Guilherme Mello se diz honrado com indicação ao Banco Central e pronto para assumir o cargo
06/02/2026
(Foto: Reprodução) O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou nesta sexta-feira (6) que ainda não foi convidado presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a diretoria do Banco Central, mas informou que seu nome está à disposição caso isso aconteça no futuro.
Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que indicou Lula o nome de Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central — instituição responsável por fixar a taxa básica de juros para conter a inflação.
Mello se disse "lisonjeado" pela lembrança de seu nome e "feliz pela confiança do ministro". Mas acrescentou que não recebeu nenhum convite até o momento, e que, por isso, não tem comentários a fazer.
"Estou à disposição do presidente e do ministro para cumprir as tarefas que eles julgam pertinentes, e que eu tenha capacidade de realizá-las, como eu acho que mostramos bons resultados aqui na Fazenda em projeções, estudos, proposições legislativas. Estou sereno e fico feliz que o ministro tenha confiança no meu nome", declarou Guilherme Mello a jornalistas.
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Divulgada neste fim de semana pela imprensa, a informação de que o atual secretário de Política Econômica da pasta, Guilherme Mello, foi indicado ao BC repercutiu mal entre analistas do mercado financeiro, receosos de que seu perfil considerado desenvolvimentista (a favor de um corte mais rápido dos juros) possa prejudicar o controle da inflação.
Guilherme Mello tem graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Também é mestre em Economia Política pela PUC-SP, e doutor em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas.
Perguntado sobre a possibilidade de corte de juros em março, conforme indicação do Copom e expectativa do mercado financeiro, ele disse que não tem os instrumentos necessários para julgar neste momento, pois não faz parte do BC.
"Tenho consciência que o BC tem feito um trabalho importante. É um trabalho técnico, informado. É um tema que o Copom tem de decidir. Indicou que vai iniciar o movimento de flexibilização. Qual magnitude, eles que vão informar com base nas melhores informações que tiverem", afirmou Mello.
Mello afirmou ainda ser amigo desde os tempos da faculdade do presidente do BC, Gabriel Galípolo, mas que não conversou ainda sobre esse tema com ele, pois o assunto ainda não foi definido pelo presidente Lula.
Guilherme Mello, secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, durante encontro de ministros de finanças do G20
André Ribeiro/TheNews2/Estadão Conteúdo
Mudanças no BC
As vagas para a diretoria do Banco Central, cuja principal missão é controlar a inflação, tendo como instrumento a taxa básica de juros da economia, foram abertas no início deste ano quando os dois últimos diretores indicados por Jair Bolsonaro, Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Diogo Guillen (Política Econômica), deixaram seus cargos.
Com a autonomia do Banco Central, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em 2021, o presidente e os diretores da instituição são indicados pelo presidente da República para mandatos de quatro anos, não podendo ser substituídos antes do prazo.
A atual diretoria do Banco Central já conta com maioria de integrantes indicada pela atual gestão petista desde o início de 2025.
Até então, as críticas às decisões sobre a taxa de juros por parte do presidente Lula, principalmente ao ex-chefe da instituição, Roberto Campos Neto, eram mais agressivas. Mas até hoje integrantes do governo criticam o Banco Central.
No fim do ano passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo não quis fazer comentários sobre as indicações dos futuros diretores do Banco Central.
"Tenho por orientação não entrar na prerrogativa do presidente [Lula, responsável por indicar os nomes]. Perfil, quando, o presidente vai comunicar isso. Não cabe ao BC falar sobre prerrogativa do presidente. Mesmo que a gente participe [do debate], quem vai falar sobre isso é o presidente", informou Galípolo, na ocasião.
Diretoria de Política Econômica
O cargo de diretor de Política Econômica, cuja vaga foi aberta no começo deste ano, é considerado chave na fixação da taxa básica de juros da economia, que está no maior nível em quase 20 anos.
Na semana passada, o BC indicou que iniciará o corte do juro em março, no próximo encontro do Copom - colegiado que determina o patamar da Selic.
O diretor de Política Econômica tem o papel de apresentar, nas reuniões do Copom, a situação macroeconômica do país, cenários e projeções, e, também, recomendações sobre as diretrizes de política monetária e propor diretamente um nível para a taxa de juros.