Moradores protestam após morte de mulher que tentou separar briga de casal e pedem DDM

  • 02/02/2026
(Foto: Reprodução)
Moradores de Boa Esperança do Sul cobram instalação de DDM na cidade Moradores de Boa Esperança do Sul (SP) realizaram protesto no domingo (1º) pedindo justiça por Cida Siqueira, que morreu no último sábado (31) seis dias após levar um soco e bater a cabeça tentando separar uma briga de casal. Os protestantes pediam também pela criação de uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) na cidade, para que outras mulheres vítimas de violência possam ser amparadas da melhor forma. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram A manifestação teve início no enterro da vítima, no Cemitério Municipal, e seguiu pelas ruas da cidade até terminar em frente à casa de Cida. Os moradores usavam camisetas e cartazes brancos manchados com tinta vermelha, para representar o sangue. Uma das mulheres presente no movimento não quis se identificar, por medo do agressor que ainda não foi preso, mas lamentou a situação e falou com carinho sobre a vítima. "Mulher guerreira, lutadora, sonhadora, que sempre foi muito querida por todas as pessoas. Hoje a gente pede por justiça porque as mulheres não merecem passar por isso." Protesto por justiça e criação de uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em Boa Esperança do Sul (SP) Reprodução/EPTV Mais notícias da região: PERFIL: Quem era Cida Siqueira, dona de casa que morreu após levar soco tentando separar briga de casal TRABALHO: Adoção de escala 5x2: funcionários relatam mais tempo livre e qualidade de vida no interior de SP CRIME: Furto de carneiros termina com prisão e animais encontrados dentro de carro no interior de SP Pedidos por justiça e segurança As manifestantes seguravam cartazes com dizeres em vermelho: "não é um caso isolado, é um sistema" e "não era estatística, era uma mulher". A revolta pelo caso de Cida também motivou a população em cobrar a instalação de uma DDM no município. A trabalhadora rural Daniela Honorio fala sobre os sentimentos de desamparo e medo gerados pela violência, principalmente por não haver suporte necessário. "Esse já é o terceiro caso de feminicídio em Boa Esperança em um curto tempo. A gente está se sentindo desamparada, a cidade não tem uma delegacia de mulher e apenas uma sargenta na Polícia Militar, que nem sempre quando vamos fazer ocorrências de agressões somos atendidas por ela", queixa-se a moradora. A funcionária pública Sara Julia dos Santos fala sobre a insatisfação com a forma como denúncias e a segurança das mulheres na cidade são lidadas. "Estamos manifestando contra essa impunidade, mas principalmente contra a estrutura que temos aqui. Precisamos que a polícia crie um ambiente pra que a gente possa se sentir segura para denunciar e que após as denuncias essas pessoas realmente sejam levadas à justiça" Maria Aparecida Siqueira Ferraz, conhecida como Cida, morreu seis dias após agressão ao tentar separar briga de casal em Boa Esperança do Sul, SP Reprodução/Facebook Casa de acolhimento O trabalhador rural Aparecido Bispo, presente no protesto, explicou o porquê da cidade precisar oferecer acolhimento e suporte para mulheres vítimas de violência doméstica. Ele pede que o poder público municipal e estadual possam entender a situação e oferecer uma solução. "Muitas mulheres migrantes vem pra cá trabalhar, e não tem parentes. Então quando acontece um problema desses, elas não tem para onde ir e acabam se sujeitando a ficar em casa porque não tem suporte de ninguém", diz o trabalhador. Procurada pela EPTV, afiliada da TV Globo, a prefeitura de Boa Esperança do Sul disse estar em busca de parcerias com a prefeitura de Araraquara (SP) e com o consórcio da região central para a instalação de uma casa de acolhimento para mulheres vítimas de violência. A administração da cidade também informou que atualmente, as vítimas são encaminhadas para atendimento na Santa Casa e que recebem atendimento psiquiátrico e psicológico. A Polícia Militar também foi procurada para falar sobre o assunto mas, até a publicação desta matéria, não deu retorno. Mulheres protestas após feminicídio de Cida Siqueira em Boa Esperança do Sul, SP Camila Silva e Dani Priscila/Instagram Delegacia da mulher O município Boa Esperança do Sul faz parte da delegacia seccional de Araraquara, e por isso não possui DDM local. Em casos envolvendo violência doméstica e violência contra a mulher, quem investiga e acolhe as vítimas é a delegacia local. Em entrevista à EPTV o delegado responsável pela cidade, Edmar Piccolo Júnior, falou sobre como o processo é conduzido em situações envolvendo mulheres. "Aqui em Boa Esperança há uma parceria com a prefeitura, todos os casos nós comunicamos e ai tem acompanhamento com assistente social. Se a pessoa tem familiar na cidade ou cidade próxima, talvez para um deslocamento provisório até a justiça resolver, quando são casos de medida protetiva", explica o delegado. Procurada pela reportagem a respeito da criação de uma DDM em Boa Esperança do Sul, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que as mulheres vítimas de violência podem procurar atendimento em qualquer delegacia da cidade. A SSP também disse que na região de Araraquara as vítimas também contam com sala de defesa da mulher instalada na unidade do plantão policial, e que é possível registrar ocorrência no aplicativo "SP Mulher Segura" de forma online (Android e IOS) Investigação O delegado explicou que o trabalho investigativo foi iniciado assim que ocorreu o registro do caso. O agressor, identificado como Luiz Fernando Corrêa da Costa, de 30 anos, fugiu logo após o ocorrido. A esposa dele, de 30 anos, solicitou medida protetiva contra o marido e a justiça atendeu. Antes da morte de Cida o caso era investigado como tentativa de feminicídio, e após o óbito foi oficializado como feminicídio. Segundo o delegado, o agressor já era conhecido por diversas passagens na polícia, entre elas violência doméstica e tráfico de drogas. O mandado de prisão preventiva contra Luiz Fernando já foi expedido e ele é considerado como foragido. "Qual informação sobre o paradeiro dele pode ser denunciada tanto na delegacia de Boa Esperança, como pelos canais de denúncia 180, 181 e 190. É um crime de extrema violência, a gente espera que ele seja localizado e cumpra pena do que ele cometeu, esse ato bárbaro", pede o delegado. Maria Aparecida Siqueira Ferraz morreu após levar soco tentando separar briga de casal em Boa Esperança do Sul, SP Reprodução/Facebook Agressão ao tentar separar briga Segundo a Polícia Civil, a confusão começou em uma casa na Rua Victório Govoni. O agressor Luiz Fernando discutia com a companheira de 31 anos, que tentava impedir que ele saísse de casa embriagado. Durante o desentendimento, a mulher foi agredida com socos, ameaçada de morte e xingada enquanto segurava o filho no colo. A criança caiu, foi levada ao médico e, conforme registro policial, não apresentou lesões aparentes. Ao ouvir a confusão, a vizinha Maria Aparecida tentou intervir, mas foi atingida com um soco na cabeça, caiu e bateu a cabeça. Ela foi socorrida pelo Samu e levada inicialmente à Santa Casa de Boa Esperança do Sul, sendo transferida depois para Araraquara, onde não resistiu. Após o ataque, Luiz Fernando fugiu antes da chegada da Polícia Militar e segue foragido. Ele já tinha passagens policiais e era investigado por tráfico de drogas. A companheira solicitou medida protetiva de urgência. O caso, inicialmente registrado como violência doméstica, ameaça, injúria e lesão corporal, agora será tratado como feminicídio. A Polícia Civil pediu a prisão do suspeito. VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2026/02/02/moradores-protestam-apos-morte-de-mulher-que-tentou-separar-briga-de-casal-e-pedem-ddm.ghtml


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