Novo relator do Master, Mendonça é 'antítese' de Moraes e sofreu pressão por voto contra o ministro no processo do golpe
13/02/2026
(Foto: Reprodução) A reunião com os policiais federais que atuam no caso do Banco Master, marcada para esta sexta-feira (13), é o primeiro teste de como o ministro André Mendonça pretende conduzir uma das investigações mais sensíveis hoje em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A convocação foi o primeiro ato do novo relator, menos de 12 horas após o sorteio em que surgiu seu nome.
No Congresso, a expectativa é alta: o avanço das apurações pode atingir políticos e autoridades, e o rumo dado por Mendonça tende a influenciar o ambiente político no ano eleitoral.
O caso Master passa às mãos de um ministro que, desde que chegou à Corte, nunca se encaixou totalmente no núcleo mais influente do tribunal.
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Mendonça desembarcou no STF como uma espécie de "lobo solitário". Indicado por Jair Bolsonaro (PL) sob o rótulo de "terrivelmente evangélico", nunca foi próximo da ala hoje mais poderosa da Corte, encabeçada por Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Aproximou-se de Luiz Fux recentemente e mantém interlocução com Edson Fachin e Cármen Lúcia. Historicamente, deu votos contrários ao grupo que tem liderado as decisões mais duras em investigações envolvendo bolsonaristas.
No começo de 2025, Mendonça foi o único ministro a votar pelo impedimento de Moraes no julgamento que, meses depois, resultaria na condenação de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado. O placar final foi de 9 a 1.
O episódio é constantemente lembrado por interlocutores do ministro como um momento de forte pressão interna. A divergência com Moraes não foi pontual.
Em 2023, os dois bateram boca no julgamento do primeiro réu dos ataques golpistas de 8 de janeiro. O embate foi sobre a atuação do Ministério da Justiça, à época sob comando de Flávio Dino, então nos primeiros dias do governo Lula.
Ex-ministro da Justiça e da Advocacia-Geral da União (AGU) no governo Bolsonaro, Mendonça mantém proximidade com antigos colegas de governo, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Também tem aliados em partidos de direita e no centrão.
É esse histórico que agora serve de pano de fundo para sua atuação no caso Master.
Além do inquérito recém assumido, Mendonça já conduz investigações sobre fraudes bilionárias no INSS. Os dois casos se cruzam na suspeita de que o Master fraudou milhares de contratos de crédito consignado. Um dado curioso: ambos os processos foram herdados de Toffoli.
No Congresso, a CPI mista que investiga as fraudes no INSS pretende interrogar Daniel Vorcaro na próxima semana. Os parlamentares já aprovaram a quebra de sigilos do banqueiro, mas os dados estão sob responsabilidade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por decisão de Toffoli.
E a relação entre Mendonça e Alcolumbre também tem histórico. Quando foi indicado ao STF, Mendonça ficou cinco meses esperando Alcolumbre, então presidente da CCJ do Senado, marcar sua sabatina. Ele conseguiu ser aprovado na votação do plenário, mas o placar foi o mais apertado entre os ministros indicados recentemente.
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