Médica brasileira relata medo ao ouvir drones e mísseis em conflito no Oriente Médio: 'assustador'
04/03/2026
(Foto: Reprodução) Brasileiros registram fachos de luz e estrondos em Doha, no Catar
A médica brasileira Patrícia D'Antônio Figueiredo, de 56 anos, relatou as dificuldades enfrentadas no Catar, em meio ao conflito que escalou no Oriente Médio desde a última semana. Ela e o marido têm recebido alertas por SMS e estão ouvindo estrondos muito altos, em meio aos ataques sofridos pelo país, onde vivem há um ano e meio.
Patrícia trabalhou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade de Santos, migrando para o Catar por conta de uma oportunidade de emprego recebida pelo marido, que também é médico.
A mulher disse que os ataques em Doha, que se iniciaram no sábado (28), os surpreenderam completamente. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, a médica também contou que os estrondos foram altíssimos.
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"Foi um dia de muita tensão, muito medo. Porque é tudo muito novo para a gente, né? De repente, nós começamos a ouvir uns estrondos, a gente olhava para o céu e via fumaça, sem saber o que estava acontecendo, não fomos avisados anteriormente", conta ela.
Médica brasileira relata dificuldades vividas em meio a conflito no Catar
Patrícia D'Antônio Figueiredo
Após os primeiros estrondos ouvidos na sua residência, eles receberam alertas via SMS (veja acima), para permanecerem em casa e se manterem seguros. Quando drones e mísseis são interceptados, ela conta que as janela do apartamento chegam a tremer.
"Desde então, a gente vêm vivendo momentos de ansiedade, angústia, porque não sabemos o que está por vir. Na hora que os mísseis e drones são interceptados, a gente ouve um estrondo muito grande que treme a janela aqui do meu apartamento. É bem assustador".
Um colega de Patrícia, que faz parte de um grupo de amigos brasileiros do casal, registrou alguns momentos em que foram vistos projéteis e luzes no céu de Doha. No vídeo, é possível ouvir os altos estrondos relatados por Patrícia (veja acima).
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Não pretendem sair de Doha
A orientação no Catar é que os moradores se mantenham em casa e em segurança, se posicionando longe de janelas em meio aos alertas de interceptações de mísseis e drones. Patrícia diz que ela e o marido se sentem impotentes e com sentimento de incerteza sobre a situação.
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"Neste momento, a gente se sente impotente. Nós não fomos informados até o momento se existe bunker aqui. A gente não sabe se corre e vai para o subsolo do prédio, no subterrâneo, se vamos ao metrô. A gente fica incerto.", contou a médica, em entrevista à TV Tribuna.
Apesar do momento caótico vivido na região do Oriente Médio, Patrícia e o marido não possuem a intenção de retornar ao Brasil, afirmando se sentir seguros no Catar, mesmo com as tensões e acontecimentos recentes. Eles chegaram a preencher um formulário, pedido pela Embaixada Brasileira, mas não receberam notícias de uma possível repatriação.
"A embaixada brasileira pediu para nós preenchermos o formulário e fazer o cadastro. Nós fizemos, mas ainda não tem nenhuma notícia de repatriação. O Brasil ainda não nos deu nenhuma notícia de repatriação. Assim, no momento, nós não temos intenção de voltar ao Brasil. Mesmo diante de tudo isso, a gente ainda se sente seguro aqui.", explicou Patrícia à TV Tribuna.
O Catar sofreu ataques na última segunda-feira (2). Segundo os relatos, foram abatidos dois caças iranianos. Além disso, o país segue a interrupção à produção de gás natural, já que além dos bombardeios, o Estreito de Ormuz, principal rota de envio, segue fechado.
Conflito
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Editoria de Arte/g1
As forças armadas dos Estados Unidos e de Israel realizaram um ataque coordenado contra o Irã no sábado, após semanas de negociações tensas e pressão dos EUA para que Teerã encerrasse seu programa nuclear.
As explosões foram registradas na capital, Teerã, e em diversas outras cidades iranianas. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morreu em um dos bombardeios
Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.
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