Imagens de pessoas nuas nos arquivos de Epstein ficaram disponíveis por dias apesar de protestos
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Jeffrey Epstein
Getty Images via BBC
Fotos e vídeos sem tarjas pretas, com cenas de nudez, divulgados nos arquivos do bilionário condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein (1953–2019), continuam disponíveis na internet há dias, apesar de autoridades dos Estados Unidos terem sido alertadas para falhas no processo de colocação de tarjas.
Advogados afirmam que o episódio causou "danos irreparáveis" a vítimas.
Os arquivos analisados pela BBC Verify estão entre milhares de documentos que, segundo advogados, contêm informações que permitem a identificação de dezenas de vítimas de Epstein.
Os grupos de vítimas se manifestaram pela primeira vez sobre o assunto no fim de semana, depois que o jornal americano New York Times informou que quase 40 imagens do tipo haviam sido publicadas na sexta-feira (30) como parte dos arquivos de Epstein.
Caso Epstein: justiça divulga mais documentos
Na terça-feira (3), um juiz de Nova York afirmou que o Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) dos EUA concordou em corrigir rapidamente o problema, após as vítimas pedirem que o site fosse retirado do ar até que nomes e imagens pudessem ser devidamente ocultados.
O DoJ retirou milhares de documentos de seu site, alegando que os arquivos haviam sido publicados por "erro técnico ou humano". O departamento informou que segue analisando novos pedidos e verificando se há outros documentos que exijam ocultação adicional.
A BBC Verify, serviço de verificação de dados e imagens da BBC, constatou de forma independente que diversas imagens de pessoas identificáveis ainda estavam online na quarta-feira (4/2), apesar de o governo dos EUA ter informado no dia anterior que estava lidando com o problema das ocultações incompletas.
A BBC procurou o Departamento de Justiça dos EUA para comentar o caso e forneceu os nomes dos arquivos sem tarjas, mas não recebeu respostas até o momento.
"O dano causado é irreparável", afirmou em nota Brad Edwards, advogado que representa vítimas de Epstein.
"Estou arrasada pelas garotas cujas informações foram divulgadas", disse à BBC Ashley Rubright, sobrevivente dos abusos cometidos por Epstein. "Isso é uma violação enorme de um dos momentos mais horríveis da vida delas."
Quatro das imagens identificadas pela BBC Verify mostravam jovens parcialmente vestidas, com rostos e corpos sem qualquer ocultação. O material foi localizado em uma busca ampla entre milhões de arquivos divulgados como evidência das relações de Epstein com figuras públicas.
Partes de fotos de outras pessoas foram ocultadas em alguns documentos, mas permaneceram expostas em outros. Um dos arquivos reunia duas versões da mesma imagem: em uma, o rosto estava coberto por um quadrado preto; na outra, aparecia totalmente visível.
Outro vídeo também identificava uma pessoa que aparecia levantando a camisa e exibindo um dos seios para a câmera.
Autoridades do Departamento de Justiça dos EUA tinham sido encarregadas de ocultar todas as fotos sexualmente explícitas ou quaisquer informações que pudessem identificar vítimas antes da divulgação do mais recente lote de arquivos de Epstein, que estava prevista para o período do Natal passado.
Antes do prazo estabelecido pelo Congresso dos EUA, o vice-procurador-geral Todd Blanche disse que os arquivos não seriam divulgados dentro do calendário previsto, devido ao trabalho adicional necessário para resguardar a identidade das vítimas. "Estamos examinando cada documento que será tornado público, para garantir que todas as vítimas — seus nomes, identidades e histórias, na medida em que precisam ser protegidas — estejam plenamente resguardadas", afirmou à época.
A BBC Verify constatou separadamente que a identidade de várias pessoas foi revelada em informações médicas e declarações legais publicadas nos arquivos.
Um dos nomes foi exibido integralmente em dois vídeos de exames de ultrassom fetal. O horário, a data e o que parece ser o local dos exames, assim como a idade gestacional do feto, também estavam claramente visíveis.
Outro documento continha uma gravação de Epstein sendo interrogado, na qual um advogado mencionava o nome de ao menos uma vítima.
Diante dos episódios, advogados das vítimas de Epstein criticaram duramente o Departamento de Justiça dos EUA por não ter protegido adequadamente centenas de mulheres identificadas nos arquivos.
"Estamos recebendo ligações constantes de vítimas porque seus nomes — apesar de elas nunca terem se exposto e serem completamente desconhecidas do público — acabaram de ser divulgados para consumo público", afirmou no domingo (1º) Brad Edwards, um dos advogados.
"São literalmente milhares de erros."