Especialista aponta diferenças em incidentes com tubarões em Fernando de Noronha e Olinda
30/01/2026
(Foto: Reprodução) Especialista aponta diferença em incidentes com tubarões em Noronha e Olinda
O engenheiro de pesca Léo Veras, pesquisador de tubarões há mais de 30 anos em Fernando de Noronha, analisou as diferenças entre dois incidentes recentes com tubarões em Pernambuco: um em Olinda e outro em Noronha (veja vídeo acima).
No início do mês, a turista Tayane Dalazen foi mordida por um tubarão em Fernando de Noronha e teve ferimentos leves. Já na quinta-feira (29), o adolescente Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, morreu após ser mordido na coxa na Praia Del Chifre, em Olinda.
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Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit), a espécie responsável pela morte do adolescente foi o tubarão-cabeça-chata. Já a visitante da ilha foi mordida por um tubarão-lixa.
De acordo com Léo Veras, o tipo de dentição do animal é determinante para a gravidade do ferimento.
“O tubarão-lixa tem dentes muito pequenos, que funcionam como uma placa. A mandíbula é feita para sucção, e não para arrancar pedaços. Já o tubarão-cabeça-chata tem dentes fortes, próprios para rasgar e cortar”, explicou o pesquisador.
Léo Veras mostra a arcada de um tubarão-cabeça-chata
Ana Clara Marinho/TV Globo
O pesquisador também contou que a identificação da espécie é feita a partir da análise das marcas deixadas pelos dentes.
“As marcas dos dentes funcionam como uma impressão digital, principalmente quando atingem os ossos. Elas deixam cicatrizes permanentes que permitem a identificação da espécie”, afirmou.
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Agressividade
Léo Veras destacou ainda o comportamento agressivo do tubarão-cabeça-chata. Segundo ele, essa é uma das espécies mais agressivas conhecidas e costuma frequentar regiões estuarinas e costeiras.
“A área de arrebentação é usada para caça. O mar agitado facilita a aproximação da presa e permite ataques rápidos”, disse.
Del Chifre
O pesquisador também analisou a Praia Del Chifre, local do ataque. Segundo Veras, a praia fica ao norte do Rio Capibaribe, e a corrente leva a água do rio em direção ao mar.
“Isso deixa a água do mar muito turva e cheia de detritos. Os tubarões-cabeça-chata usam a área como se fosse uma extensão do estuário do Capibaribe”, explicou.
Léo Veras afirmou que a Praia Del Chifre é uma área de alimentação para os tubarões.
“Os tubarões se aproximam dessas áreas próximas ao estuário em busca de alimento. O rio carrega animais mortos e material orgânico. Tudo isso acaba chegando à Praia Del Chifre. Por isso, não se deve tomar banho nem praticar esportes naquela região”, alertou.
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