Guerra no Oriente Médio: premiê da Espanha diz que Trump está 'brincando de roleta russa' com o destino de milhões de pessoas
04/03/2026
(Foto: Reprodução) Trump diz que EUA vão cortar relações comerciais com Espanha após país negar uso de bases para ataques ao Irã
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez, disse nesta quarta-feira (4) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está "brincando de roleta russa" com o destino de milhões de pessoas com a guerra contra o Irã e que ele não será cúmplice das ações norte-americanas apenas pelo medo de retaliação.
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A fala de Sánchez ocorreu após Trump ter ameaçado cortar as relações comerciais com a Espanha devido à posição do país sobre o conflito. O líder norte-americano reclamou que os espanhóis não deixaram os EUA utilizarem suas bases militares no Oriente Médio para lançar ataques contra o Irã. (Leia mais abaixo)
“É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade. Você não pode jogar roleta russa com o destino de milhões”, disse Sánchez a Trump em pronunciamento nacional televisionado.
As tensões entre os dois aliados da Otan aumentaram após Sánchez classificar os bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã como imprudentes e ilegais e, posteriormente, proibir aeronaves americanas de utilizarem bases navais e aéreas no sul da Espanha para a ofensiva contra Teerã.
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Sánchez afirmou que o mundo não pode resolver seus problemas com conflitos e bombas, e que o governo espanhol é totalmente contra essa guerra.
“A posição do governo espanhol pode ser resumida em quatro palavras: ‘Não à guerra’. Não vamos ser cúmplices de algo que é ruim para o mundo nem contrário aos nossos valores e interesses simplesmente para evitar represálias de alguém”, afirmou Sánchez, em aparente referência às ameaças comerciais de Trump.
Sánchez destacou os efeitos colaterais negativos da Guerra do Iraque, desde o aumento do terrorismo jihadista até a disparada nos preços da energia, para argumentar que as consequências deste ataque ao Irã são igualmente incertas e que ele não levará a uma ordem internacional mais justa.
Trump corta relações comerciais com a Espanha
Trump fala na Casa Branca em 03 de março de 2026
Mark Schiefelbein/AP
Donald Trump afirmou na terça-feira (3) que os EUA vão cortar todas as relações comerciais com a Espanha depois que o governo espanhol não autorizou o uso de suas bases pelos militares norte-americanos no ataque ao Irã.
"A Espanha tem sido terrível. Na verdade, eu disse ao Scott [Bessnet, secretário do Tesouro] para cortar todas as relações com a Espanha. A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-la. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-la", disse Trump.
Após a fala de Trump, o governo espanhol disse que os EUA devem seguir as regras do direito internacional e os acordos bilaterais de comércio com a União Europeia.
A declaração de Trump foi dada durante entrevista na Casa Branca. Ele falou sobre a ofensiva americana ao Irã enquanto recebia o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz.
Seguindo com sua postura otimista, Trump falou sobre o ataque feito ao prédio da Assembleia dos Peritos, responsável por escolher o próximo líder supremo do país, e afirmou:
"Tudo foi destruído no Irã. Estamos muito bem. Hoje houve outro ataque à nova liderança. O pior cenário é que alguém tão ruim quanto o anterior assuma o poder. Gostaríamos de ver alguém lá que seja melhor".
O presidente norte-americano também aproveitou para condenar o governo iraniano e acusou Teerã de atacar civis.
"O Irã está atacando países que não têm nada a ver com o que está acontecendo. Está atingindo apenas instalações civis", afirmou.
Também nesta terça, um general da Guarda Revolucionária iraniana advertiu que se os bombardeios de Israel e Estados Unidos contra o Irã continuarem, "todos os centros econômicos" do Oriente Médio serão alvo de represálias.
"Dizemos ao inimigo que, se decidir atacar nossos principais centros, nós atacaremos todos os centros econômicos da região", afirmou o general Ebrahim Jabari.
"Fechamos o estreito de Ormuz. Atualmente, o preço do petróleo passa dos 80 dólares e em breve atingirá os 200 dólares", acrescentou, citado pela agência de notícias Isna. O barril do Brent superou, nesta terça-feira, os 85 dólares pela primeira vez desde julho de 2024.