O que se sabe e o que falta saber sobre a operação contra 'núcleo político' do Comando Vermelho no Amazonas

  • 21/02/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia mira 'núcleo político' do Comando Vermelho no Amazonas A Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Erga Omnes para desarticular um suposto "núcleo político" ligado à facção Comando Vermelho (CV), na última sexta-feira (20). A ação surgiu após a apreensão de cerca de 500 tabletes de maconha skunk e outros itens usados no tráfico, o que levou os investigadores a ampliar a apuração para uma rede com atuação dentro de órgãos públicos e movimentação financeira suspeita. A operação cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no Amazonas e em outras seis unidades da federação. Até a publicação desta reportagem, 14 pessoas foram presas, sendo oito no Amazonas, e nove investigados seguem foragidos, inclusive o líder apontado pela polícia. Ação também resultou na apreensão de carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos. O g1 reuniu os principais pontos para detalhar o que já se sabe e o que ainda precisa ser esclarecido sobre o caso, com base nas informações divulgadas pelas autoridades. Como a investigação começou? O que é o "núcleo político"? Como funcionava a estrutura? Quem são os presos e investigados? Quem é apontado como líder? Houve acesso a informações sigilosas? Haverá novas fases da operação? Como será a responsabilização dos envolvidos? O que dizem as autoridades? Como a investigação começou? Mais de meia tonelada de drogas e sete fuzis são apreendidos pela polícia com criminosos em Manaus. Divulgação/Polícia Militar A investigação que resultou na operação da Polícia Civil do Amazonas começou após a apreensão de cerca de 500 tabletes de maconha do tipo skunk e outros materiais, entre eles armas, embarcações e um veículo utilizados no transporte da droga. A partir desse flagrante, a corporação abriu inquérito e passou a rastrear ramificações do tráfico de drogas, que indicaram a existência de um grupo estruturado. O que é o "núcleo político"? De acordo com a investigação, o chamado "núcleo político" é um grupo ligado ao Comando Vermelho que envolvia pessoas com influência ou cargos em órgãos públicos, utilizadas como facilitadores para a atuação da facção. Entre os alvos estavam servidores públicos, ex-assessores e agentes de diferentes setores, como Legislativo, Executivo e Judiciário. Segundo a polícia, esse núcleo não só ajudava na contratação de empresas de fachada, mas também tinha acesso a órgãos públicos para favorecer interesses da organização criminosa. Como funcionava a estrutura? A investigação identificou que o grupo usava empresas de fachada nos setores de transporte e logística para ocultar recursos e facilitar a compra e o envio de entorpecentes, incluindo drogas adquiridas no exterior e trazidas para Manaus. Essas empresas teriam movimentado cerca de R$ 1,5 milhão diretamente para a organização criminosa, com estimativa de movimentação total na casa de R$ 70 milhões desde 2018. Quem são os presos? Anabela Cardoso Freitas, policial e ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, é presa Na operação, 14 pessoas foram presas, sendo oito delas no Amazonas. Entre os detidos no estado estão: Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), suspeito de fornecer informações sigilosas de processos; Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete da Assembleia Legislativa do Amazonas; Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da comissão de licitação da Prefeitura de Manaus; Alcir Queiroga Teixeira Júnior – envolvido em movimentações financeiras suspeitas; Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar; Osimar Vieira Nascimento – policial militar; Bruno Renato Gatinho Araújo – suspeito de participação no esquema; Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara por suposta participação. Em outros estados, ao menos uma mulher identificada como Lucila Meireles Costa foi presa em Teresina, no Piauí, sob suspeita de atuar como falsa advogada para corromper servidores do Judiciário. Durante a operação, também foram apreendidos carros de luxo, dinheiro e documentos que, segundo a polícia, serão analisados para aprofundar as investigações. Quem é apontado como líder? Líder de 'núcleo político' do Comando Vermelho no AM está foragido, diz polícia Divulgação/PC-AM Allan Kleber Bezerra Lima é apontado pela polícia como líder do "núcleo político" do Comando Vermelho no Amazonas. Segundo a investigação, ele usava igrejas evangélicas para tentar despistar as autoridades. O suspeito frequentava cultos, vestia roupas associadas à comunidade religiosa e, em um dos casos, escondeu drogas dentro de um templo na Zona Leste de Manaus. Ele está foragido. Houve acesso a informações sigilosas? Prints de conversas obtidos durante a investigação mostram diálogos entre suspeitos e um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. De acordo com a polícia, as mensagens estavam no celular de Lucila Meireles Costa e incluem referências a transferências via Pix e consultas sobre a expedição de mandados de prisão. Haverá novas fases da operação? A Polícia Civil não informou se haverá novas etapas da operação. Como será a responsabilização dos envolvidos? Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e, no caso de servidores, também por eventuais delitos ligados ao exercício do cargo. A investigação segue em andamento. INFOGRÁFICO - Operação contra 'núcleo político' do CV no Amazonas [VALE ESTE] g1 O que dizem as autoridades? Procurado, o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado na operação. A Corte afirmou que preza pela legalidade, pela transparência e pela integridade e que não compactua com condutas incompatíveis com os deveres funcionais. Já a Universidade do Estado do Amazonas declarou que não se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional. Sobre Adriana Almeida Lima, a instituição esclareceu que eventuais ações realizadas fora das dependências da universidade e do exercício das atividades acadêmicas são de responsabilidade exclusiva da professora. A UEA reafirmou compromisso com a ética, a legalidade e as normas que regem o serviço público. Em nota, a Polícia Militar do Amazonas informou que o cabo preso na operação da Polícia Civil do Amazonas vai responder pelos procedimentos na Justiça e também aos trâmites administrativos na corporação. Segundo a PM, foi instaurado procedimento na Diretoria de Justiça e Disciplina. A instituição afirmou ainda que colabora com as investigações e não compactua com desvios de conduta. LEIA TAMBÉM: Mulher é presa no PA em operação para desarticular 'núcleo político' do Comando Vermelho no AM Já a Prefeitura de Manaus informou que não é alvo da operação realizada na sexta-feira (20). De acordo com a nota, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município fazem parte da investigação. A prefeitura declarou que mantém compromisso com a legalidade e a transparência e que eventuais servidores investigados responderão individualmente por seus atos, conforme a lei. A Câmara Municipal de Manaus orientou que os questionamentos sejam direcionados aos gabinetes dos vereadores onde os investigados trabalharam. A reportagem aguarda o retorno da Assembleia Legislativa do Amazonas. Veículos sâo apreendidos em operação da polícia no AM

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/02/21/o-que-se-sabe-e-o-que-falta-saber-sobre-a-operacao-contra-nucleo-politico-do-comando-vermelho-no-amazonas.ghtml


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