Dia do Mico-leão-preto: manejo de populações impulsiona diversidade genética da espécie no interior de SP

  • 28/02/2026
(Foto: Reprodução)
Manejo de populações impulsiona diversidade genética do mico-leão-preto no interior de SP Eles medem cerca de 30 centímetros de corpo, têm 40 centímetros de cauda e pesam menos de um quilo. Pequenos no tamanho, mas gigantes na importância para a regeneração das florestas e a preservação da biodiversidade da Mata Atlântica paulista, os micos-leões-pretos ganharam uma data especial: o Dia do Mico-leão-preto, celebrado neste sábado (28). Símbolo da biodiversidade do Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do estado de São Paulo, o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) já foi considerado extinto. Atualmente, o Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), abriga a maior população livre da espécie no mundo, com cerca de 1.300 indivíduos monitorados. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp A região ainda conta com programas e ações direcionadas à conservação da espécie. Uma dessas iniciativas é a translocação de indivíduos entre fragmentos florestais, estratégia voltada ao fortalecimento populacional e genético desses primatas. Gabriela Cabral Rezende, coordenadora do Programa de Conservação do Mico-leão-preto do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), explicou ao g1 que a principal ameaça à espécie é a fragmentação das florestas. Segundo ela, o processo reduziu a cobertura vegetal a pequenos remanescentes isolados, o que compromete a circulação dos animais e resultou na diminuição e no isolamento das populações de mico-leão-preto nesses fragmentos. Mico-leão-preto é símbolo da biodiversidade no Pontal do Paranapanema e indivíduos da espécie foram translocados Reprodução/Lucas Leoni "As populações pequenas têm uma maior probabilidade de desaparecer, de se extinguir. Então, a gente trabalha no IPÊ duas estratégias para garantir a sobrevivência dessas populações", disse Gabriela. Uma das estratégias de conservação é a restauração de florestas, a partir do plantio de corredores florestais que visam a reconectar as áreas fragmentadas. No entanto, a restauração leva tempo até atingir uma estrutura capaz de sustentar uma população de micos e, então, entra a segunda ação: o manejo de populações, também chamado de translocação. A pesquisadora explica que a translocação consiste na retirada de um grupo de um fragmento com população maior para outro com menos indivíduos, com o objetivo de reforçar o número de animais e ampliar a diversidade genética. "A gente precisa garantir que a população tenha uma maior diversidade dessa genética, porque é isso que vai fazer com que elas possam se adaptar a grandes mudanças ao longo do tempo", contou. Em 2024, as equipes fizeram a retirada de um grupo de micos composto por cinco indivíduos. Já em 2025, um grupo de quatro indivíduos foi translocado. Além de reforçar as populações dos fragmentos menores, a medida introduziu novas combinações genéticas nessas áreas. Os animais foram retirados do Parque Estadual do Morro do Diabo, que é a maior população conhecida de mico-leão-preto, para um fragmento pequeno de uma área privada em Presidente Epitácio (SP). Conforme Gabriela, graças aos indivíduos translocados já foi identificada a formação de dois novos grupos entre os translocados e os residentes das áreas que receberam os animais, o que é considerado um sucesso na estratégia. "Então, o que a gente estava esperando, que era essa mistura genética, a gente já vai conseguir alcançar a partir desses novos grupos que se formaram, porque a expectativa agora é que esses animais se reproduzam e tenham descendentes que unifiquem a genética dessa população", explicou. Pesquisadores do IPÊ e parceiros acompanham o processo de translocação de mico-leão-preto Reprodução/Lucas Leoni 🐒 Adaptação Recentemente, a história de Punch, um macaco japonês abandonado pela mãe logo após o nascimento em um zoológico no Japão, comoveu pessoas ao redor do mundo. As imagens do filhote agarrado a um orangotango de pelúcia viralizaram nas redes sociais e chamaram atenção para os desafios de adaptação e aceitação entre primatas, já que ele também não havia sido acolhido por outros grupos. Mas como esse processo acontece na natureza? Segundo Gabriela, no caso dos micos-leões-pretos, a adaptação envolve fatores como territorialidade e laços familiares. "Os micos vivem em grupos familiares e eles são animais territorialistas, ou seja, eles têm uma área ali que eles utilizam para a vida deles, que é a mesma área que muda pouco ao longo do tempo. Então, quando a gente tira eles dali, é como você tirar uma família de uma casa e colocar em outra casa", explicou. Por isso, a estratégia adotada prioriza famílias vindas do ambiente selvagem, já adaptadas às condições naturais: "Quando a gente transloca o grupo familiar inteiro, a gente também aumenta a chance de sucesso, porque a gente evita que tenha muitas mudanças de uma vez só". Inclusive, o processo de adaptação é um dos principais desafios dessa estratégia de manejo. "É um processo estressante, a gente não pode negar isso", completa. Ao serem levados para uma nova área, os animais precisam reconhecer o território, entender a dinâmica do fragmento de floresta e identificar a presença de outros grupos para, então, se estabelecer no novo espaço. Entre as possíveis consequências da medida estão impactos tanto negativos quanto positivos. Pode haver perda de indivíduos, inclusive por morte, situação já registrada em um dos casos acompanhados pela equipe. Por outro lado, a estratégia de translocar famílias inteiras, incluindo subadultos, jovens em idade de dispersão, prontos para deixar o grupo e formar novos núcleos, pode estimular a formação de novos grupos na área de destino, o que é considerado um desdobramento esperado e favorável para a conservação da espécie. Os desafios podem acabar tendo consequências ruins ou consequências boas, né? Mas o mais importante, no fim das contas, é que a gente consiga promover o crescimento dessa população e o aumento da diversidade genética", destacou Gabriela. 👀 Monitoramento Antes da soltura, o grupo é monitorado por seis meses no ambiente de origem, para que os pesquisadores compreendam seu padrão de comportamento e uso do território. Após a translocação, o acompanhamento continua por dois anos. Nos primeiros seis meses, a equipe observa os animais pelo menos cinco dias por mês. Depois, até completar 24 meses, o monitoramento ocorre três dias por mês. Os pesquisadores avaliam a área ocupada, comportamento, alimentação e condições de saúde. A expectativa é que, com o tempo, o grupo atinja um padrão semelhante ao que apresentava antes da mudança. O protocolo também prevê uma nova avaliação populacional após cinco anos, incluindo a recaptura de indivíduos e filhotes nascidos no novo ambiente para análise genética. O objetivo é verificar se houve aumento da diversidade genética e garantir a viabilidade da população a longo prazo. Pesquisadores do IPÊ e parceiros acompanham o processo de translocação de mico-leão-preto Reprodução/Lucas Leoni 🧬Importância genética Ao g1, Patrícia Domingues de Freitas, professora e pesquisadora na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), descreve a importância genética a partir da diversidade entre os grupos de mico-leão-preto. Ela acompanha a pesquisa do IPÊ, além de coordenar o Laboratório de Biodiversidade Molecular e Conservação na UFSCar, trabalhando com biodiversidade molecular, moléculas, DNA e genomas. Atualmente, o mico-leão-preto não tem alta diversidade genética, sendo um reflexo da degradação do habitat da espécie, como a Mata Atlântica, segundo Patrícia. Por isso, os pesquisadores fazem o monitoramento da diversidade genética. "Acho que, além dessa genética, não necessariamente é um gene, mas que é uma genética que diz: 'Aquele indivíduo tem uma diversidade que permite ele viver daqui a 20, 30, 100 anos ou além disso'. É importante", pontuou. No caso, o monitoramento também permite acompanhar e compreender a adaptação do animal na mata. "A gente já tem genes que se mostram diferenciados em cada uma dessas populações. Em regiões remanescentes de mata, que ainda se encontra um habitat adequado para essa espécie." "Em regiões de maior altitude, com menor temperatura, alguns genes já mostram sinal de adaptação diferencial. Quais são esses genes? Relacionados à reprodução, imunidade, resposta ao aquecimento. A gente está vivendo na pele o aquecimento global e os micos também estão sentindo isso", analisou a pesquisadora. Este monitoramento dos grupos de mico-leões-preto no habitat traz benefícios importantes para a conservação e manutenção dessas populações remanescentes, conforme a pesquisadora. "Muitas vezes você olha uma população que está próxima e que tem a mesma condição para se reproduzir ou o mesmo potencial de persistir na natureza. A partir do dado genético, é possível ver se esse animal tem uma genética melhor para translocar, para formar os casais reprodutores, aí que a gente faz o manejo assistido por genética", reforçou. A população de mico-leão-preto tem diversidade baixa para a genética, segundo a especialista, sendo esse o motivo para o cuidado. "Precisa de um olhar mais atencioso e a gente espera continuar contribuindo com essas informações genéticas para o manejo populacional", concluiu Patrícia. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/02/28/dia-do-mico-leao-preto-manejo-de-populacoes-impulsiona-diversidade-genetica-da-especie-no-interior-de-sp.ghtml


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