Escala 6x1: Motta anuncia deputados do PT e Republicanos como presidente e relator da comissão especial
28/04/2026
(Foto: Reprodução) O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta terça-feira (28) que os deputados Alencar Santana (PT-SP) e Leo Prates (Republicanos-BA) serão, respectivamente, o presidente e o relator da comissão especial que analisará propostas que preveem o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil.
O tema da redução de jornada de trabalho recebeu o aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na semana passada (leia mais aqui).
Agora, o conteúdo da proposta está sob análise de uma comissão especial, que poderá fazer mudanças nos textos apresentados por parlamentares de esquerda.
“Depois de um amplo diálogo e de conversas feitas com parlamentares que acompanham essa matéria aqui na casa, decidimos designar para presidir a comissão especial Alencar Santana e o relator o deputado Léo Prates, da Bahia”, afirmou Motta.
O presidente da Câmara afirmou que a comissão será instalada nesta quarta (29) e pretende aprovar o texto até o final do mês de maio na comissão.
Definido presidente da comissão especial, Alencar Santana defendeu a proposta. “O trabalhador estará mais disposto em ambiente de trabalho para colaborar e poder servir o seu trabalho e desempenhar melhor a sua função”, afirmou.
Já o relator Leo Prates afirmou que, mais do que o fim da escala 6x1, o texto discutirá o novo arranjo do trabalho. E que o debate não será apressado.
“Esse trabalho não é contra ninguém, é a favor das pessoas. Vamos tentar ao máximo mitigar os anseios produtivos. Não vamos aprovar açodadamente. A Câmara vem discutindo o tema há mais de um ano”, disse.
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Durante entrevista, o presidente da Câmara, Hugo Motta, não quis se comprometer com o conteúdo do texto. O deputado paraibano evitou responder se defende o fim da escala 6x1 ou um novo modelo de jornada de trabalho.
“Esses detalhes serão discutidos pela comissão especial. O compromisso da Casa é elaborar o melhor texto possível para que tenhamos a redução da jornada de trabalho sem redução salarial”, disse.
O deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator do fim da escala 6x1
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Propostas em debate
A comissão especial vai se debruçar sobre duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs):
um proposto pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no ano passado, que prevê a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra;
a segunda PEC é de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi apresentada em 2019. O texto reduz a jornada de trabalho a 36 horas semanais, com prazo de 10 anos para entrada da norma em vigor.
Ambas propõem que a jornada não ultrapasse oito horas diárias.
🔎Paralelamente, o governo Lula apresentou um projeto de lei na terça-feira (14) — instrumento diferente de uma PEC e que não altera a Constituição que prevê a redução do limite de jornada de trabalho semanal para 40 horas e reduz a escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado.
🔎Atualmente, a jornada semanal máxima de trabalho é de 44 horas.
Recomendações da CCJ
Embora a análise na CCJ – etapa anterior – não tenha avançado sobre o mérito da PEC, o parecer aprovado faz recomendações de mudanças.
A CCJ sugere, por exemplo, a discussão sobre uma regra de transição, progressiva, para a entrada das novas regras em vigor e adaptação do setor produtivo.
O parecer diz ainda que a reestruturação da jornada de trabalho "possui potenciais impactos que extrapolam a esfera trabalhista, alcançando o financiamento da Seguridade Social", ou seja, impactos na Previdência Social.
O texto também propõe uma compensação para as empresas, com a redução de tributos, especialmente sobre a folha de pagamentos, considerando a possibilidade de elevação de gastos com pessoal caso a redução de jornada entre em vigor.
🔎Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que uma redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, por exemplo, pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia. Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade.
Um estudo de fevereiro deste ano do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que o fim da escala 6x1 aumentará em 7,84% o custo médio do trabalho celetista, no caso de uma jornada de 40 horas semanais
Na indústria e no comércio, o efeito estimado é inferior a 1% do custo operacional total, segundo a pesquisa.
O governo estima que 37,2 milhões de trabalhadores no Brasil têm jornadas acima de 40 horas semanais, ou seja, 74% dos profissionais com carteira assinada. E que, em 2024, o Brasil registrou 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho — o que gera gastos para a Previdência.
Próximos passos
Se aprovado na Comissão Especial, o tema terá de passar pelo plenário da Câmara antes de seguir ao Senado. Para a entrada em vigor, o fim da escala 6x1 também precisará do aval de senadores. Só assim, a norma poderá ser promulgada.
“Não há fechamento de data e cronograma. Cada presidente [da Câmara e do Senado] tem suas particularidades e lideranças. Todos precisam participar de um debate amplo como esse”, afirmou Motta.
Setor produtivo vê impacto sobre vagas
Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas.
Na avaliação de economistas, o debate no governo federal e no Congresso Nacional precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.