Observação de aves, primatas, trilhas e passeios noturnos: Parque Carlos Botelho é referência em ecoturismo no interior de SP

  • 08/05/2026
(Foto: Reprodução)
Parque Carlos Botelho é referência em ecoturismo no interior de SP A busca por contato com a natureza e pela desconexão das telas tem levado cada vez mais pessoas às áreas de conservação ambiental. Nesse cenário, os parques florestais se destacam entre os destinos mais procurados. No Dia Nacional do Turismo, celebrado nesta sexta-feira (8), o g1 mostra as principais atividades do Parque Estadual Carlos Botelho, localizado entre os municípios de São Miguel Arcanjo (SP), Sete Barras (SP) e Capão Bonito (SP). O parque integra um dos maiores contínuos de Mata Atlântica preservada do Brasil. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Com 38 hectares de extensão, dois núcleos, São Miguel Arcanjo e Sete Barras, 14 trilhas, sendo sete autoguiadas, e opções como observação de aves e visitas a cachoeiras e cursos d'água, a unidade recebe cerca de 600 visitantes por mês. O número não inclui os turistas que passam pela Estrada-Parque, que registra aproximadamente 45 mil veículos mensalmente. Estrada Parque Serra da Macaca passa por dentro do Parque Estadual Carlos Botelho Divulgação/Secretaria de Meio Ambiente Desde o fim do ano passado, o parque também passou a oferecer visitas noturnas em carrinhos elétricos, proporcionando aos visitantes uma experiência diferente de contato com a fauna e a flora da região, como explica Nathalia Zandomenegui, gestora da Fundação Florestal, responsável pela administração da unidade. "A Estrada-Parque corta no sentido norte-sul e fecha das 20h às 6h, que é o horário em que a fauna fica mais exposta. O monitor ambiental leva os visitantes para fazer um passeio noturno na Estrada-Parque depois do fechamento. Aí, o visitante tem contato com floresta na forma noturna, que é diferente do que quando a gente faz a trilha durante o dia, e contato com o céu." Durante passeios noturnos, os visitantes podem observar espécies de fauna e flora que se tornam mais ativas após o anoitecer Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação A atividade foi planejada para causar o menor impacto possível à fauna e à flora da unidade. Para isso, os veículos utilizados são adaptados e circulam em um trecho de até 10 dos 33 quilômetros da rodovia que corta o parque. "Não tem a questão da queima de combustível, não tem ruído sonoro, a iluminação é baixa. A capacidade é para seis pessoas, sendo que a cada cinco visitantes precisa ter um monitor." Passeio noturno pelo parque é feito com carrinhos elétricos abertos, que permitem melhor visualização do ambiente Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação Atualmente, a unidade conta com 40 monitores cadastrados, responsáveis por acompanhar os visitantes durante as atividades. Além da observação da fauna e da floresta, os profissionais também compartilham informações sobre a Estrada-Parque, o bioma da Mata Atlântica e a importância da preservação ambiental da região. Para a gestora, o ecoturismo exerce um papel fundamental na conservação ambiental ao aproximar a população da natureza e conscientizar sobre a importância da preservação. "O nosso maior ganho é ter aliados, ter pessoas que pensem na preservação e que contribuam com ela. Nesse sentido, estar dentro de parques florestais, áreas de preservação, e conhecer esses espaços costuma despertar nos visitantes essa consciência de preservação", avalia. Nas atividades noturnas, visitantes podem encontrar animais que costumam aparecer somente após o anoitecer Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação Desafios do turismo em áreas preservadas Apesar do crescimento do ecoturismo, a atividade também impõe desafios e exige o cumprimento de regras para garantir que as áreas naturais permaneçam preservadas para as próximas gerações. No caso do Parque Estadual Carlos Botelho, Nathalia explica que a unidade segue um plano de manejo, publicado em 2008, que estabelece diretrizes para o uso do espaço. "Dentro do parque tem um zoneamento que define quais áreas suportam a atividade turística. Há núcleos autorizados, destinados ao ecoturismo e à educação ambiental, e também áreas de preservação total, inacessíveis ao público. Todo o trabalho é alinhado às portarias da Fundação Florestal e às normas do ICMBio", afirma. Trilha em meio a vegetação leva até o rio Taquaral, onde há espaço para piquenique e banho de rio Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação Nesse processo, o papel dos monitores ambientais é considerado essencial. Entre os profissionais cadastrados para atuar no parque está o biólogo Daniel do Vale Bechara, guia de turismo especializado em atrativos naturais há 19 anos. Há cinco anos trabalhando no Carlos Botelho, ele afirma ter identificado um grande potencial para o ecoturismo na região de Itapetininga (SP). "E a região promete muito para o ecoturismo. Esse modelo de turismo vem crescendo exponencialmente. A nossa região, essa floresta que a gente tem aqui, percorre três estados: São Paulo, Santa Catarina e Paraná. E o trecho mais biodiverso dessa floresta inteira é justamente aqui o nosso corredor ecológico que passa pela Serra de Paranapiacaba, que divide o Vale do Paranapanema do Vale do Ribeira", explica o monitor. LEIA TAMBÉM: Da curiosidade ao ofício: luthier autodidata produz violas e instrumentos em Alambari: 'É uma arte' Imagem de São Miguel Arcanjo com quase o dobro do tamanho do Cristo deve ficar pronta em 2026 Quatro cidades da região de Itapetininga recebem estruturas para impulsionar turismo náutico; entenda o projeto Segundo Daniel, uma das principais funções do monitor ambiental é contextualizar o visitante sobre o ambiente que está conhecendo, além de orientar sobre os riscos envolvidos nas atividades. "São critérios de segurança na trilha, porque, como é muito biodiverso, a gente tem serpente, a gente tem aranha, taturanas, que são os animais que apresentam risco para o ser humano. Mas essa consciência normalmente o ecoturista já tem também." O Parque Carlos Botelho preserva remanescentes da Mata Atlântica no interior de São Paulo Divulgação O guia ressalta ainda que o ecoturismo é uma atividade acessível para diferentes públicos, desde que as experiências sejam adaptadas às necessidades dos visitantes. "A gente dimensiona a atividade conforme o perfil do turista. Aqui no núcleo Sete Barras, por exemplo, existe a trilha do Pocinho Azul, com apenas 15 minutos de caminhada. É uma atividade adequada para crianças, idosos e até pessoas com deficiência. O monitor ambiental é treinado justamente para compreender as limitações de cada visitante", afirma. Entre as principais recomendações para quem pretende realizar atividades em áreas naturais estão o uso de calça comprida, calçados fechados, chapéu, repelente, protetor solar e garrafa de água. Para Daniel, o crescimento do setor deve continuar nos próximos anos: "O ecoturismo não é uma tendência passageira. Veio para ficar e tende a crescer cada vez mais". 🥾🐒 Trilhas, aves e muriqui-do-sul Assim como destacou o monitor, o Parque Estadual Carlos Botelho oferece atividades para diferentes perfis de visitantes. Dependendo do núcleo escolhido, é possível praticar boia cross, realizar observação de aves, primatas e fungos bioluminescentes, percorrer trilhas e conhecer nascentes de água. Atividade permite observação de fungos bioluminescentes, espécies conhecidas como 'cogumelos fantasmas', que brilham com luz verde no escuro Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação A unidade de conservação abriga uma rica biodiversidade e já registrou a presença de espécies ameaçadas de extinção. Logo nos primeiros quilômetros da Estrada-Parque, os visitantes são "recebidos" por borboletas de diversas cores e tamanhos. Segundo Nathalia, a presença desses insetos é um importante indicador da qualidade ambiental da região. "As borboletas de áreas conservadas só vão existir em áreas conservadas e as borboletas de áreas mais urbanizadas vão existir só lá. As espécies que se encontram aqui, que costumam chamar bastante a atenção, só existem no parque. A gente tem um turismo muito de observação de aves também, tem monitores formados para isso." Quem visita o parque em busca de observação de aves pode encontrar espécies como a jacutinga, o sabiá-cica, o tucano-de-bico-verde e a maria-leca-do-sudeste, entre outras. As serpentes também têm presença marcante nos núcleos da unidade, especialmente no de Sete Barras. Tucano-de-bico-verde é uma das aves que podem ser vistas no Parque Carlos Botelho, que oferece atividade de observação de animais Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação Mas o grande símbolo do parque é o muriqui-do-sul, considerado o maior primata das Américas. Um grupo da espécie é monitorado pela unidade de conservação há mais de 30 anos. "Temos também o turismo de observação de primatas, exatamente com essa espécie. É um grupo que a gente consegue trabalhar a visitação, porque, quando a gente acompanha muito os primatas, a gente habitua eles à nossa presença. Então, são primatas habituados com a presença humana. Isso possibilita que a gente leve visitantes até eles e acompanhe por um certo período", detalha a gestora. A atividade, que normalmente começa às 5h, exige planejamento prévio, iniciado no dia anterior ao passeio. "Os monitores autorizados acompanham o grupo de muriquis um dia antes do passeio. Ele acompanha o animal até a área de dormida do grupo, e, aí, no dia seguinte, ele leva os visitantes para ver o muriqui acordar nessa área. É um passeio, é uma 'observação garantida' que a gente chama. O visitante é autorizado a ficar com o grupo de muriquis por três horas naquele dia." A observação do Muriqui do Sul, considerado o maior primata das Américas, é uma das atividades feitas com monitores do parque Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação Quem percorre as trilhas autoguiadas, que dispensam o acompanhamento de monitores, também pode ter a sorte de encontrar muriquis e outras espécies de primatas, como bugios e macacos-prego. "Principalmente na Trilha da Canela, que é autoguiada e costuma ter a presença desses animais. O visitante pode fazer o passeio e, com sorte, encontrá-los durante o percurso. As trilhas autoguiadas são classificadas como nível 1, então o nível de dificuldade dessa trilha é baixo", afirma. Nathalia reforça que as atividades oferecidas pelo parque são seguras e acessíveis para diferentes públicos, inclusive para quem prefere passeios mais leves. "O parque tem duas trilhas acessíveis, são trilhas suspensas. Tem a Trilha da Canela, que tem dois quilômetros, e a a Trilha da Bromélias, que tem 500 metros. São duas trilhas que dão segurança e possibilitam diversos públicos virem, são trilhas de dificuldade baixa. Temos monitores capacitados e certificados em questão de primeiros socorros. É tudo muito seguro", conclui. Trilha das Bromélias é uma das mais acessíveis para crianças, idosos e pessoas com deficiência. O trecho, de 500 metros, fica no Núcleo São Miguel Arcanjo (SP) Parque Estadual Carlos Botelho/Divulgação A unidade funciona de terça-feira a domingo, das 8h às 17h. Interessados em conhecer o Núcleo São Miguel Arcanjo do Parque Carlos Botelho podem acessar o site. Já para as atividades realizadas no Núcleo Sete Barras, acesse o link. Recorde de visitantes De acordo com o Ministério do Turismo (MTur), a relação entre o turismo e as Unidades de Conservação (UCs) é estratégica e tem ganhado cada vez mais relevância pelo potencial de impulsionar o turismo sustentável, aliado à educação ambiental, à geração de renda e à valorização das comunidades locais. Em 2024, o Brasil bateu recorde de visitação em áreas protegidas, com 25,5 milhões de visitantes. Os parques nacionais lideraram o ranking, segundo dados do monitoramento da visitação em UCs. Juntas, as 61 unidades monitoradas receberam 12,5 milhões de turistas ao longo do ano. Na sequência aparecem as Áreas de Proteção Ambiental (APAs), com 11,2 milhões de visitantes em 11 unidades monitoradas, seguidas pelas reservas extrativistas, que registraram 1,3 milhão de turistas. As florestas nacionais ocupam a quarta posição, com 362,9 mil visitantes distribuídos em 34 unidades. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/05/08/observacao-de-aves-primatas-trilhas-e-passeios-noturnos-parque-carlos-botelho-e-referencia-em-ecoturismo-no-interior-de-sp.ghtml


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