Justiça vê 'risco social' e nega liberdade a médica acusada de matar farmacêutica para ficar com a filha em Uberlândia

  • 02/03/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeo mostra criminoso abordando funcionária de farmácia antes de homicídio em Uberlândia A 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia negou o pedido de liberdade da médica Claudia Soares Alves, acusada de envolvimento na morte da farmacêutica Renata Bocatto Derani, em Uberlândia. Na decisão, a Justiça entendeu que a soltura representaria “risco social”, mantendo a prisão preventiva da investigada e do vizinho dela, que também é réu no processo, Paulo Roberto Gomes da Silva. A determinação foi publicada no domingo (1º). A defesa da médica, representada pelo advogado Vladimir Alves de Rezende, informou que aguarda o julgamento de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A advogada de Paulo Roberto, Consuelo Pupulin Rocha, também foi procurada pela reportagem, mas as ligações não foram atendidas. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp De acordo com as investigações, o crime teria sido motivado pelo desejo da médica de assumir a guarda da filha de Renata. Claudia era casada com o ex-marido da vítima, mas o homem rompeu o relacionamento ao perceber o comportamento obsessivo da investigada. Uma câmera de segurança flagrou o crime na época. Assista ao vídeo acima. Juiz também destacou alta periculosidade dos réus Entre os requisitos apontados pelo juiz Dimas Borges de Paula para justificar a decisão de manter a prisão estão ainda a gravidade do crime e a necessidade de garantir a ordem pública e o andamento do processo criminal. O magistrado destacou ainda a periculosidade atribuída aos acusados e o risco social decorrente de uma eventual soltura. A decisão também aponta que não há comprovação de residência fixa nem de ocupação lícita apresentada pelas defesas, circunstâncias que, segundo o juiz, reforçam o risco de fuga e a necessidade da prisão preventiva. Os acusados estão presos desde 5 de novembro de 2025, no sistema prisional de Uberlândia, quando a prisão temporária foi convertida em preventiva. Os réus respondem por homicídio qualificado, crime considerado hediondo pela legislação brasileira. Paulo Roberto também responde por adulteração de sinal identificador de veículo. O juiz também afastou alegação de excesso de prazo na prisão. De acordo com a decisão, o andamento do processo está dentro do limite de 178 dias estabelecido pelo plano de gestão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a conclusão da primeira fase de processos do Tribunal do Júri. Além disso, a primeira audiência de instrução foi marcada para 13 de março de 2026, às 15h, no Fórum de Uberlândia, quando deverão ser ouvidas testemunhas e os acusados. Claudia teve um pedido de habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em janeiro deste ano. A defesa recorreu e o recurso segue em tramitação no STJ. Réus estão presos em Uberlândia Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Claudia está presa na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia, desde 5 de novembro de 2025. Já Paulo Roberto está preso desde 1º de dezembro no Presídio Professor Jacy de Assis, também na cidade do Triângulo Mineiro. Na decisão, o magistrado reforçou que os acusados permanecem sem comprovação de residência fixa e ocupação lícita, o que aumenta o risco de fuga. Segundo ele, permanecem presentes os requisitos para manutenção da custódia, como a garantia da ordem pública e a necessidade de preservar a instrução criminal. Claudia Soares Alves responde por homicídio qualificado. Em outro processo, ela responde pelo sequestro de uma recém-nascida da maternidade do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU). Paulo Roberto Gomes é acusado de homicídio qualificado, além adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Como o crime foi planejado A Polícia Civil apurou que Claudia forneceu apoio logístico para o homicídio, destruiu provas durante a investigação e ainda adulterou documentos para tentar enganar a polícia. Laudos periciais confirmaram a falsificação do prontuário médica e a tentativa de criar um álibi, alegando que estava em Uberlândia na data e hora do crime apenas para se consultar. Motivação do assassinato Segundo as investigações, Claudia tinha um relacionamento com o ex-marido da vítima e desejava assumir a guarda da filha do casal. O delegado responsável pelo caso, Eduardo Leal, afirmou que a médica apresentava comportamento obsessivo em relação à maternidade, chegando a tentar adoções fraudulentas e até sequestrar uma recém-nascida em 2024 no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), episódio pelo qual também responde na Justiça. Entenda o caso Quem é a médica A prisão e as novas acusações O assassinato da farmacêutica A relação da médica com a vítima LEIA TAMBÉM: Mãe da vítima divulgou carta à imprensa após prisão da médica 'Enganou os guardas, todo mundo', diz pai da bebê recém levada por Cláudia Mulher sequestra bebê e criança é encontrada quase 850 km de onde nasceu Quem é a médica Cláudia Soares Alves, de 42 anos, é a médica suspeita de raptar um bebê em Uberlândia, Minas Gerais,foi presa em Goiás Reprodução/Redes Sociais Cláudia Soares Alves é neurologista e ex-professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Em 2024, ela foi presa após sequestrar um recém-nascido dentro de uma maternidade da cidade. Na época, a médica usou documentos falsos para tentar registrar a bebê como filha. Desde março de 2025, respondia aos processos em liberdade, além de ser demitida da UFU. Segundo a Polícia Civil, Cláudia sempre demonstrou comportamentos obsessivos e apresentava desejo compulsivo de ser mãe de uma menina, embora já tivesse um filho. Durante coletiva de imprensa em Uberlândia, o delegado Eduardo Leal informou que a médica realizou tratamentos para engravidar, mas não conseguiu. E, após as tentativas frustradas, teria recorrido a adoções irregulares com documentos falsos e até oferecido dinheiro para comprar uma recém-nascida na Bahia. A prisão e as novas acusações Médica Cláudia Soares Alves, presa por sequestrar bebê, foi presa novamente em Goiás Polícia Civil/Divulgação A médica foi presa em Itumbiara durante uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais, em parceria com a Polícia Civil de Goiás. De acordo com o delegado Eduardo Leal, Cláudia teria planejado o assassinato de Renata para ficar com a filha da vítima. Ainda conforme o delegado, na casa da investigada, a Polícia Civil encontrou um quarto pintado de rosa, com várias roupas de criança pequena, um berço e uma bebê reborn dentro. "Ela é capaz de tudo para conseguir o seu intento, que seria o de ser mãe de uma criança, de uma menina. Inclusive nessa data, no cumprimento da busca, nós verificamos que ela, na casa dela, possui um quarto todo pintado de rosa, com diversas coisas rosas de uma criança, com berço e como se estivesse dormindo nesse berço. Realmente você vê que é uma pessoa totalmente desequilibrada", disse Leal. Quarto rosa com bebê reborn na casa de médica presa em Itumbiara, suspeita de mandar matar farmacêutica de Uberlândia Polícia Civil/Divulgação O delegado regional da Polícia Civil, Gustavo Anai, destacou que a operação é resultado do trabalho iniciado ainda em 2020, quando surgiram denúncias ligando a médica a outros crimes após o sequestro na maternidade da cidade. O assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani, de 38 anos, foi morta a tiros na manhã de 7 de novembro de 2020, quando chegava para trabalhar em uma farmácia no Bairro Presidente Roosevelt, em Uberlândia. Câmeras de segurança registraram o momento em que o criminoso se aproximou e fez pelo menos cinco disparos no tórax, pescoço, ombros e nádegas. Uma testemunha contou que Renata tentou se defender e pediu para não ser morta, mas o homem continuou atirando. Uma câmera de segurança mostrou o assassino abordando Renata (veja abaixo). Antes de fugir, o autor deixou uma sacola com objetos e uma carta com ofensas à vítima. Na época, a Polícia Civil não descartou crime passional e ouviu pessoas próximas, incluindo o ex-marido. Renata deixou a filha de 9 anos. Além da médica, foram presos temporariamente outros dois suspeitos de participação no assassinato. Eles são pai e filho e seriam vizinhos de Cláudia. Os três foram transferidos para Uberlândia. As investigações seguem para apurar a participação dos dois suspeitos no crime. A Polícia Civil também vai avaliar a necessidade de prorrogar as prisões temporárias ou convertê-las diretamente em preventivas, com o devido indiciamento dos envolvidos. A relação da médica com a vítima As investigações apontam que Cláudia se casou com o ex-marido de Renata, mas o relacionamento durou apenas dois meses. O homem decidiu se separar ao perceber que a médica apresentava comportamentos obsessivos e demonstrava interesse em assumir a maternidade da filha dele com Renata. Renata, ao perceber que a médica parecia uma pessoa perigosa e emocionalmente instável, proibiu a filha de manter contato com o pai sempre que ele estivesse na companhia da esposa. Após a separação, Cláudia teria planejado o homicídio da farmacêutica para retomar o relacionamento e ficar com a menina. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/03/02/justica-ve-risco-social-e-nega-liberdade-a-medica-acusada-de-matar-farmaceutica-para-ficar-com-a-filha-em-uberlandia.ghtml


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