Legislativo da Venezuela aprova flexibilização do controle estatal sobre petróleo

  • 29/01/2026
(Foto: Reprodução)
Trabalhadores da estatal petrolífera venezuelana PDVSA fazem ato de apoio a um projeto de reforma do setor de petróleo em Caracas, Venezuela, em 29 de janeiro de 2026. AP O Legislativo da Venezuela aprovou nesta quinta-feira (29) a abertura do setor petrolífero à participação privada, revertendo um dos pilares do modelo estatal defendido pelo movimento autoproclamado socialista que governa o país há mais de duas décadas. A Assembleia Nacional aprovou a reformulação da lei do setor de energia menos de um mês após a prisão do então presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O projeto agora aguarda a assinatura da presidente interina Delcy Rodríguez, que propôs as mudanças poucos dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que seu governo assumiria o controle das exportações de petróleo da Venezuela e buscaria revitalizar a indústria em crise ao atrair investimentos estrangeiros. A legislação, cujo rascunho foi visto pela Associated Press, promete dar às empresas privadas controle sobre a produção e a venda de petróleo e permitir que disputas sejam resolvidas por tribunais internacionais ou instâncias fora da Justiça venezuelana. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 O governo de Rodríguez espera que as mudanças funcionem como garantia para investidores estrangeiros que, até agora, evitaram voltar ao país, considerado instável. Algumas dessas empresas perderam investimentos quando o partido governista aprovou a lei atual, há duas décadas, para favorecer a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA). A lei revisada mudaria os impostos sobre a extração, estabelecendo um teto de royalties de 30% e permitindo que o governo defina percentuais para cada projeto com base na necessidade de investimento, na competitividade e em outros fatores. A lei também elimina a exigência de que disputas sejam resolvidas apenas pela Justiça venezuelana, amplamente controlada pelo partido governista. Investidores estrangeiros há muito defendem a participação de instâncias independentes para se proteger contra possíveis expropriações no futuro. Debate político O deputado governista Orlando Camacho, chefe do comitê de petróleo da Assembleia, disse que a reforma “vai mudar a economia do país”. O deputado de oposição Antonio Ecarri pediu que a Assembleia inclua mecanismos de transparência e prestação de contas na lei, como a criação de um site para tornar públicos dados sobre financiamento e outras informações. Ele observou que a atual falta de supervisão levou à corrupção sistêmica e argumentou que essas medidas também podem ser consideradas garantias jurídicas. Essas garantias estão entre as principais mudanças que investidores estrangeiros buscam ao avaliar a entrada no mercado venezuelano. “Que a luz incida sobre a indústria do petróleo”, disse Ecarri. Histórico do setor A lei havia sido alterada pela última vez há duas décadas, quando o antecessor de Maduro, Hugo Chávez, transformou o forte controle do Estado sobre a indústria do petróleo em um pilar de seu projeto político. Nos primeiros anos de seu governo, a forte entrada de petrodólares, impulsionada por preços globais recordes do petróleo, transformou a PDVSA na principal fonte de receita do governo e na base da economia venezuelana. As mudanças promovidas por Chávez em 2006 na lei de hidrocarbonetos passaram a exigir que a PDVSA fosse a principal sócia em todos os grandes projetos de petróleo. Ao romper contratos assinados por empresas estrangeiras nos anos 1990, Chávez expropriou grandes ativos de companhias americanas e de outros países ocidentais que se recusaram a cumprir as novas regras, incluindo ExxonMobil e ConocoPhillips. Essas empresas ainda aguardam o recebimento de bilhões de dólares em indenizações definidas por decisões de tribunais internacionais. Desde aqueles anos de forte gasto estatal, a produção da PDVSA — e a do país — caiu à medida que os preços do petróleo recuaram e a má gestão do governo reduziu os lucros e prejudicou a atividade, primeiro sob Chávez e depois sob Maduro. O país, que abriga as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, enfrentou uma crise econômica profunda que levou milhões de pessoas a deixar o país desde 2014. Sanções impostas por sucessivos governos dos EUA também enfraqueceram ainda mais a indústria petrolífera.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/29/venezuela-flexibilizacao-controle-estatal-petroleo.ghtml


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