Milhares de passageiros deixaram de usar ônibus em SP em 2025; especialistas explicam motivos

  • 03/02/2026
(Foto: Reprodução)
Milhares de passageiros deixaram de usar ônibus em SP em 2025; especialistas explicam motivos Milhares de passageiros deixaram de usar os ônibus na cidade de São Paulo em 2025, interrompendo uma recuperação gradual nos números do transporte público que vinha desde o fim da pandemia. Foram cerca de 7,05 milhões entre janeiro e novembro do ano passado. Em 2024, foram 7,13 milhões no mesmo período. Dados da SPTrans mostram que o número de usuários voltou a cair no ano passado, uma tendência associada, principalmente, ao avanço do transporte individual, com destaque para as motocicletas. A constatação faz parte de um levantamento do Instituto de Engenharia, entidade sem fins lucrativos que estuda, entre outros temas, a mobilidade urbana na capital paulista. Milhares de passageiros deixaram de usar ônibus em SP em 2025; especialistas explicam motivos Reprodução Queda no número de passageiros Antes da pandemia, o sistema de ônibus da capital transportava um volume próximo de 9 milhões de passageiros. Em 2020, esse número despencou e, apesar de uma recuperação gradual a partir de 2021, nunca retornou ao patamar anterior. Entre 2021 e 2024, houve crescimento ano a ano no uso dos ônibus. Mas, de 2024 para 2025, o movimento nas catracas voltou a cair, segundo os dados oficiais da SPTrans. Para quem depende do ônibus no dia a dia, a demora e os longos intervalos entre viagens ajudam a explicar a desistência do transporte coletivo. “Por causa da demora também, né. Demora muito. De manhã mesmo fica meia hora, 40 min no ponto de ônibus. Dependendo da linha, até mais. Aí muita gente, por causa disso, não tá pegando ônibus”, aponta o ajudante de cozinha Orlando Barros. Migração para o transporte individual Segundo especialistas, parte dos passageiros que deixou o ônibus migrou para o transporte individual, especialmente as motos. A mudança, no entanto, traz impactos diretos para a cidade, como aumento de acidentes e congestionamentos. O passageiro sempre faz conta. Quem precisa se deslocar faz conta. Faz conta de tempo, então ele quer eficiência, e do custo que ele tem. Hoje, a motocicleta representa uma equação melhor, mais favorável pra quem quer se deslocar do que o transporte coletivo. Incentivar a motocicleta é muito ruim. E completa: " Atualmente, de cada três veículos que são vendidos em SP, são duas motos e um automóvel. Em breve, a proporcionalidade de transporte individual por motocicleta vai cada vez aumentar mais. Vai gerar mais acidente e mais congestionamento, e isso é uma temeridade". Em 2025, o sistema de ônibus de São Paulo custou mais de R$ 12,3 bilhões. Parte desse valor é paga pelos passageiros, por meio da tarifa, e o restante é coberto pela prefeitura, por meio do subsídio. Com menos gente pagando passagem, a conta do sistema fica desequilibrada. O subsídio é o mecanismo usado para cobrir o custo operacional, incluindo as gratuidades, como as de estudantes e idosos. Até 2021, o subsídio bancava menos da metade do custo total do sistema, enquanto a maior parte do custeio vinha da arrecadação com tarifas. Em 2022, a divisão ficou mais equilibrada, e, nos anos seguintes, a prefeitura passou a arcar com uma fatia cada vez maior da conta. Essa proporção voltou a cair em 2025. Ou seja, proporcionalmente, a prefeitura pagou uma parcela menor do custo do sistema, mesmo com menos passageiros utilizando os ônibus. Com menos usuários pagando passagem e uma redução proporcional do subsídio, o equilíbrio financeiro do sistema só foi possível com o aumento da tarifa. Quem continuou usando o ônibus passou a pagar mais caro. A prefeitura justificou os reajustes como forma de compensar a inflação, mas o aumento também ajudou a cobrir a ausência dos milhares de passageiros que deixaram de usar o sistema. Para especialistas, a sustentabilidade do sistema passa por torná-lo mais atrativo para a população. “Ele tem que ter frequência, disponibilidade. O intervalo entre ônibus ser compatível com as necessidades das pessoas. A velocidade média precisa melhorar. E o preço. Fundamentalmente o preço, porque hoje os aplicativos estão fazendo papel de transporte público. E a tarifa pública no Brasil ainda é alta”, afirma Marcus Quintella, professor da FGV Transportes. Em janeiro do ano passado, uma série de reportagens do SP2 mostrou que quase metade das linhas de ônibus da cidade não cumpria todas as viagens programadas. O problema ajuda a explicar por que, mesmo com menos passageiros no sistema, usuários continuam reclamando de ônibus lotados. A combinação de menos viagens, intervalos longos e tarifa mais cara contribui para afastar ainda mais passageiros, alimentando um ciclo que desafia a sustentabilidade do transporte coletivo na capital paulista.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/03/milhares-de-passageiros-deixaram-de-usar-onibus-em-sp-em-2025-especialistas-explicam-motivos.ghtml


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