Juro do cartão de crédito soma 436% ao ano em fevereiro; mais de 40 milhões de pessoas estão no rotativo
30/03/2026
(Foto: Reprodução) Divulgação
Os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo subiram para 436% ao ano em fevereiro, informou o Banco Central nesta segunda-feira (30).
Acima de 400% ao ano, essa é a linha de crédito mais cara do mercado financeiro. O patamar de fevereiro está 30 vezes acima da taxa básica da economia, que serve de parâmetro para os bancos buscarem recursos no mercado.
De acordo com dados do Banco Central, cerca de 40 milhões de brasileiros estavam com dívida no cartão de crédito rotativo em janeiro. Com juros elevados, taxa de inadimplência dessa linha de crédito somou 63,5%.
O crédito rotativo do cartão de crédito é acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento.
Segundo analistas, essa forma de crédito deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.
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Em janeiro de 2024, o Congresso e o governo limitaram o endividamento do cartão de crédito rotativo. Desde então, ficou determinado que o valor do débito não pode exceder o valor original da dívida.
Se a dívida for de R$ 100, por exemplo, a dívida total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 200.
O custo do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), entretanto, está fora desse cálculo. Isso vale somente para débitos contraídos a partir de janeiro.
Novas regras para juros do cartão de crédito começam a valer nesta quarta (3).
Jornal Nacional/Reprodução
Alta no endividamento
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, informou que 101 milhões de pessoas no Brasil usam cartão de crédito no país, e que essa modalidade que responde por boa parte do endividamento.
Segundo ele, as pessoas estão tomando linhas de crédito que deveriam ser usadas somente em momentos emergenciais, como o rotativo do cartão de crédito, como parte de sua renda, e isso deveria ser alvo de uma discussão estrutural.
"Nossa dimensão do BC é como a gente consegue construir alternativas para o cliente ter uma opção mais adequada à situação dele", disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo.
De acordo com Galípolo, a ideia é tentar "produzir arranjos mais saudáveis para quem está buscando crédito", ou seja, linhas de crédito mais adequadas.
Para facilitar a concessão do crédito com taxas menores, o governo lançou, no ano passado, o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com mais de R$ 80 bilhões liberados em um ano.
A regulamentação do uso do saldo do FGTS dos trabalhadores como garantia aos empréstimos, algo prometido pelo governo como um diferencial da modalidade, uma forma de baixar os juros aos trabalhadores, porém, ainda não saiu do papel.
Lula preocupado
Com as eleições se aproximando, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está demonstrando preocupação maior com o nível de endividamento da população que, segundo dados do próprio BC, está entre os maiores das últimas décadas.
"Falei para meu ministro da fazenda [Dario Durigan] pra gente resolver a dívida das pessoas. Não quero que deixem de endividar para ter coisas novas na vida, mas ver como a gente faz pra facilitar o pagamento do que devem", disse Lula, em evento em Goiás.