Líderes europeus reagem a possíveis retaliações de Trump a países que não apoiaram a guerra com o Irã
24/04/2026
(Foto: Reprodução) União Europeia pede reabertura do Estreito de Ormuz
A Europa tenta se defender com discursos e diplomacia. Nesta sexta-feira (24), líderes europeus reagiram a possíveis retaliações de Donald Trump e pediram a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.
Líderes europeus e árabes se reuniram nesta sexta-feira (24) para discutir a segurança do Estreito de Ormuz. A União Europeia escolheu o Chipre como sede do encontro. É o país do bloco mais próximo do Oriente Médio, o único diretamente atingido por ataques do Irã. Tem uma base aérea britânica, mas é um dos poucos que estão fora do guarda-chuva da Otan. A aliança militar - que une europeus e americanos sob um pacto de defesa mútua - vem sendo alvo constante das críticas do presidente americano, Donald Trump, que ameaça, inclusive, deixar o grupo.
Esse cenário incerto levou à decisão desta sexta-feira (24) da União Europeia. O presidente do Chipre contou que será criado um plano detalhado, com procedimentos militares, caso algum país precise acionar a cláusula de defesa coletiva do bloco, semelhante à da Otan. Algo que só foi feito uma única vez na história: em 2015, quando a França sofreu uma série de ataques terroristas. Mas essa cláusula até hoje não tem um modelo operacional. O presidente da França disse que a Europa nunca precisou tanto de união, independência e soberania.
Líderes europeus reagem a possíveis retaliações de Trump a países que não apoiaram a guerra com o Irã
Jornal Nacional/ Reprodução
A reunião começou horas depois que a agência de notícias Reuters publicou uma reportagem revelando um e-mail interno do Departamento de Defesa americano, que descreve possíveis ações para os Estados Unidos punirem aliados da Otan que não apoiaram suas ações na guerra contra o Irã. Uma delas seria a suspensão da Espanha da aliança militar. O primeiro-ministro espanhol respondeu que seu governo não trabalha com base em e-mails:
“Trabalhamos com documentos e posições oficiais. A posição do governo espanhol é clara: plena cooperação com seus aliados, mas dentro dos limites do direito internacional”, disse Pedro Sánchez.
O e-mail obtido pela Reuters também sugere que os Estados Unidos poderiam revisar sua posição de neutralidade sobre a soberania das Ilhas Malvinas - atualmente sob controle britânico. Esse arquipélago fica a cerca de 500 km da costa argentina e foi motivo de uma guerra em 1982. O governo britânico defendeu que a soberania desse território pertence ao Reino Unido, e que essa é também a posição dos moradores do arquipélago, que em 2013, com votação esmagadora, decidiram continuar como território ultramarino britânico.
O Reino Unido também declarou que está preparado para auxiliar nas operações de defesa do Estreito de Ormuz depois que a guerra acabar. O país prometeu enviar caças, drones e mergulhadores especialistas na remoção de minas navais.
O presidente do Conselho Europeu disse que o Estreito de Ormuz é vital para o mundo inteiro. António Costa exigiu a reabertura imediata da navegação, sem pedágios ou restrições, e disse que ainda é cedo para discutir o alívio das sanções econômicas ao Irã.
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