Emboscada, pancada e tiros: veja como corretora foi morta por síndico
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Vídeo mostra momento em que corretora é atacada no subsolo de prédio
O assassinato da corretora Daiane Alves, de 43 anos, em Caldas Novas, na região sul de Goiás, envolveu diversos elementos que mostram que o crime foi premeditado, incluindo uma emboscada armada pelo síndico do condomínio, Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, de acordo com a Polícia Civil. Entre as circunstâncias que levam a essa conclusão estão, por exemplo, a pancada que ele deu na vítima após surpreendê-la por trás e a preparação da caminhonete, onde ele a levou até o local da morte.
Em nota, a defesa de Cleber disse que ainda não teve acesso a todos os documentos recentemente inseridos na investigação, principalmente ao relatório final. Assim, vai se manifestar só após a análise de todo o conteúdo (veja ao final da reportagem).
Daiane foi morta na noite do dia 17 de dezembro com dois tiros na cabeça. Segundo a Polícia Científica, uma das balas ficou alojada na cabeça e outra saiu pelo olho esquerdo. Os disparos foram dados na região da mandíbula.
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As investigações concluíram que a ação do síndico no subsolo do prédio durou cerca de 8 minutos. Já o tempo total de ele sair com o corpo do local, levar até o local onde atirou, às margens da GO-213, a cerca de 15 km de Caldas Novas , e retornar ao condomínio foi de 48 minutos.
Veja abaixo os detalhes de como o crime aconteceu, segundo a Polícia Civil:
Emboscada no subsolo
Às 19h29, Daiane pega o elevador e vai até o subsolo checar o quadro de energia do seu apartamento. De acordo com o delegado André Luiz Barbosa, cerca de 13 minutos antes, Cleber desligou voluntariamente o fornecimento de energia para fazê-la descer até o local.
"Ele é gravado nas imagens de videomonitoramento, na entrada do prédio, acessando o local que dá acesso aos padrões de energia às 18h47", afirmou.
Pelo vídeo feito por Daiane, pelo celular, exatamente no momento em que a porta do elevador se abre e ela acessa o subsolo, é possível ver Cleber caminhando, já vestindo luvas para praticar o crime.
"Ele já estava com a luva nas mãos, o carro posicionado ao lado do almoxarifado. Ele, então, intercepta ela, encapuzado", disse.
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Pancada
Segundo o delegado André Barbosa, o vídeo obtido pela polícia foi "o ato final" da investigação, uma vez que comprovou a autoria do crime. A filmagem, recuperada no celular de Daiane, que só foi encontrado pela polícia 41 dias depois do assassinato, na caixa de esgoto do condomínio, mostra Cleber chegando por trás de Daiane e lhe dando uma pancada com um objeto contundente.
A Polícia Científica informou que não é possível afirmar em qual local foi dada a pancada e nem qual objeto foi usado em função do avançado estado de decomposição do corpo de Daiane.
No vídeo do subsolo, Daiane está gravando e diz que vai atrás do disjuntor do 402. Nesse momento, ela diz "Aaah. Olha quem eu encontro" e emenda: "Acabou de perder minha energia no 402, ué? Vamos ver se essa brincadeira tá continuando".
Assim que a corretora mostra o relógio de energia do seu apartamento e fala a frase "Vamos ver se tem menino brincando de desligar as coisas...", ela é golpeada por Cleber, que aparece encapuzado, para não ser identificado.
Corretora de imóveis Daiane Alves desaparecida em Caldas Novas no prédio em mora.
Arquivo Pessoa/Fernanda Alves e Reprodução TV Anhanguera
Transporte em caminhonete
Além das luvas nas mãos do síndico, a filmagem feita por Daiane mostra a caminhonete de Cleber estacionada próximo ao almoxarifado e com a capota aberta.
"Então, ele já posicionou o carro na vaga da garagem mais próxima ao local onde ele pretendia render e executar a Daiane", disse o delegado André Luiz.
Segundo o delegado, em seguida o síndico retirou o corpo de Daiane, colocou na caminhonete e levou para a margem da rodovia. Ele explica que, inicialmente, a hipótese era que ele não poderia ter praticado o crime sozinho, mas o vídeo confirmou que não houve participação de mais ninguém.
Cléber Rosa de Oliveira confessou ter matado a corretora Daiane Alves em Caldas Novas, Goiás
Diomício Gomes/O Popular e Arquivo pessoal/Georgiana dos Passos
Tiros
Os dois tiros que Daiane recebeu na cabeça não foram foram dados no condomínio, nem no subsolo nem no almoxarifado. De acordo com a polícia, os vestígios de sangue encontrados no almoxarifado são de Daiane, após confirmação por exame de DNA. No entanto, eles possivelmente foram causados por ferimentos causados no momento em que ela foi golpeada.
"O que a gente pode saber tão somente houve uma lesão pretérita porque tem um sangramento ali no local na sala de ferramentas (almoxarifado). Esse sangramento não é significativo. Seria um sangramento muito maior (se fosse pelo tiro), principalmente pela lesão de saída. Imagina uma lesão de tiro saindo no olho", disse o superintendente da Polícia Científica, Ricardo Matos.
Em entrevista ao repórter do g1 Nielton Santos, o médico legista da Polícia Científica Ricardo Peixoto disse que Daiane foi morta na região de mata. Os tiros foram dados de baixo para cima e provavelmente ela estava deitada. "Possivelmente, ele estava num lugar mais alto e ela num declive. E ele atirou", disse.
O médico afirmou, ainda, que no momento em que foi atingida pelos disparos, a corretora estava viva. "O coração estava batendo e ela ainda tinha pressão arterial", disse.
Outro fator que confirma que fez a polícia descartar totalmente que os tiros tenham sido dados no subsolo ou no almoxarifado foram os diversos testes feitos, durante a perícia e reconstituição do crime. Os testes balísticos comprovaram que os tiros não poderiam ter sido dados sem que alguém ouvisse os barulhos. "Qualquer disparo dado no subsolo seria plenamente ouvido na na recepção", disse André Luiz.
O delegado não tem dúvidas de que o crime foi planejado em detalhes. "Tratou-se, de fato, de um homicídio premeditado, uma emboscada deliberada, na qual ele desligou o padrão de energia da Daiane para que ela descesse ao subsolo. Ele, então, a incapacitou, retirou do local e a executou com dois disparos de arma de fogo", afirmou.
Vídeo mostra momento em que a corretora Daiane Alves é atacada pelo síndico Cléber Rosa
Nota da defesa do síndico
"O escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses do Sr. Cleber Rosa de Oliveira, vem informar que a defesa técnica ainda não obteve acesso à integralidade dos documentos recentemente inseridos na investigação, sobretudo ao relatório final policial, de modo que somente se manifestará após a análise de todo o seu conteúdo".
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