Na Califórnia, idosos atuam como coaches para pessoas da sua faixa etária
04/01/2026
(Foto: Reprodução) Na coluna de quinta-feira, escrevi sobre o Plano Diretor para o Envelhecimento que está sendo posto em prática na Califórnia. Hoje, volto a tratar do estado norte-americano, que vem testando ações criativas e inspiradoras para o bem-estar dos idosos. Desta vez, destaco os programas de aconselhamento de pares (senior peer counseling), que contam com voluntários mais velhos para atuar como coaches de pessoas da sua própria faixa etária. A maioria dos condados da área da Baía de San Francisco dispõe de tais serviços.
Coaches voluntários: idosos auxiliam pessoas da sua própria faixa etária
Age without limits
Os voluntários passam por um breve treinamento e trabalham sob a orientação de assistentes sociais clínicos licenciados ou psicólogos. “É uma via de mão dupla. Os voluntários se beneficiam porque acham muito gratificante. Os participantes se sentem ouvidos e ficam menos isolados”, afirmou a psicóloga Anat Louis, em entrevista a um site da região.
Louis trabalha na organização Envelhecimento sábio e saudável (Wise and Healthy Aging), sediada em Santa Monica, onde o programa de aconselhamento de pares foi iniciado pela terapeuta Evelyn Freeman na década de 1970. Desde então, se espalhou pelos Estados Unidos e para países como Dinamarca e Canadá.
Voluntários como Rita Wengler, de 73 anos, ajudam pessoas que, com frequência, não sabem nem por onde começar para organizar suas vidas. Wengler auxiliou um idoso a se cadastrar para receber cestas básicas e, ocasionalmente, acompanha outros a um centro de convivência. Também presta suporte para quem tenta encontrar nova moradia e identifica riscos de segurança em suas residências. “E, às vezes, só escuto”, resume.
Uma das iniciativas mais interessantes é o PEARLS – acrônimo para “Program to encourage active, rewarding lives”, ou “Programa para encorajar vidas ativas e gratificantes” –, voltado para atender casos de depressão leve e distimia (depressão crônica de menor gravidade) em idosos e adultos com epilepsia.
Ele foi criado e é mantido pelo Centro de Pesquisa e Promoção de Saúde da Universidade de Washington, em parceria com agências de serviços sociais locais de Seattle. O foco do PEARLS é reduzir os sintomas de depressão e melhorar a qualidade de vida de idosos que não têm acesso ou não procuram tratamento psiquiátrico convencional.
O programa visa a empoderar o indivíduo, ensinando habilidades de autogestão para lidar com problemas cotidianos que contribuem para o sofrimento emocional. Não utiliza psicoterapia tradicional, mas sim uma abordagem prática baseada em três pilares:
Resolução de problemas: os participantes aprendem a identificar as causas de seu estresse ou depressão. O objetivo é transformar a sensação de “estar sobrecarregado” em um plano de ação que possa ser posto em prática.
Ativação social e física: incentiva o idoso a aumentar gradualmente sua participação em eventos e locais fora de casa, combatendo o isolamento e o sedentarismo típicos da depressão.
Atividades prazerosas: ajuda o indivíduo a planejar e participar de atividades das quais goste, reintroduzindo o prazer na rotina diária.
Geralmente se estende ao longo de quatro a cinco meses, compreendendo de seis a oito sessões de 50 minutos. Um diferencial é que as sessões ocorrem na casa do idoso ou em um local comunitário de sua preferência. Isso remove barreiras de transporte e o estigma associado a ir a uma clínica de saúde mental. Nesse modelo, os coaches são assistentes sociais ou profissionais de saúde comunitária, sob a supervisão de um psiquiatra e um especialista clínico.
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