O que diz a ordem do governo Trump para combater cartéis de drogas na América Latina

  • 12/03/2026
(Foto: Reprodução)
Quais os critérios dos EUA para classificar organizações terroristas estrangeiras? O governo Trump anunciou nos últimos dias o que chamou "Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis", que visa trabalhar com países latino-americanos para "destruir" cartéis de drogas no Hemisfério Ocidental. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo ordem executiva assinada no sábado (7) pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o país contará com uma parceria com 16 países da América Latina e "treinará e mobilizará" os Exércitos desses países para combater esses grupos. "Os cartéis e as organizações terroristas estrangeiras no Hemisfério Ocidental devem ser demolidos no maior grau possível (...) Os Estados Unidos treinarão e mobilizarão os militares de países parceiros para formar a força de combate mais eficaz possível para desmantelar os cartéis e sua capacidade de exportar violência e buscar influência por meio de intimidação organizada", afirmou a ordem executiva. O governo Trump não detalhou, no entanto, o que quis dizer por "treinar e mobilizar" militares dos países latino-americanos no combate aos cartéis. A ordem executiva diz ainda que os países parceiros dos EUA "devem manter ameaças externas afastadas, incluindo influências estrangeiras malignas vindas de fora do Hemisfério Ocidental", uma possível referência à China. O governo Trump já disse anteriormente que busca eliminar a presença chinesa no continente. Veja abaixo quais são os 17 países signatários da "Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis": Argentina; Bahamas; Belize; Bolívia; Costa Rica; El Salvador; Equador; Estados Unidos; Guatemala; Guiana; Honduras; Jamaica; Panamá; Paraguai; Peru; República Dominicana; Trinidad e Tobago. O Brasil não é signatário da coalizão, e o governo Lula teme que os EUA classifiquem o PCC e CV como organizações terroristas internacionais, o que aumentaria a possibilidade de uma ação militar unilateral de Washington em território brasileiro. (Leia mais abaixo) O presidente dos EUA, Donald Trump, responde a uma pergunta durante uma coletiva de imprensa no Trump National Doral Miami REUTERS/Kevin Lamarque No último sábado (7), o presidente Trump recebeu líderes latino-americanos alinhados ao seu governo na cidade de Doral, perto de Miami, na Flórida, para a primeira "reunião de cúpula" do grupo batizado de "Escudo das Américas". O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, não foi convidado. Dias antes, o governo Trump já havia recebido líderes militares da região em Washington D.C. Na reunião, o assessor de segurança interna da Casa Branca, Stephen Miller, afirmou que os cartéis de drogas só podem ser derrotados com o uso da força militar. Ações no México e no Equador O governo Trump tem intensificado sua investida contra cartéis. Nas últimas semanas, indícios de cooperação dos EUA com países latino-americanos já começaram a aparecer. No México, que não é signatário da nova coalizão, uma operação do Exército mexicano em fevereiro que resultou na morte de El Mencho, um dos narcotraficantes mais procurados do mundo, teve contribuição dos EUA com inteligência militar. O governo Sheinbaum assegurou, no entanto, que a investida foi realizada inteiramente pelas Forças Armadas do país. Na semana passada, o Exército equatoriano bombardeou acampamentos do grupo Comandos de la Frontera, ligado a dissidências das Farc, e os EUA tiveram participação. O Pentágono confirmou que apoiou "ações cinéticas letais" no país sul-americano por ordem do secretário de Guerra, Pete Hegseth. Brasil tenta evitar designação de PCC e CV como terroristas Por aqui, o governo Lula tenta evitar que os EUA classifiquem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Isso porque a classificação abriria caminho para eventuais ações militares contra os grupos dentro do território brasileiro, mesmo sem a aprovação de Brasília. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, lidera os esforços e pediu ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que barre a medida, segundo a GloboNews. Mesmo assim, depois da conversa, o Departamento de Estado dos EUA disse em comunicado que o governo Trump enxerga o PCC e o CV como ameaças de alcance regional. "Os Estados Unidos veem as organizações criminosas brasileiras, inclusive o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança regional em função do seu envolvimento com o tráfico de drogas, violência e crime transnacional", diz um trecho da nota. O presidente Lula planeja uma viagem a Washington D.C. para se encontrar com Trump, e o tema deve estar na pauta da reunião. A data do encontro ainda está em negociação.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/12/o-que-diz-a-ordem-do-governo-trump-para-combater-carteis-de-drogas-na-america-latina.ghtml


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