Jornalista venezuelana que vive no Brasil relata medo e incerteza sobre situação do país: 'Nunca aconteceu isso'
07/01/2026
(Foto: Reprodução) Jornalista venezuelana fala sobre medo na situação do país enquanto mora no Brasil
Paola Cova/Arquivo pessoal
Venezuelanos que moram no país de origem ou em outras nações vivem um momento de incerteza após o ataque de grande escala contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, na madrugada de sábado (3).
Ao g1, a jornalista venezuelana Paola Romero Cova, de 32 anos, falou sobre o medo com a situação do país de origem. "O sentimento que a gente tem agora não é o mesmo sentimento de quando a gente recebeu a notícia do que estava acontecendo no país."
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"Eu acho que poderia falar que é um sentimento incomum, que, no momento, a gente sentiu muito medo, porque tem família, amigos lá, porque é um povo inocente de muitas coisas", continua.
Ela mora há três anos em Presidente Prudente (SP) e, atualmente, trabalha como operadora de caixa em uma rede de supermercados. A jornalista deixou a Venezuela em busca de uma vida melhor para o filho, de 11 anos, e veio para o Brasil acompanhada da mãe e da avó do menino, de 62 anos.
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Caíque Rodrigues/g1 RR
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Receio pela família
Ao mesmo tempo que sente a angústia pela família que continua no país de origem, Paola celebra a queda do então presidente da Venezuela. "Depois que a gente viu que foi uma captura de uma pessoa que também já fez muito mal, eu senti gratidão por Deus, universo, pela vida. Justiça e alívio também, porque é o começo do fim."
"O sentimento que a gente tem agora não é o mesmo de quando recebemos a notícia do que estava acontecendo no país. É um sentimento incomum. No momento, sentimos muito medo, principalmente porque temos família lá", disse.
A venezuelana também relembrou como era a situação enquanto ainda morava no país. "Sou jornalista, e trabalhar lá é muito difícil. Querer falar o que realmente precisa ser dito e não poder é muito difícil para um jornalista", afirmou.
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Caíque Rodrigues/g1 RR
Vivência no país de origem
A Venezuela já passou por diversas fases, incluindo anos de extrema escassez, segundo Paola. "Houve períodos em que, mesmo com pouco dinheiro, não havia produtos disponíveis. Em outros, os produtos existiam, mas o dinheiro não era suficiente. Havia uma ansiedade diária sobre o que se comeria no dia seguinte", relatou.
Além da questão alimentar, os venezuelanos também enfrentaram a falta de suprimentos básicos nos hospitais e a deterioração da educação, entre outras dificuldades, conforme a jornalista.
"A realidade da Venezuela é mais complexa do que se imagina. Ficar até 10 horas sem eletricidade, passar dias sem água em casa e sem gás para cozinhar são situações básicas que se tornaram extremamente complicadas", afirmou.
Jornalista venezuelana fala sobre medo na situação do país enquanto mora no Brasil
Paola Cova/Arquivo pessoal
Paola disse que presenciou esse cenário e teve contato com a realidade de outras famílias ao trabalhar em redações de notícias nacionais e internacionais. "Trabalhar como jornalista e não poder contar toda a verdade sobre o que se vive no dia a dia é devastador", disse.
"Deixar a Venezuela é uma busca por alívio. Não é fácil sair de casa e recomeçar do zero em outra cultura, língua e clima. Mas sou profundamente grata pela recepção que tive no Brasil, país onde também encontrei um lar. Como mãe, quero que meu filho tenha uma realidade diferente", completou.
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Situação na Venezuela
Após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada de sábado (3), com a captura e prisão de Nicolás Maduro, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram, no domingo (4), a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país.
Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, insistiu no domingo que os Estados Unidos estão "no comando" da Venezuela e que está discutindo os próximos passos com as novas autoridades venezuelanas, lideradas por Rodríguez.
Trump declarou na segunda-feira (5) que os norte-americanos não estão em guerra com a Venezuela. À emissora americana NBC News, ele também descartou a realização de eleições no país dentro de 30 dias.
O atual governo da Venezuela ordenou que a polícia "inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos".
Além disso, profissionais da imprensa foram detidos na segunda-feira, enquanto cobriam eventos na capital venezuelana, Caracas, incluindo uma marcha em apoio ao presidente deposto Nicolás Maduro e a posse da nova legislatura do país, informou a associação de imprensa da nação sul-americana.
Todos os 14 detidos foram posteriormente liberados, disse a associação (SNTP) na rede X, embora um deles fosse um jornalista estrangeiro que acabou deportado. Segundo a SNTP, entre os detidos estavam 11 pessoas que trabalhavam para veículos de comunicação internacionais e uma vinculada a um veículo nacional.
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