Justiça homologa acordo e influenciador paga R$ 700 mil em processo por manter empregada em trabalho análogo à escravidão
27/01/2026
(Foto: Reprodução) O influenciador de medicina chinesa, Peter Liu, foi condenado pela Justiça do Trabalho por manter uma emprega em trabalho análogo à escravidão por 30 anos em Campinas (SP)
Reprodução/redes sociais
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas (SP), homologou o acordo entre o influenciador Peter Liu e sua família com a mulher que o denunciou por de ser mantida em trabalho análogo à escravidão por 30 anos.
O g1 apurou que Peter Liu acertou o pagamento de R$ 700 mil e a anotação do vínculo empregatício com a ex-empregada. O especialista em medicina chinesa havia sido condenado em 1ª instância ao pagamento de R$ 1,2 milhão em obrigações trabalhistas.
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A relatora do Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) expediu, nesta terça-feira (27), intimação às partes envolvidas para a decisão de homologação do processo.
O representante da ex-empregada preferiu não se manifestar sobre o acordo judicial. Em nota, a defesa de Peter Liu afirmou que ficou afastada "qualquer acusação relacionada a trabalho análogo à escravidão" e que o ajuste limitou-se a um acordo trabalhista "de natureza comum" - leia mais abaixo.
Peter Liu é condenado por manter empregada em trabalho análogo à escravidão por 30 anos
Babá, doméstica e funcionária
Segundo detalhes do processo contra o influenciador, a vítima atuou como babá, empregada doméstica e funcionária da clínica de Peter Liu.
De acordo com a ação, a mulher foi induzida a sair de seu estado natal, Pernambuco, com a promessa de que tão logo o casal de origem chinesa se regularizasse no Brasil, ela passaria a receber salários, o que não aconteceu.
A vítima conta que desde 1992 chegou em Campinas, onde ficava à disposição de Peter Liu e a família por 24 horas, sem nunca ter recebido salário, férias ou descanso semanal, sendo mantida em ambiente impróprio.
A rotina exaustiva, segundo depoimentos, começava às 4h da madrugada, quando preparava o café da família Liu, e depois seguia para a clínica, onde permanecia, por vezes, até às 22h30.
Inicialmente, a mulher contou que dormia em um sofá, e depois em uma maca em condições degradantes dentro de uma clínica irregular que o influenciador mantinha. A alimentação, muitas vezes, era fruto de doação por algum paciente da clínica.
Ainda de acordo com a ação, a mulher rompeu o vínculo com a família em 2022, após receber ameaças da mulher de Liu, e buscou auxílio jurídico.
Atualmente, convive na casa da filha de Peter Liu, de quem cuidou desde a infância, e com quem criou laços - a filha, inclusive, disse em depoimento que assim que tomou ciência da situação, interrompeu qualquer forma de prestação de serviços e a incentivou que a mulher procurasse a Justiça.
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O que diz a defesa de Peter Liu?
"Na qualidade de advogado da família Liu, informo que o processo foi encerrado por meio de acordo devidamente homologado pelo juízo competente.
Com a homologação judicial, ficou definitivamente afastada qualquer acusação relacionada a trabalho análogo à escravidão, tendo o feito sido arquivado em caráter final nesse ponto.
O ajuste celebrado limitou-se exclusivamente a um acordo trabalhista de natureza comum, sem reconhecimento de irregularidades graves.
O próprio desfecho do processo evidencia que a imputação inicial de trabalho análogo à escravidão não se sustentou, prevalecendo o bom senso, o equilíbrio jurídico e a solução consensual entre as partes", diz a nota da defesa do influenciador.
Infográfico - Influenciador Peter Liu foi condenado por trabalho análogo à escravidão
Arte/g1
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