Genro do prefeito de Manaus intermediou suposta compra de votos com lideranças religiosas, aponta Polícia Federal

  • 13/03/2026
(Foto: Reprodução)
Prefeito de Manaus aparece em inquérito que investiga denúncia de compra de votos Um laudo da Polícia Federal (PF) aponta que Gabriel Alexandre da Silva Lima, genro do prefeito de Manaus, David Almeida, teria atuado como intermediador em uma suposta negociação de compra de votos com lideranças religiosas durante as eleições municipais de 2024. A informação consta em perícia em celulares apreendidos em 2024 pela PF durante a investigação que apura possível corrupção eleitoral na capital amazonense. O documento analisa mensagens, áudios e arquivos encontrados nos aparelhos de líderes ligados à Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB). Foram periciados quatro celulares. Em um dos aparelhos, atribuído ao pastor Flaviano Negreiros, a análise identificou conversas entre líderes religiosos e um contato salvo como “Gabriel Davi Almeida”, em um grupo de WhatsApp. De acordo com a PF, trata-se do genro do prefeito. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Os investigadores afirmam que há registros de mensagens diretas e áudios enviados a Gabriel, nos quais pastores tratam de valores e da mobilização de apoio político. Um dos trechos citados na perícia mostra um pedido direto a Gabriel para o envio de R$ 80 mil. Em um áudio enviado por um pastor, o religioso afirma que o valor deveria ser repassado para que pudesse ser dividido entre as lideranças religiosas. Segundo a transcrição do laudo, o pastor diz: “Se o senhor pudesse enviar todo aquele valor, os oitenta mil, para nós já dividir com todo mundo, para todo mundo se animar.” Para os investigadores, a mensagem sugere que o dinheiro seria distribuído entre pastores e obreiros com objetivo de estimular apoio político. De acordo com a perícia, o valor de R$ 80 mil teria relação com apoio político no segundo turno das eleições municipais de 2024. As mensagens também indicam que um pagamento teria ocorrido no primeiro turno, mas o valor não foi especificado. A PF afirma que há conversas em que líderes religiosos cobram o pagamento restante que teria sido prometido por Gabriel. Em um dos áudios analisados, um pastor afirma que seria necessário entrar em contato com Gabriel para resolver o pagamento prometido. Na transcrição feita pela PF, ele diz: “Tem que ligar para o Gabriel para ver essa situação. Quem prometeu foi o Gabriel dar o restante do valor.” Segundo a investigação, isso reforça a hipótese de negociação financeira em troca de apoio eleitoral. Pedido para divulgar número do candidato Outro áudio recuperado nos celulares mostra que Gabriel também teria solicitado apoio na divulgação da campanha. Na mensagem enviada em um grupo de pastores, um dos investigados afirma: “O Gabriel, genro do David Almeida, pediu para todos nós colocar o setenta no nosso WhatsApp, Facebook e Instagram.” O número citado seria o número eleitoral do candidato apoiado nas eleições. Segundo a PF, a mensagem sugere tentativa de mobilizar lideranças religiosas para ampliar a propaganda política entre os fiéis. Relação com líderes da igreja A perícia também identificou contato frequente entre Gabriel e líderes da Igreja Pentecostal Unida do Brasil. Entre eles está o pastor Flaviano Paes Negreiros, um dos investigados. De acordo com o relatório: As conversas entre os dois começaram em 25 de agosto de 2024, antes do primeiro turno das eleições; Há registros de mensagens, áudios e até fotografias em que aparecem juntos. Uma das conversas analisadas revela que Flaviano convocou líderes religiosos para uma reunião com a presença de Gabriel em uma cafeteria na Zona Oeste da capital. Segundo a PF, nessa reunião teria sido discutido apoio eleitoral da igreja, quantidade de membros e possível valor a ser pago pela influência nos votos. Para os investigadores, esses elementos indicam proximidade e interlocução entre representantes da campanha e lideranças religiosas. O g1 questionou a Secretaria Municipal de Comunicação sobre as informações contidas no inquérito, mas até a atualização mais recente desta reportagem não obteve resposta. A reportagem tenta localizar as defesas de Gabriel e Flaviano. Gabriel Alexandre e Flaviano Negreiros ao lado de outras lideranças religiosas durante reunião que, segundo a PF, teria sido feita para articulação de apoio a reeleição do Prefeito de Manaus, David Almeida. Reprodução/Polícia Federal A investigação Uma denúncia de compra de votos envolvendo o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), é alvo de investigação da Polícia Federal desde 2024. Segundo apuração da Rede Amazônica, os celulares, apreendidos há quase um ano e meio. A operação policial ocorreu em 26 de outubro de 2024, véspera do segundo turno das eleições municipais. Na denúncia enviada à PF, uma mensagem da direção da Igreja Pentecostal Unidos do Brasil convocou pastores que votam em Manaus a comparecerem ao minicentro de convenções do templo religioso, localizado no bairro Monte das Oliveiras, Zona Sul da capital, em horário específico. O local é reduto político de Almeida. De acordo com o inquérito, em uma sala foram encontrados envelopes com dinheiro, cada um contendo R$ 200, totalizando R$ 21.650 em espécie. Segundo os pastores, o dinheiro encontrado fazia parte de R$ 38 mil recebidos na noite anterior de uma pessoa ligada à campanha de David Almeida. No processo, o responsável aparece identificado apenas como "Eliezer". Dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante e liberados após pagamento de fiança de R$ 15 mil cada. Eles respondem ao processo em liberdade. Dinheiro encontrado junto com os celulares Divulgação Celulares aguardam por perícia Quem pediu pra acessar o conteúdo dos celulares foi a própria Polícia Federal. O Ministério Público concordou e no dia 25 de novembro de 2024, o juiz eleitoral responsável pelo caso, Anésio Rocha Pinheiro, autorizou o acesso ao conteúdo dos celulares, mas não determinou um prazo para que isso fosse feito. Especialistas consultados pela Rede Amazônica afirmam que a demora na análise dos celulares não é comum. O advogado Alexandre Nogueira afirmou que a legislação eleitoral estabelece prazo para a conclusão de processos relacionados ao pleito e defendeu que investigações não podem se estender por tempo indeterminado. Segundo ele, existe um dispositivo na Lei Geral das Eleições que determina que os processos eleitorais relacionados àquela eleição que devem ser concluídos no prazo de um ano. Já vem se formando na jurisprudência, nos tribunais país afora, o entendimento de que o procedimento investigatório não pode ter prazo infinito, ele precisa ser razoável. "Entendo que, muito provavelmente, em pouco tempo o juiz do caso deverá se manifestar para que seja especificado se ainda há alguma prova a produzir ou diligência a realizar, para que o inquérito seja encerrado e o Ministério Público possa decidir se oferece denúncia ou não”, afirmou o advogado. O delegado da PF responsável pelo caso, Eduardo Zózimo, também não quis comentar por que a perícia dos celulares ainda não foi realizada. LEIA TAMBÉM: Prefeito de Manaus defende ex-chefe de gabinete e contesta investigação sobre 'núcleo político' do CV no AM Ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus encaminhou mais de R$ 1,3 milhão para empresa fantasma, diz polícia Prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) Semcom

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/03/13/genro-do-prefeito-de-manaus-intermediou-suposta-compra-de-votos-com-liderancas-religiosas-aponta-policia-federal.ghtml


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