Mais de 140 filhos perderam as mães para o feminicídio nos últimos dois anos em MS

  • 17/03/2026
(Foto: Reprodução)
Violência contra a mulher em MS Mais de 140 crianças e adolescentes em Mato Grosso do Sul perderam suas mães para o feminicídio nos últimos dois anos, segundo dados do Ministério Público do Estado. A maioria precisa recomeçar a vida sem a principal referência dentro de casa. O Conselho Tutelar assume a busca por familiares que possam cuidar dessas crianças. Na maioria dos casos, avós ou tias ficam responsáveis pela guarda. Além disso, filhos de vítimas têm direito a benefícios garantidos por lei, como a pensão especial do Governo Federal, que paga um salário mínimo por mês até os 18 anos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A história de cinco irmãos Cinco irmãos, com idades entre 1 e 16 anos, ficaram órfãos após o feminicídio da mãe. A avó, que prefere não se identificar, assumiu a responsabilidade de cuidar de todos. "Foi muito difícil, tem sido muito difícil, mas a gente precisa seguir em frente, a vida continua, as crianças necessitam de acolhimento, de cuidado." Ela contou que o crime aconteceu porque o ex-marido da filha não aceitava o fim do relacionamento. "É um sentimento de revolta, com o que aconteceu, com a maldade da pessoa, a pessoa ser tão mal a ponto de tirar a vida de outra pessoa, é muita maldade no ser humano. Então, assim, isso gera na gente muita tristeza profunda." Reconstruindo a vida Para as famílias que ficam, o desafio é reconstruir a rotina e garantir proteção e cuidado às crianças. A avó dos cinco irmãos explica como lida com a dor e o papel de mãe que precisou assumir: "A vida continua, e a dor, infelizmente, ela não vai deixar de existir, mas é preciso pedir para Deus, muita fé, muita esperança de dias melhores e força para prosseguir. Eu falo para as crianças que eu não sou a mãezinha delas, que eu sou a avó, a titia, mas tem hora que elas me chamam de mãe, então eu atendo como mãe também." Apoio psicológico e social Além do suporte financeiro, as crianças precisam de acompanhamento psicológico. Especialistas alertam que muitas desenvolvem transtorno de estresse pós-traumático, depressão ou transtorno de ansiedade. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, por meio do Centro Especializado de Atenção às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CEAVE), oferece acolhimento, orientações e encaminhamentos. A juíza Gabriela, coordenadora do CEAVE, explica que o agressor muitas vezes é a figura paterna da criança, que pode estar presa ou foragido. "A criança perde toda aquela estrutura familiar que ela estava acostumada, e a gente tenta dar suporte rápido, encaminhar para psicólogo, escola e regularizar a guarda com a Defensoria Pública para garantir os direitos da criança", disse a juíza. Jéssica Echeverria Leite, profissional do centro, destaca a importância do atendimento cuidadoso para evitar a revitimização: "Realizamos primeiramente o acolhimento com uma escuta ativa, muito cuidadosa, de forma respeitosa com a criança e seu responsável. A revitimização seria essa vítima passar novamente por uma situação de violência, de violação de direitos. E isso é o que nós pretendemos que não aconteça." Violência contra a mulher em MS deixa mais de 140 crianças órfãs Helene Santos/Sistema Verdes Mares Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/03/17/mais-de-140-filhos-perderam-as-maes-para-o-feminicidio-nos-ultimos-dois-anos-em-ms.ghtml


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