'Foram 14 anos de tortura': atleta faz nova denúncia contra professor de jiu-jítsu Melqui Galvão

  • 05/05/2026
(Foto: Reprodução)
Professor de Jiu-Jitsu, Melqui Galvão é preso: Delegacia de Defesa da Mulher apura abusos A atleta Brenda Larissa Alves da Silva, de 27 anos, denunciou ter sido vítima de abusos sexuais, físicos e psicológicos por 14 anos pelo professor de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão. Ele foi preso no dia 28 de abril em Manaus. Segundo ela, os crimes começaram quando ela tinha 12 anos após entrar em um projeto esportivo na capital amazonense, onde ele atuava. Melqui Galvão foi preso após denúncias envolvendo ao menos três vítimas, incluindo uma adolescente de 17 anos. A prisão temporária foi decretada pela Justiça após investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. Ao g1, Brenda contou que o treinador se aproximou ao identificar a dedicação dela nos treinos e a situação de vulnerabilidade da família. Ele teria oferecido apoio financeiro, acesso a competições e estudos, além de prometer uma carreira de sucesso no esporte. Em troca, passou a exigir obediência e, depois iniciou os abusos. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp "Ele falou que eu podia mudar a vida da minha família, mas chegou um momento em que disse que eu teria que pagar por tudo. E eu paguei da pior forma possível", afirmou a atleta. Segundo a atleta, o professor custeava as despesas como alimentação, kimono e inscrições em campeonatos, além de conseguir patrocínios. Os abusos, porém, passaram a fazer parte da rotina e se repetiram por anos. Outras vítimas e tentativa de esconder crimes Brenda disse que, aos 16 anos, que outras meninas do projeto eram vítimas. "Eu achava que só eu vivia aquilo, mas não era. Tinha outras passando pelo mesmo", contou. Na época, após surgirem comentários sobre os abusos de outras alunas, o projeto foi encerrado. Para despistar suspeitas, o treinador criou um suposto namoro entre Brenda e outro aluno. Segundo ela, isso foi "um plano dele para que ninguém descobrisse o que estava acontecendo". Professor de jiu-jítsu Melqui Galvão já foi acusado e preso por homicídio durante operação policial no Amazonas Em áudio, lutador Melqui Galvão confessa ter tocado em aluna após achar que ela estava dormindo Multicampeão de jiu-jitsu Mica Galvão se pronuncia após prisão do pai por suspeita de abuso: 'difícil encontrar palavras' Faixa-preta, pai de campeão e policial civil: quem é Melqui Galvão, preso por suspeita de abuso sexual contra alunas Atleta Brenda Larissa Alves da Silva faz nova denúncia contra professor de jiu-jítsu Melqui Galvão Reprodução/Redes Sociais Mudanças e controle à distância Depois disso, o treinador criou um novo projeto nos Estados Unidos e convidou alguns atletas para participarem. Brenda entrou no projeto, com a intenção de mudar de país e continuar os treinos. No entanto, seu visto foi negado, e ela só pôde viajar para disputar o Mundial. Após o retorno ao Brasil, ela passou a morar em São Paulo, com o namorado da época. Nesse período, o contato diminuiu. "Ele meio que parou pela distância, não podia controlar de longe, ele meio que parou de mandar mensagem", recordou. Durante a pandemia de Covid-19, ao voltar para a capital amazonense, Brenda diz que voltou a sofrer pressão psicológica para permanecer sob a influência do treinador. Ela permaneceu em Manaus até que ele inaugurasse outra unidade de sua academia em São Paulo, na cidade de Jundiaí. Contato persistente após rompimento Brenda permaneceu como aluna dele até 2023, quando ocorreu o rompimento profissional. Mesmo após o término da relação profissional e pessoal, o contato persistiu. "Ele continuava me mandando mensagens, fazendo propostas, tentando me convencer a voltar. Isso era uma tortura", disse. Ela afirma que o treinador tentou interferir na carreira dela, inclusive pedindo o fim de relacionamentos e oferecendo vantagens para que voltasse a treinar com ele. Brenda também relata que sofreu agressões físicas e humilhações ao longo dos anos. "Até antes de ser preso, ele curtia minhas coisas. Foram 14 anos de tortura física e mental", afirmou. Denúncia e pedido por justiça Brenda também relatou que sofreu agressões físicas e humilhações ao longo dos anos. Ela afirma ainda que a própria irmã também foi vítima de abuso sexual pelo mesmo homem. A atleta informou que já registrou denúncia em Manaus e decidiu tornar o caso público para incentivar outras vítimas a procurarem ajuda. "Foram 14 anos de muito medo", disse. Ela explicou que a motivação para falar veio da indignação. "Muita indignação pela minha irmã, por tudo que eu vivi também. E, ao ouvir os relatos de outras meninas, isso me deu força para falar: se elas não conseguem, eu vou conseguir", relatou. Brenda acrescentou que seu objetivo é encorajar outras vítimas a denunciarem, mesmo que de forma anônima. "Eu quero que chegue até elas, para que também possam fazer a denúncia e para que a justiça seja feita", concluiu. Quem é Melqui Galvão Melqui Galvão é conhecido no meio esportivo como faixa preta e treinador de jiu-jitsu, sendo responsável por uma academia na Zona Norte de Manaus. Ele também é pai do multicampeão da modalidade, Mica Galvão. Após a prisão do pai, Mica usou as redes sociais para se manifestar. Ele afirmou que vive um momento difícil, destacou a relação com o pai e defendeu que o caso seja apurado com rigor pelas autoridades. "É difícil encontrar palavras para um momento como esse. Meu pai, Melqui Galvão, foi quem me colocou no tatame pela primeira vez ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter", escreveu. Na publicação, o atleta também repudiou qualquer tipo de violência. "Como pessoa, repudio qualquer forma de assédio ou violência contra mulheres e crianças — esse é um valor que carrego e que não abre exceção", afirmou. Investigação e prisão Em áudio, Melqui Galvão confessa ter tocado em aluna após achar que ela estava dormindo Segundo a investigação, o caso veio à tona após uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, denunciar a prática de atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada fora do país. A vítima está atualmente nos Estados Unidos e foi ouvida pelas autoridades, junto com familiares. A prisão temporária foi decretada após denúncias reunidas pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que apura relatos de abusos envolvendo ao menos três vítimas. De acordo com a polícia, os denunciantes apresentaram uma gravação na qual o investigado admite indiretamente o ocorrido e tenta evitar que o caso seja levado adiante, com a promessa de compensação financeira. Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. No depoimento, elas relataram episódios semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou ter 12 anos na época dos fatos. Segundo a polícia, Melqui Galvão havia viajado menos de 24 horas antes para o estado do Amazonas. Após contato entre as corporações, ele se apresentou às autoridades em Manaus, onde teve a prisão cumprida. Além da prisão temporária, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele em Jundiaí, no interior paulista. O caso tem gerado forte repercussão na comunidade do jiu-jitsu. A Polícia Civil segue com as investigações para apurar a extensão dos crimes e identificar possíveis novas vítimas. Em nota, a Polícia Civil do Amazonas informou que as investigações relacionadas professor continuam em Manaus, com realização de depoimentos presenciais e virtuais para esclarecer possíveis crimes. O suspeito está detido na Delegacia-Geral, e a corporação aguarda decisão judicial para transferi-lo a um presídio em São Paulo, onde foi expedido o mandado de prisão temporária. O g1 não localizou, até a última atualização desta reportagem, a defesa de Melqui Galvão. Professor de jiu-jitsu, Melqui Galvão é preso por suspeita de abuso sexual contra alunas Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/05/05/foram-14-anos-de-tortura-atleta-faz-nova-denuncia-contra-professor-de-jiu-jitsu-melqui-galvao.ghtml


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