Itapetininga tem 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua; Campanha da Fraternidade reacende debate sobre moradia

  • 27/02/2026
(Foto: Reprodução)
Após pico em 2022, número de famílias em situação de rua oscila em Itapetininga (SP) Reprodução/TV Globo Ao menos 237 famílias não possuem moradia fixa e vivem nas ruas de Itapetininga (SP), de acordo com os dados da Secretaria de Avaliação de Gestão da Informação e Cadastro Único (Decau). O número é 7,7% menor do que o registrado no fim de 2023, quando a cidade tinha 257 famílias em situação de rua, de acordo com o órgão. Segundo o painel do Decau, o número de famílias em situação de rua em Itapetininga começou a crescer em 2017. Naquele ano, havia cerca de 20 famílias sem moradia no município. Ao fim de 2017, o total chegou a 93 famílias cadastradas no CadÚnico. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Itapetininga tem 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua A escalada continuou e, menos de três anos depois, no início de 2020, já eram 253 famílias registradas. O pico foi registrado em julho de 2022, quando o município contabilizou 306 famílias em situação de rua. Desde então, os números têm oscilado, com períodos de queda e de alta. Campanha da Fraternidade foca em moradia A Campanha da Fraternidade 2026 tem como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós”. Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a iniciativa chega à 62ª edição propondo, neste ano, uma reflexão sobre a moradia como direito fundamental, à luz da fé cristã e do compromisso com a solidariedade. Por meio das paróquias e comunidades, a campanha prevê a realização de ações como: Analisar a realidade da moradia das pessoas mais pobres; Identificar como os governantes do nosso país, estado e município se preocupam com as pessoas sem moradia digna; Entender por que a moradia é um direito de todas as pessoas e não algo que se tem porque merece. Em Itapetininga, 12.148 imóveis particulares estão desocupados. O total representa, em média, 51 imóveis vazios para cada família que vive em situação de rua no município. Já em Tatuí (SP), há cerca de 10 mil habitações particulares desocupadas, enquanto 165 famílias vivem em situação de rua na cidade. Veja no mapa abaixo a situação em cada município paulista: A cientista social e mestre em estudos culturais Thais Maria Souto Vieira avalia que a situação das pessoas em situação de rua é resultado de um fenômeno multicausal, marcado por uma sequência de exclusões sociais. Segundo ela, a falta de acesso a moradia, trabalho, educação, estrutura familiar e serviços de saúde está entre os principais fatores que levam indivíduos e famílias a viverem nas ruas. "É uma situação que deve ser vista como provisória, mas que, muitas vezes, acaba se estendendo por anos", explica. Itapetininga (SP) registra 237 famílias sem moradia fixa, enquanto possui 12.148 imóveis particulares desocupados Reprodução/TV TEM Outro aspecto apontado pela pesquisadora é o caráter migratório e transitório dessa população. De acordo com ela, em cidades do interior, a presença de pessoas em situação de rua costuma chamar mais atenção, o que contribui para a intensificação de estigmas e preconceitos. "As políticas públicas precisam prever e incluir estes cidadãos no resgate da dignidade humana, seja ofertando refeições, moradia ou até espaços terapêuticos onde eles possam trabalhar as diversas questões que envolvem a dinâmica singular da vida na rua", recomenda. A cientista social ressalta ainda que discursos que afirmam que pessoas em situação de rua "gostam" de viver nessa condição são perigosos, pois reforçam estereótipos e invisibilizam a complexidade do problema. "O 'querer' do indivíduo, muitas vezes, tem a ver com o rompimento de vínculos dele dentro de uma estrutura social e familiar que o sustentava, assim como sustenta a todos nós. O resgate desses vínculos é um grande desafio, que envolve não só condições dignas de moradia e trabalho, mas também de socialização, saúde mental, entre outras", analisa. Pessoa em situação de rua Reprodução/TV Globo Programas de moradia popular A Prefeitura de Itapetininga anunciou a abertura de inscrições para 248 moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida – Faixa 1, destinadas a famílias com renda mensal bruta de até R$ 2.850. A iniciativa do governo federal conta com parceria da prefeitura, do governo do estado, por meio do programa Casa Paulista, e da Caixa Econômica Federal. O objetivo é ampliar o acesso a moradia digna, com condições facilitadas de financiamento e subsídios dos governos federal e estadual. As obras já foram iniciadas e integram o Loteamento Nova Belo Horizonte. O empreendimento habitacional mais recente entregue no município foi o Residencial Copacabana, inaugurado em dezembro de 2025, com 437 unidades. O conjunto também foi viabilizado por meio de programas federal e estadual, em parceria com a Caixa, segundo a prefeitura. Empreendimento habitacional mais recente entregue em Itapetininga (SP) foi o Residencial Copacabana, inaugurado em dezembro de 2025, com 437 unidades, segundo a prefeitura Prefeitura de Itapetininga/Divulgação Em Tatuí, a prefeitura informou, em nota, que a responsabilidade pela construção e oferta direta de unidades habitacionais é, prioritariamente, do governo federal, conforme prevê a Constituição, cabendo ao governo do estado atuação de forma solidária. "Ao município cabe atuar no âmbito do planejamento urbano, por meio da elaboração e execução do Plano Diretor, do adequado zoneamento urbano e da criação de condições legais que viabilizem empreendimentos habitacionais voltados à população de baixa renda, além da implementação de programas de regularização fundiária." Cadastro, acolhimento e encaminhamento Segundo a Prefeitura de Itapetininga, das 237 pessoas em situação de rua que vivem no município, cerca de 65 são acompanhadas pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). A administração municipal mantém convênio com a Associação Novo Tempo. Por meio da parceria, mais de mil pessoas em situação migratória ou de rua que passaram por Itapetininga foram encaminhadas a familiares ou às cidades de origem, após receberem atendimento no Guichê Social, instalado na Estação Rodoviária. Itapetininga (SP) mantém guichê social para encaminhar população em situação de rua às cidades de origem Prefeitura de Itapetininga/Divulgação O município também conta com o serviço de Casa de Passagem, que oferece alimentação, higiene e acolhimento institucional para pessoas em situação de rua que são moradoras da cidade. No local, são realizados acolhimento, atendimento psicossocial, fornecimento de refeições, cuidados de higiene e pernoite. Além disso, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) realiza acolhimento, atendimento psicossocial, entrega de kits de higiene e apoio na regularização de documentos, além de ações como blitz social, identificação e cadastro das pessoas em situação de rua. Em Tatuí, a prefeitura estima que haja 29 pessoas em situação de rua. Para atender essa população, o município realiza abordagem social por meio da equipe do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), de segunda a sexta-feira. Também oferece acolhimento na Casa de Apoio aos Irmãos de Rua São José e acompanhamento em saúde pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD). Itapetininga tem 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua Freepik Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/02/27/itapetininga-tem-51-imoveis-vazios-para-cada-familia-em-situacao-de-rua-campanha-da-fraternidade-reacende-debate-sobre-moradia.ghtml


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