 79 anos. Apesar disso, Magdalena mantém as raízes europeias cozinhando pratos tradicionais e abrindo as portas de casa todos os anos em agosto, no tradicional almoço de celebração da colonização em Goiás. Andréa Camargo, de 46 anos, outra moradora da colônia, conta que há duas festas no ano e, durante esses momentos, a colônia ganha alguma visibilidade. A primeira é em janeiro, na Festa de São Sebastião. A segunda, em agosto, para a comemoração da colonização alemã. Casa de Magdalena Koch, Colônia de Uvá, Goiás Aline Goulart/g1 Goiás Registro e história Na colônia, alguns lugares que seriam dedicados a perpetuar a cultura alemã estão abandonados. O museu da colônia não teve a obra concluída. O local onde funcionou a primeira escola do distrito também está abandonado. Na região, foram construídas outras duas escolas. O principal registro da colonização alemã na região, no entanto, está no cemitério. As lápides antigas escritas em alemão são o pouco que se manteve da história dos imigrantes. Para Afreu, a chegada dos alemães em Goiás foi uma tentativa frustrada de colonização, mas que, no fim, foi muito bonita. Mostrando a telha da casa dele feita pelos alemães em 1927, reflete: “Somos a última geração aqui, mas sem identidade”. Cemitério da Colônia de Uvá, Goiás Aline Goulart/g1 Goiás Poucos recursos e muito trabalho A professora universitária aposentada Maria Helena de Oliveira Brito escreveu uma pesquisa de mestrado sobre a colônia. Quando os alemães chegaram a Goiás, havia poucos recursos, uma mata muito densa e muito trabalho. As famílias aprenderem a agricultura, construíram casas e foram vivendo a cultura local. Em 1932, os alemães construíram a primeira escola da colônia e, em 1934, o primeiro “Estatuto da Sociedade Escolar Rio Uvá”. Segundo a pesquisa de Maria Helena, o Estado forneceu alimentos de 1925 até 1926. Depois, eles contavam só com uma pequena produção para a sobrevivência. “Hoje, entre os pioneiros imigrantes ficaram, além de tristes recordações, as boas lembranças da união do grupo e das alegres reuniões com a participação de toda comunidade nos primeiros anos de vida em Uvá. Porém, nestes anos, a luta para a sobrevivência não havia cessado”, relata a historiadora em seu livro. Em dezembro de 2005, uma década depois do trabalho da professora Maria Helena, o professor e pesquisador Sidney Sousa Silva, de 48 anos, pesquisou a Colônia do Uvá. Lá, encontrou uma “língua morta”. “A colônia teve um período em que só falavam alemão, mas depois foi falando só português. E eram as crianças que aprenderam o português e ajudavam os adultos na comunicação”, contou. A fotógrafa profissional e professora aposentada, Cidinha Coutinho, tem um acervo de fotos da época do fotógrafo Fritz Koehler entregue para a fotógrafa pelo enteado de Fritz. As fotos mostram o dia a dia dos imigrantes nos primeiros anos da colonização. Fotos da época em que os alemães trabalhavam com a terra para o consumo doméstico Reprodução/Fritz Kohler 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/01/18/conheca-a-historia-da-colonia-alema-centenaria-no-coracao-de-goias.ghtml


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