Crise no Polo Industrial de Cubatão: fechamento de fábricas, perda de empregos e reunião com Alckmin

  • 02/02/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem aérea do polo industrial de Cubatão, SP Arquivo A Tribuna O Polo Industrial de Cubatão (SP) vive um momento de crise em meio ao fechamento de fábricas e, consequentemente, perda de postos de trabalho. O cenário preocupa autoridades do setor da indústria, que buscam apoio do governo federal e têm reunião marcada com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na terça-feira (3), em Brasília, para discutir o tema. O Polo Industrial de Cubatão reúne cerca de 25 grandes empresas e é referência nacional nos setores de petroquímica, siderurgia, química e fertilizantes. Pela proximidade com o Porto de Santos e o Sistema Anchieta-Imigrantes, tem papel estratégico na economia de São Paulo e do Brasil. Segundo o presidente do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista, Herbert Passos Filho, a região perdeu cerca de 7 mil postos de trabalho nos últimos 25 anos. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. “Tivemos uma redução expressiva no número de trabalhadores diretos de aproximadamente dez mil postos de trabalho para em torno de três mil”, lamentou. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Somente no último ano, de acordo com ele, mais de 650 postos de trabalho diretos acabaram. Isso porque duas empresas anunciaram o fim das operações e outra fechou duas fábricas internas (entenda mais abaixo). De acordo com Passos, a crise é causada por um problema de mercado, já que as empresas sofrem com a competitividade da indústria internacional por conta das tributações e custo de matéria-prima. “A isenção de tributos nos importados compromete a produção nacional, que é sujeita à tributação local e interestadual”, afirmou, dizendo que a perda da competitividade leva o Brasil a importar 90% do consumo. Além disso, outro grande problema é o controle do preço da matéria-prima comparado ao praticado no mercado internacional. Cubatão é a única cidade da Baixada Santista com polo industrial com mais de 20 empresas Carlos Abelha/TV Tribuna Fim de operações Yara Brasil Passos, que também é 1º vice-presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (FEQUIMFAR), explicou que a maior parte da perda de postos de trabalho em 2025 ocorreu na Yara Brasil. Segundo ele, a empresa tinha um complexo com cinco fábricas internas e fechou duas, resultando na perda de aproximadamente 500 funcionários diretos. Em nota, a Yara informou que, no ano passado, paralisou a produção de fertilizantes fosfatados e de ácido sulfúrico em Cubatão. Porém, garantiu que a cidade segue sendo estratégica para atuação da companhia. “Com ativos de nitrogênio que representam uma vantagem competitiva, posicionados para contribuir com o negócio de forma cada vez mais sustentável em frentes estratégicas como soluções de baixo carbono, neutralidade climática e agricultura regenerativa", justificou. Ainda segundo a nota, o foco da Yara Brasil é a produção de fertilizantes nitrogenados com uma unidade de mistura e um entreposto logístico, além de duas unidades de produção de insumos industriais à base de nitrogênio, como amônia e nitratos. Unigel Também em Cubatão, a Unigel anunciou o fim das operações no início de 2026. Segundo Passos, a empresa já teve até 250 trabalhadores diretos, mas atualmente tinha cerca de 80 diretos e outros 80 terceirizados. Em nota, a Unigel informou que paralisou as atividades da fábrica de estireno e tolueno em Cubatão (SP) devido ao “contexto do ciclo de baixa sem precedentes na indústria química global”. Ainda em nota, a empresa afirmou que conduz o processo de paralisação com transparência, em diálogo com colaboradores e sindicatos, com cumprimento integral da legislação trabalhista e ambiental. Olin A Olin, que fica em Guarujá, também anunciou que interromperá as operações até março, representando mais desemprego. “No ano passado tinha 80 trabalhadores e em torno de 30 terceirizados”, afirmou Passos. De acordo com o presidente do sindicato, a empresa deve cumprir contratos até março, mas tem até setembro para fazer a limpeza e retirada de resíduos e até 2027 para concluir o encerramento documental de equipamentos, a demolição e o acompanhamento ambiental. “Nas próximas semanas, a Olin encerrará as operações do negócio de resinas Epóxi no Guarujá - Brasil, em decorrência dos altos custos locais, desafios regulatórios e excesso de capacidade global da indústria”, explicou a companhia, em nota. Segundo a empresa, a decisão permite alinhar melhor os recursos e manter o compromisso com a qualidade e confiabilidade. “Os clientes do Brasil e globalmente vão continuar sendo atendidos por meio de nossas plantas integradas e com vantagens de custos operacionais, por meio de estoque disponível para apoiar essa transição”. Em busca de melhorias Representantes da indústria química, preocupados com o risco de desindustrialização, enviaram em 23 de janeiro uma carta ao ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin pedindo uma solução para o Regime Especial da Indústria Química (REIQ) em 2026. O setor também alertou para o comprometimento da soberania produtiva nacional e pediu alternativas diante dos vetos ao Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). Prefeito de Cubatão (SP) se reuniu com representantes do setor industrial Théo Jr./Prefeitura de Cubatão O convite foi aceito e uma reunião foi marcada para terça-feira (3), em Brasília. Antes disso, o prefeito de Cubatão (SP), César Nascimento (PSD), se reuniu em 28 de janeiro com sindicatos e associações da indústria química no Paço Municipal para alinhar as pautas que serão apresentadas ao ministro. Na capital federal, Nascimento participará do encontro com Alckmin e outras autoridades do setor. O objetivo é discutir medidas de apoio à indústria e buscar soluções concretas para garantir a competitividade e a sustentabilidade da produção química no país. “É muito importante a união de esforços no sentido de defendermos a indústria em geral. E obviamente que Cubatão não pode ficar fora deste processo de luta. Defender a Indústria é também defender a soberania do país, especialmente no que tange à manutenção de empregos e à geração de renda”, disse o prefeito, em nota divulgada pela administração municipal. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2026/02/02/crise-no-polo-industrial-de-cubatao-fechamento-de-fabricas-perda-de-empregos-e-reuniao-com-alckmin.ghtml


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