'Levei minha filha para a clínica e a tirei do hospital morta’, diz mãe de juíza que morreu após coleta de óvulos em clínica de SP
07/05/2026
(Foto: Reprodução) Juíza morre após coleta de óvulos em clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes
“Eu levei minha filha na clínica e a tirei do hospital morta.” O relato é de Marilza Francisco, mãe da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, que morreu nesta quarta-feira (6) após complicações durante um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
O caso foi registrado como morte suspeita e morte acidental e é investigado pela polícia. A apuração busca esclarecer se a morte foi causada por possíveis falhas no atendimento ou por complicações médicas comuns ao procedimento.
Procurada, a clínica lamentou a morte e informou que prestou "o atendimento emergencial necessário" e providenciou "o encaminhamento da paciente à unidade hospitalar adequada". A unidade também afirmou que todo procedimento cirúrgico e médico "possui riscos inerentes e intercorrências possíveis". (Leia a íntegra da nota ao final.)
Marilza contou detalhes do atendimento prestado à filha desde o procedimento realizado na Clínica Invitro Reprodução Assistida, na manhã de segunda-feira (4), até a internação da magistrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Maternidade Mogi Mater.
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Segundo a mãe, o velório de Mariana deve ser realizado na Primeira Igreja Batista de Mogi das Cruzes. Até a última atualização desta reportagem, porém, não havia informações sobre o horário da cerimônia e do enterro.
“Eu não tenho pressa de jogar na terra a minha filha. Eu queria minha filha viva”, disse.
Sequência dos fatos
Segundo Marilza, a filha decidiu congelar óvulos porque sonhava em ser mãe no futuro.
“Ela ficou com medo de envelhecer. Queria ter uma poupança. Na hora que tivesse a vida mais organizada, queria ter um filho”, afirmou.
Segundo Marilza, a filha realizou a coleta de óvulos na manhã de segunda-feira. Após receber alta, voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores cerca de uma hora depois.
“Ela começou a uivar de dor, muita dor. Ela gritava. Foi um desespero, eu vi minha filha gritar, minha filha sofreu. Minha filha sofreu muito”, lamentou.
A mãe contou que ligou para a clínica e recebeu orientação para voltar imediatamente com a filha. Ao chegar ao local, Mariana percebeu um sangramento.
“Ela falou: ‘Mãe, eu fiz xixi’. Quando ela colocou a mão, era sangue”, disse.
Marilza afirmou que o médico responsável tentou conter a hemorragia ainda na clínica. Segundo a mãe, os médicos informaram que uma artéria no colo do útero havia se rompido durante o procedimento.
A mãe também afirmou que a filha perdeu cerca de dois litros de sangue, informação que teria sido repassada pela equipe médica.
A juíza Mariana Francisco Ferreira morreu após passar por procedimento em clínica de Mogi das Cruzes
Reprodução/Redes sociais
Transferência para hospital
Segundo Marilza, Mariana foi levada para a Maternidade Mogi Mater no carro da mãe, acompanhada apenas por uma funcionária da clínica.
“Eles não ofereceram ambulância. Eu levei minha filha no meu carro”, afirmou.
A juíza deu entrada na unidade por volta das 17h de segunda-feira e foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo Marilza, Mariana permaneceu consciente durante a internação e chegou a conversar com ela no hospital.
“Ela falou para mim: ‘De tarde você vem me buscar para a gente ir embora’”, contou.
Segundo a mãe, os médicos identificaram anemia, necessidade de transfusão de sangue e uma lesão no rim da paciente.
Na terça-feira (5), Mariana passou por uma cirurgia. Horas antes do procedimento, Marilza afirmou ter pedido ao médico responsável que salvasse a filha.
Na madrugada de quarta-feira (6), Mariana sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e morreu às 6h03.
A mãe descreveu Mariana como uma filha “maravilhosa” e afirmou que ela sonhava em construir uma família.
“Ela sempre foi muito dedicada. A magistratura era o sonho dela. E ser mãe também”.
O que diz a clínica
Em nota, a Clínica Invitro Reprodução Assistida afirmou que a equipe médica adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência” e prestou atendimento emergencial à paciente.
Clínica afirma que adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência”
Alessandro Batata/TV Diário
A unidade informou ainda que Mariana foi encaminhada para um hospital com acompanhamento da equipe e do médico responsável pelo procedimento.
A clínica declarou também que “todo procedimento cirúrgico e médico possui riscos inerentes e intercorrências possíveis” e afirmou que atua dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis.
Segundo a nota, os profissionais estão colaborando com as autoridades para o esclarecimento do caso.
O que diz o Mogi Mater
O Hospital e Maternidade Mogi Mater informou em nota que Mariana deu entrada na unidade na tarde de segunda-feira (4), levada pela mãe “por meios próprios”, com quadro de hemorragia aguda.
Segundo o hospital, a paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A unidade afirmou ainda que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente, na tentativa de estabilizar o quadro clínico.
De acordo com a nota, como Mariana não havia realizado procedimentos anteriores no hospital, o médico responsável pela clínica de reprodução assistida foi acionado para acompanhar o caso, incluindo a cirurgia realizada na terça-feira (5).
“Apesar de todos os esforços empregados pela equipe hospitalar, infelizmente ela veio a óbito no dia seguinte”, informou o hospital.
O Mogi Mater também manifestou solidariedade aos familiares e amigos da juíza.
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