CPI do Crime Organizado pretende votar convocação de Toffoli após o carnaval, e relator cita pressão de Poderes
13/02/2026
(Foto: Reprodução) CPI do Crime Organizado deve votar convocação do ministro Dias Toffoli, do STF
Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que os integrantes da CPI devem votar a convocação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, após o carnaval. A próxima reunião está prevista para 24 de fevereiro.
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A declaração foi dada em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews. Segundo o senador, a decisão de levar a pauta foi tomada pelo presidente da comissão, que é o Fabiano Contarato (PT-ES).
A intenção é aprofundar as investigações sobre as transações envolvendo o Tayayá Resort, então ligado à empresa Maridt, com o envolvimento dos donos do Banco Master e familiares de Dias Toffoli. O ministro admitiu que ele é sócio da empresa.
Além de Toffoli, o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, também são temas de um dos requerimentos que os pretende convidar à CPI para tratar de conversar de Moraes com o Banco Central e contrato do escritório de advocacia de Viviane com o Banco Master.
Alessandro Vieira afirmou que há quatro grandes temas sobre o crime organizado em investigação na CPI e que eles têm correlações: emendas parlamentares, Carbono Oculto (que envolve o PCC e fintechs), fraude no INSS e Banco Master.
"Quando você olha mais de perto, você percebe que está tudo entrelaçado em duas pontas: na ponta da lavagem de dinheiro, onde você tem Master, Reag, etc, e na ponta da infiltração política e judicial do crime organizado", afirmou o senador.
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Pressão dos Três Poderes
Para Vieira, existe grande dificuldade em apurar situações como estas. Ele cita que há pressão por envolver pessoas muito poderosas na política e no setor econômico, mas que a decisão de investigar o ministro ou não é apenas da Procuradoria-Geral da República (PGR).
"São bilhões de reais e figuras muito poderosas nos Três Poderes da República", disse, ao citar pressão de ministros do Supremo, de "pessoas da política" dentro do Congresso.
"Os recados que estão sendo enviados para a Polícia Federal são terríveis, são duríssimos. A nota publicada por dez ministros do Supremo é um vexame porque diz que Toffoli não pode continuar como relator, mas ao mesmo tempo ela é imaculada e intocável", afirmou Vieira, ao comentar a nota do STF que definiu o afastamento a pedido de Toffoli do Caso Master.
Em nota com o afastamento do ministro, o STF informou que Toffoli – "considerados os altos interesses institucionais" – pediu que o tema fosse redistribuído para outro ministro relatar o caso.
No texto, os ministros do tribunal afirmaram "não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição", que reconhecem "a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli" e que expressam "apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento".
Ministro Dias Toffoli durante a Sessão Plenária realizada em 20 de junho de 2024.
Andressa Anholete/STF