Moradores improvisam rotina em meio a reparos após explosão no Jaguaré: ‘Dentro de casa está um caos’

  • 17/05/2026
(Foto: Reprodução)
Reparos começam em casas atingidas no Jaguaré Os reparos nas casas atingidas pela explosão provocada por uma obra da Sabesp no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, começaram neste sábado (16), cinco dias após o acidente. Enquanto equipes trabalham na troca de telhados, janelas e portões, moradores e comerciantes da região ainda vivem uma rotina de improviso, prejuízos e incertezas. Na Rua José Benedito de Moraes Leme, vizinhas improvisaram um café no meio da rua enquanto aguardavam novas avaliações da Defesa Civil e informações sobre os imóveis interditados. “Dentro de casa está um caos, ficamos sem saber de nada, sem saber o que está acontecendo nem o que vai acontecer”, disse a doméstica Michele Carvalho da Silva. A atendente trainee Shirlei Cardoso da Silva contou que precisou permanecer perto do imóvel após assinar o laudo da Defesa Civil. Homens trabalham em reparo de casas atingidas por explosão no Jaguaré, em SP Reprodução/TV Globo “Hoje nós estamos aqui, né? A gente tem que ficar aguardando porque eles [funcionários da Defesa Civil] passam. Como está no meu nome e eu assinei o laudo, então fico por aqui. Um às vezes quer entrar, quer fazer uma pergunta, e a gente está 'preso', não tem como sair”, afirmou. Enquanto aguardava orientações, a autônoma Ketlyn Victória da Silva Vieira recebeu o laudo informando que a casa dela também havia sido interditada. “Eles informaram que o teto do meu quarto tem risco de ceder, e o meu telhado também foi estourado, trincado”, disse. Questionada sobre onde dormiria, respondeu: “Não sei ainda”. O caminhão com material para a troca dos telhados chegou à rua na hora do almoço. As telhas antigas ficaram chamuscadas após a explosão registrada na última segunda-feira (11). Segundo moradores, a Sabesp contratou uma empresa extra para acelerar os reparos. Além da troca de telhados, equipes trabalharam na substituição de janelas e portões na Rua Piraúba. A vigilante Marineide Maria de Almeida Vasconcelos contou que parte da obra começou nos últimos dias. “Anteontem trocaram o telhado, que foi o principal, que caiu todo. Hoje colocaram os parafusos e agora estão trocando as janelas. Ainda falta o portão”, afirmou. Além dos danos nas casas, comerciantes da região relatam prejuízos e dificuldade para retomar o funcionamento dos estabelecimentos. Uma pizzaria que teve o acesso liberado continua sem conseguir operar porque equipamentos foram danificados. O comerciante Tarciano Fernandes Lima disse que ainda não conseguiu calcular o prejuízo. “Freezer, geladeira, mercadoria, computador... Ainda não deu para calcular, devido à correria”, afirmou. Segundo ele, os dois motoboys que trabalham no local também estão sem serviço desde o acidente. Um deles é Lucas Lima de Freitas, que aparece em um vídeo gravado no momento da explosão usando um casaco amarelo. “Desde o dia da explosão a gente está sem trabalhar, sem retorno. Falaram que seríamos ressarcidos, mas até agora nada também”, disse. Enquanto aguardam a normalização, moradores tentam retomar parte da rotina. Em uma das ruas atingidas, a fita de isolamento da Defesa Civil virou rede improvisada para uma partida de vôlei. O operador de máquina Francisco da Silva, que perdeu um primo na explosão, participou da brincadeira. “Se distrair um pouco, né? Porque a situação não é legal”, afirmou. Moradores do Jaguaré improvisam quadra de vôlei com faixa da Defesa Civil Reprodução/TV Globo A Subprefeitura da Lapa informou que ainda não é possível estimar quantas edificações precisarão ser demolidas. A Sabesp afirmou que, até o momento, 662 pessoas receberam auxílio emergencial de R$ 5 mil, além de hospedagem provisória e apoio para reparar os danos causados. Já a Comgás informou que mantém 113 pessoas hospedadas em hotéis com suporte completo e que equipes trabalham na recuperação das casas liberadas, substituindo e indenizando itens danificados. Obras suspensas Sabesp suspende todas as obras por 15 dias, após nova perfuração em tubulação de gás, em Itaquera A Sabesp informou na sexta (15) que interrompeu, por 15 dias, todas as obras em logradouros públicos no estado de São Paulo que tenham interferência direta em redes do sistema público de gás. A decisão foi tomada após a explosão registrada na segunda, no Jaguaré, na Zona Oeste da capital, que matou dois homens. Segundo a companhia, a paralisação tem caráter preventivo e tem como objetivo revisar procedimentos operacionais, protocolos de segurança e fluxos de atuação adotados nas obras executadas pela empresa, além da elaboração de um plano adicional de melhorias e reforço da segurança operacional. Até esta sexta-feira (16), tanto a Sabesp quanto a Comgás ainda não haviam apresentado explicações sobre o acidente à Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). O prazo dado pelo órgão terminava nesta sexta. Na quarta-feira (14), o governador Tarcísio de Freitas anunciou, durante visita ao Jaguaré, que cerca de 30 obras realizadas entre a Sabesp e outras concessionárias seriam paralisadas e que o manual de boas práticas passaria por revisão. Apesar do anúncio, uma escavação da Sabesp na Rua Senador Amaral Furlan, em Itaquera, na Zona Leste, perfurou uma rede da Comgás e provocou um vazamento na quinta-feira (15). A obra não estava entre as 30 intervenções inicialmente suspensas. Jaguaré A chuva desta sexta mudou a rotina dos moradores impactados pela explosão. O mau tempo interrompeu as demolições realizadas pela Defesa Civil no Jaguaré nesta tarde. Segundo o órgão, caso as condições climáticas melhorem, a derrubada mecânica das casas será retomada neste sábado (17). A Defesa Civil e a CDHU trabalham com um mapa de edificações atingidas. De acordo com o último levantamento, 16 residências estão condenadas e marcadas em vermelho. Outras 22 têm interdição parcial e precisarão de reforma. Já 99 imóveis foram liberados. Uma das casas interditadas teve a estrutura comprometida, inclusive o telhado. Com a chuva, moradores precisaram levar objetos para a garagem, já que não conseguem transportar os pertences para o hotel onde estão hospedados. Os moradores também reclamam do valor das indenizações propostas. Segundo eles, a quantia não é suficiente para comprar imóveis semelhantes na região do Jaguaré. “A minha casa eles disseram que não tem como fazer reconstrução, vão ter que derrubar e começar do zero, não tem como fazer reforma. E aí eles disseram que reconstrução não tem prazo, porque vai ter que derrubar tudo e começar do zero. Então a gente não sabe o que faz. A gente tá tendo suporte, mas não sabe o que faz”, afirmou Sabrina Santana, inspetora de qualidade. Pela manhã, quatro famílias visitaram apartamentos da Companhia de Habitação do Estado e aceitaram se mudar para um empreendimento localizado a cerca de 10 quilômetros da Rua Piraúba. A Sabesp e a Comgás vão custear os novos imóveis. GIF equipe da Sabesp trabalhando momentos antes da explosão no Jaguaré Reprodução Imóveis destruídos após explosão na região do Jaguaré, na Zona Oeste de SP Reprodução/TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/17/moradores-improvisam-rotina-em-meio-a-reparos-apos-explosao-no-jaguare-dentro-de-casa-esta-um-caos.ghtml


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