Entenda a relação entre o Banco Master e a empresa da família Toffoli
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Entenda a relação entre o Banco Master e a empresa da família Toffoli
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quinta-feira (12) que integra o quadro de sócios da Maridt Participações, empresa familiar dirigida pelos irmãos do magistrado e que fez negócios com um fundo gerido pela empresa Reag, ligada ao Banco Master.
A relação entre a Maridt e a Reag tem como ponto-chave o resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A empresa da família Toffoli era uma das donas do empreendimento até fevereiro do ano passado.
🔎João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, está entre os investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master (entenda mais abaixo).
A nota de Toffoli sobre o caso foi divulgada após a Polícia Federal (PF) encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório sobre dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O celular continha menções a Dias Toffoli, relator da investigação sobre o banco no STF.
As menções a Toffoli aparecem em conversas no celular de Vorcaro. O celular foi apreendido na Operação Compliance Zero, da PF, que investiga fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.
Antes da nota, já era sabido que os irmãos de Toffoli eram diretores da empresa. Agora, Toffoli admitiu também ser sócio, mas disse que seu nome não aparecia nos registros públicos por causa da natureza da instituição, uma sociedade anônima de capital fechado.
Entenda os principais pontos do caso nesta reportagem:
O que é a empresa Maridt?
Onde entra a Reag
Outras investigações
PF diz que Vorcaro citou Toffoli em conversas
O que diz o ministro Toffoli
Dias Toffoli viajou em avião particular junto com advogado do Banco Master
AFP via BBC
O que é a empresa Maridt?
Toffoli e os irmãos são sócios da Maridt Participações. Segundo a nota divulgada pelo ministro, trata-se de uma empresa familiar organizada como sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com declarações regularmente apresentadas à Receita Federal.
Segundo o gabinete, todas as declarações da empresa e de seus acionistas “sempre foram devidamente aprovadas”.
A Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, no Paraná, e começou a vender sua participação no empreendimento em 2021. A venda foi concluída em fevereiro de 2025, após duas operações sucessivas:
venda de cotas ao Fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021 — fundo controlado pela Reag, administradora de investimentos ligada ao Banco Master, que foi alvo de operação da PF em agosto do ano passado;
alienação do saldo remanescente à PHB Holding, em 21 de fevereiro de 2025 — isto é, venda do restante das cotas que ainda possuía.
Tanto o fundo Arleen, que comprou a parte da Maridt, como um outro fundo que era o principal cotista do Arleen, o Leal Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, eram administrados pela Reag Investimentos.
Onde entra a Reag
Fundada em 2013 por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculo com bancos.
➡️Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira.
A Reag teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) no início de janeiro, após ser investigada na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
🔎Na época da liquidação, o BC alegou que a Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
Ou seja, ela teria sido usada por integrar uma rede de fundos usados pelo Banco Master para inflar artificialmente o patrimônio da instituição, contribuindo para fraudes financeiras.
Outras investigações
As apurações sobre a Reag não se limitam ao caso do Banco Master.
Em agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro ligada ao PCC. A gestora é apontada nas investigações como responsável por estruturar fundos que teriam sido usados no esquema.
O fundador da Reag, João Carlos Mansur, é citado nas apurações por suposta aplicação de recursos sem origem comprovada. Ele também é investigado na Operação Compliance Zero, que trata do esquema envolvendo o Banco Master, e já foi alvo de mandados de busca e apreensão.
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PF diz que Vorcaro citou Toffoli em conversas
Conforme o g1 noticiou nesta quarta-feira (11), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatório sobre dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O celular continha menções ao ministro Dias Toffoli.
As menções a Toffoli aparecem em conversas no celular de Vorcaro. O celular foi apreendido na Operação Compliance Zero, da PF, que investiga fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.
Em nota, o gabinete de Toffoli chamou de "ilações" as menções ao nome dele e afirmou que não há motivo para ser alegada suspeição do ministro no caso Master. Em caso de suspeição, Toffoli deveria deixar a relatoria.
Ao longo da investigação, a PF questionou determinações de Toffoli, como a decisão que inicialmente mandava que bens apreendidos no caso fossem lacrados e ficassem armazenados na Corte — o que não é usual.
Parte da investigação sobre a fraude financeira no Master começou na primeira instância da Justiça. Em dezembro, Toffoli determinou que todas as novas medidas precisariam do aval dele. Com isso, a Justiça Federal enviou tudo para o Supremo. Desde então, o ministro é o responsável por determinar depoimentos e conduzir as investigações
Em meio às polêmicas envolvendo a atuação de Toffoli no caso e outras críticas ao Judiciário, o presidente do STF passou a defender com maior ênfase um Código de Ética para ministros do STF e tribunais superiores.
O que diz o ministro Toffoli
O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou nesta quinta-feira (12) uma nota pública em que esclarece sua participação societária na empresa Maridt e nega ter qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de investigações da Polícia Federal.
O ministro, que é relator da investigação sobre o Master no STF, admitiu que integra o quadro societário da Maridt, mas que a administração da empresa é feita por parentes.
A nota afirma ainda que essa condição é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que veda apenas que magistrados exerçam atos de gestão
De acordo com o texto, a Maridt é uma empresa familiar organizada como sociedade anônima de capital fechado, registrada na Junta Comercial e com declarações regularmente apresentadas à Receita Federal.
Segundo o gabinete, todas as declarações da empresa e de seus acionistas “sempre foram devidamente aprovadas”.