Martins adoça músicas alheias, como se fosse (bom) cantor de barzinho, no primeiro álbum ao vivo como intérprete

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Capa do álbum 'Ao vivo na Casa Estação da Luz', de Martins Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Ao vivo na Casa Estação da Luz Artista: Martins Cotação: ★ ★ ★ ♬ Não fosse o mercado fonográfico dos anos 2020 tão voraz e volátil, Martins talvez não precisasse lançar um registro ao vivo de show em que se exercita como intérprete sem alçar um voo criativo. Mas esse disco existe e chega ao mundo na próxima sexta-feira, 27 de fevereiro, em edição da gravadora Deck, enquanto o cantor, compositor e violonista pernambucano prepara o terceiro álbum solo de estúdio. O álbum “Ao vivo na Casa Estação da Luz” perpetua 11 números do show apresentado por Martins em 21 de dezembro de 2024 no espaço intimista de Olinda (PE) nomeado no título do álbum. Escorado no toque do próprio violão e no aconchego do público, cujo coro espontâneo nas músicas encorpa e aquece a gravação ao vivo, o artista adoça canções alheias com a voz suave, talhada para melodiosas canções românticas como “Veja Margarida” (Vital Farias, 1975) e “A lua Q eu T dei” (Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle, 2000), faixa escolhida para anunciar o álbum em single lançado em setembro. Na sequência, já em janeiro deste ano de 2026, saiu o single “Fullgás”, menos envolvente, porque o cantor dilui a pulsão ‘música, letra e dança’ da composição de 1984, título mais conhecido da parceria de Marina Lima com o irmão poeta Antonio Cicero (1945 – 2024). Ainda que não imprima uma assinatura ao longo do álbum, Martins surpreende mais ao suavizar a aura de sensualidade do brega romântico “Ânsia” (Esdras Azevedo), música popularizada pela Companhia do Calypso em 2003, um ano após ter sido apresentada na voz de Eliza Mell em gravação lançada em 2002 pela banda pernambucana Brega.com, conterrânea de Martins. “Ânsia” chega ao disco na voz de Martins cinco anos após a música ter sido revitalizada por Pabllo Vittar no álbum “Batidão tropical” (2021). Com produção musical orquestrada por Rodrigo Samico (responsável pela calorosa captação do áudio) e André Brasileiro com o próprio Martins, o álbum “Ao vivo na Casa Estação da Luz” soa tão agradável quanto, a rigor, desnecessário. Até porque o repertório omite composições mais inusitadas presentes no roteiro do show intitulado “Versões”, caso de “Circuladô de fulô” (Caetano Veloso sobre texto de Haroldo de Campos, 1991), para priorizar canções mais populares como “Bandeira” (Zeca Baleiro, 1997), com o agravante de que já havia registros fonográficos anteriores de músicas como “Jardim da fantasia” (Paulinho Pedra Azul, 1982) e “Na paz” (Orlando Morais, 2001) na voz de Martins. Enfim, Martins tem obra autoral que tem se revelado interessante diante da vasta produção musical brasileira do século XXI, mas, no álbum “Ao vivo na Casa Estação da Luz”, o artista soa como (bom) cantor de barzinho quando puxa um pop popular romântico como “Frisson” (Tunai e Sérgio Natureza, 1984). Falta neste disco ao vivo a identidade já delineada pelo artista na discografia autoral. Martins na gravação ao vivo do show 'Versões' na Casa Estação da Luz, em Olinda (PE) Luciana Duarte / Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/02/20/martins-adoca-musicas-alheias-como-se-fosse-bom-cantor-de-barzinho-no-primeiro-album-ao-vivo-como-interprete.ghtml


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