Governo de MG afirma que transbordamento em mina causou danos ambientais e Vale será autuada
Imagens de drone mostram área tomada por água com sedimentos que transbordou de estrutura
O governo de Minas Gerais afirmou, na noite desta segunda-feira (26), que foram identificados danos ambientais decorrentes do transbordamento de uma cava da Mina de Fábrica, da Vale, entre Congonhas e Ouro Preto, na Região Central do estado, no domingo (25). A mineradora será autuada.
No mesmo dia, outra unidade da Vale, a Mina Viga, em Congonhas, registrou extravasamento de água. O governo não mencionou danos relacionados a essa ocorrência (leia mais abaixo).
Segundo o governo do estado, o transbordamento na Mina de Fábrica gerou carreamento de sedimentos e assoreamento de cursos d’água afluentes do Rio Maranhão.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) determinou que a Vale cumpra medidas emergenciais como limpeza do local afetado e monitoramento do curso d’água atingido. A empresa também terá de elaborar um plano de recuperação ambiental.
Ainda de acordo com o governo de MG, a Vale será autuada por:
intervenção que resulte em poluição, degradação ou danos aos recursos hídricos, às espécies vegetais e animais, aos ecossistemas e habitats ou ao patrimônio natural ou cultural, ou que prejudique a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
deixar de comunicar a ocorrência de acidente com danos ambientais, em até duas horas, contadas do horário em que ocorreu o acidente.
O g1 questionou a Vale sobre os danos ambientais e as autuações, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Duas ocorrências no mesmo dia
Segundo a mineradora, a ocorrência na Mina de Fábrica, na madrugada de domingo, teve relação com as chuvas. Uma das cavas da mina – uma espécie de "buraco" resultante da extração de minério de ferro – acumulou água e transbordou. Uma unidade da CSN foi atingida.
"Essa água, naturalmente, passava por um bueiro que fica ali na área dessa própria mina, [...] e foi feito, dentro de um plano de preparação para as chuvas, [...] uma pequena proteção ali, temporária, próximo desse bueiro. Com as chuvas que ocorreram, esse nível subiu tão rápido que acabou passando por essa proteção que existia nesse bueiro, fazendo com que houvesse uma liberação de água não controlada pelo próprio bueiro. Então, o excesso de água acabou descendo, essa água acaba gerando uma enxurrada", explicou o vice-presidente executivo técnico da Vale, Rafael Bittar.
De acordo com a Vale, não houve carreamento de rejeitos de mineração para os rios, e sim de água com sedimentos.
"Não houve contaminação de rio, não houve transporte de rejeito para rio. [...] Essa cava acumulava um pouco de rejeito, ela foi licenciada para dispor rejeito em uma outra porção dela, que não foi a porção que teve essa saída de água, e o rejeito fica sedimentado ali. Foi a água superficial da cava que acabou fluindo pelo bueiro de maneira não controlada", afirmou Bittar.
Também neste domingo, uma ocorrência de extravasamento de água foi registrada em outra unidade da Vale, a Mina Viga, em Congonhas. No local, houve transbordamento de água no sump, uma estrutura de drenagem.
"Dentro do plano de chuva você cria pequenas bacias, que são buracos que a gente escava, para poder reter água e evitar que a água escoe com muita velocidade. Como a chuva excedeu essas bacias, acabou que gerou um grande volume. [...] Tivemos ali uma chuva concentrada, cerca de 100, 110 mm, em pouquíssimas horas. Foi exatamente em cima da área industrial nossa", disse Rafael Bittar.
Reportagem em atualização
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