'Oi, pexual!': criança indígena do AM viraliza ao comer tanajura e mostrar a rotina das culturas Sateré-Mawé e Ticuna nas redes sociais

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Menina indígena Sateré-Mawé ganha projeção ao mostrar rotina na comunidade A rotina de uma família indígena às margens do rio Ariaú, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, tem chamado atenção nas redes sociais e despertado interesse sobre o modo de vida dos povos originários no Amazonas. Os vídeos mostram o cotidiano de Yandra Mawé, de 6 anos, que cresce entre as culturas Sateré-Mawé e Ticuna, aprendendo tradições, grafismos e costumes da comunidade instalada no local há quase 30 anos. (Assista acima). Nos últimos dias, os vídeos publicados no perfil de Yandra ultrapassaram as fronteiras do Amazonas e chegaram a autoridades nacionais. Além de mostrar tradições indígenas, a menina também se destacou por mobilizar apoio para a reforma da escola da comunidade, que estava sem estrutura adequada para atender as crianças. "Quando eu gravo vídeos, eu fico muito alegre, porque eles chegam em muitas pessoas. Quando eu mosto minha vivência para as pessoas, eu fico muito feliz, porque elas aprendem a minha cultura também", afirmou a pequena Yandra ao g1. Menina indígena do povo Sateré-Mawé ganha projeção nas redes ao mostrar rotina na comunidade em Iranduba. Reprodução/Redes Sociais 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O perfil de Yandra já reúne mais de 600 mil seguidores e milhares de curtidas. Nos comentários, moradores da região agradecem pela valorização da cultura local, enquanto pessoas de outras partes do país se encantam com o carisma da menina. Nas publicações, a pequena chama carinhosamente os seus seguidores de 'oncinhas'. A mãe de Yandra, Kian Sateré-Mawé, conta que a família vive na região desde 1995, quando migrou do rio Andirá e se fixou às margens do Ariaú. O espaço se tornou referência de convivência comunitária e transmissão de saberes tradicionais. Em entrevista ao g1, a mãe de Yandra explicou que a identidade da filha é construída a partir da convivência com duas culturas indígenas distintas, mas complementares, que fazem parte da história familiar. “Sou Sateré-Mawé e o pai da Yandra é Ticuna. Ela cresce entre essas duas culturas indígenas, aprendendo os ensinamentos, as línguas e os costumes de cada uma”, disse. Das memórias pessoais à repercussão nacional O perfil nas redes sociais foi criado em 10 de outubro de 2019, dia do nascimento de Yandra. Segundo Kian, a ideia inicial não era alcançar o público, mas registrar de forma pessoal e familiar o crescimento da filha. “Criei o Instagram no dia 10 de outubro de 2019, quando a Yandra nasceu. O objetivo inicial era guardar memórias. Eu não tinha um celular com memória suficiente para armazenar fotos e vídeos, então a rede social se tornou um espaço para registrar o crescimento dela”, contou a mãe de Yandra. Kian e sua filha, Yandra Mawé, no Amazonas. Reprodução/Redes Sociais Kian contou que sempre sonhou em ser mãe e que documentar cada etapa do desenvolvimento da filha foi uma forma de viver intensamente essa experiência e guardar lembranças. “Sempre foi um sonho meu ser mãe, e registrar cada fase era uma forma de viver esse momento com intensidade. O que aparece nos vídeos é a forma natural como ela se expressa no dia a dia”, disse. Os registros começaram ainda em 2019, mas o perfil ganhou visibilidade a partir de 2024. Um dos vídeos que chamou atenção do público mostra Yandra falando sobre a tanajura, formiga comum na região que serve de alimento, e despertou a curiosidade do público. Yandra fala sobre a tanajura, uma formiga comum na região que serve de alimento Convites, representatividade e impacto na comunidade Com o aumento da audiência, os vídeos passaram a alcançar pessoas em várias regiões do país. Para a mãe, a repercussão mostrou que o interesse ia além da curiosidade e revelava uma busca por compreender o modo de vida indígena. “O crescimento foi gradual, mas ganhou maior proporção nos últimos dois anos. Percebi que o interesse das pessoas ia além da curiosidade. Havia uma vontade sincera de compreender nossa forma de viver”, afirmou. A visibilidade trouxe convites para eventos e espaços institucionais. Yandra particiou da Marcha das Mulheres Indígenas e esteve em agendas no plenário da Câmara dos Deputados, acompanhada de lideranças indígenas e representantes do governo federal. “A Yandra esteve presente na Marcha das Mulheres Indígenas e participou de agendas no plenário da Câmara dos Deputados, acompanhada de lideranças indígenas e representantes do governo federal”, relatou. Yandra Mawé em agenda no plenário da Câmara dos Deputados. Reprodução/Redes Sociais Ela destacou que a presença em eventos institucionais não está associada a partidos políticos, mas com representatividade e fortalecimento da presença indígena em espaços de decisão. “Para mim, estar nesses espaços não representa política partidária, mas a oportunidade de mostrar que nossos povos estão presentes e têm voz”, disse. Um dos momentos considerados mais marcantes foi quando ela utilizou as redes para expor a situação da escola da comunidade, que há mais de oito anos estava sem estrutura física adequada para atender os estudantes. “Compartilhei a situação da escola da minha comunidade, que estava há mais de oito anos sem estrutura física adequada. Após a repercussão, foi anunciada a construção de uma unidade escolar. Isso reforçou em mim que a visibilidade, quando conduzida com responsabilidade, pode contribuir para avanços concretos”, afirmou. O vídeo sobre a escola ganhou repercussão e, na quinta-feira (26), o ministro da Educação, Camilo Santana, esteve em agenda no Amazonas. Ele visitou o local e anunciou recursos para a construção de uma nova escola para os moradores da comunidade onde Yandra vive. Rotina entre o rio, a floresta e os mais velhos Segundo a mãe, a rotina da família não segue apenas uma lógica urbana de horários e compromissos, mas está ligada ao território, aos ciclos da natureza e às orientações dos mais velhos. O rio e a floresta fazem parte da dinâmica diária e influenciam diretamente as atividades realizadas pela família. “Nossa rotina é organizada a partir do território e da comunidade. O rio, a floresta e os mais velhos orientam o que fazemos”, relatou. Além de cuidar da filha, Kian atua como grafista indígena. Ela desenvolve trabalhos com pintura corporal tradicional utilizando o jenipapo, fruto usado pelos povos originários para produzir tinta natural. Os grafismos aplicados no corpo carregam significados específicos e estão ligados à identidade, à ancestralidade e à comunicação cultural. “Sou grafista indígena e trabalho com o jenipapo na pintura corporal tradicional. Cada grafismo tem significado e está ligado à nossa identidade”, explicou. Kian e sua filha, Yandra Mawé, no Amazonas. Reprodução/Redes Sociais Além das atividades na comunidade, Kian cursa licenciatura indígena na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O objetivo é fortalecer a educação dentro das próprias comunidades e contribuir para uma formação alinhada à realidade dos povos indígenas. “Curso licenciatura indígena porque acredito na educação construída a partir da nossa própria realidade”, destacou. Segundo ela, Yandra cresce acompanhando esse processo de valorização cultural e educacional. Desde cedo, aprende sobre os alimentos da floresta, as histórias contadas pelos mais velhos e as vivências tradicionais que fazem parte da comunidade. Ao mesmo tempo, a menina também circula pela cidade quando necessário, transitando entre contextos distintos sem romper com as próprias raízes. “A Yandra cresce nesse ambiente. Aprende sobre os alimentos da floresta, escuta histórias dos mais velhos, participa das vivências culturais e também circula pela cidade quando necessário. Vivemos entre contextos diferentes, mantendo nossas raízes firmes”, disse. Responsabilidade e preservação da infância Para Kian, a projeção da filha traz também responsabilidade, já que representa não apenas a família, mas uma história coletiva construída por mulheres indígenas da região. “Sinto responsabilidade. Venho de uma linhagem de mulheres fortes. Minha avó, Zelinda, conhecida como Bacu, foi reconhecida como a primeira tuxaua mulher da nossa região. Hoje sigo fortalecendo essa herança dentro da comunidade”, declarou. Ela acrescentou ainda que ver a Yandra ocupando espaços institucionais simboliza a presença indígena em ambientes onde decisões são debatidas, sem abrir mão da identidade cultural. “Quando vejo minha filha ocupando espaços institucionais, como plenários e agendas públicas ao lado de lideranças indígenas e autoridades do país, penso em representatividade. É sobre mostrar que uma criança indígena pode estar onde decisões são debatidas sem deixar de ser quem é”, afirmou. Apesar da visibilidade, Kian reforça que Yandra continua vivendo a infância de forma simples, com sonhos comuns a outras crianças. “Ela continua sendo criança. Sonha de forma simples. Já disse que quer ser cantora, bailarina e médica. Agora fala que quer ser presidente, porque acredita que assim poderá ajudar as pessoas e construir casas”, contou. Menina indígena do povo Sateré-Mawé ganha projeção nas redes ao mostrar rotina na comunidade em Iranduba. Reprodução/Redes Sociais Entre os desejos mencionados por Yandra está o de ter uma casa mais estruturada, com banheiro, desejo que surgiu após conhecer outros espaços fora da comunidade. “Ela fala sobre o sonho de ter uma casa mais estruturada, principalmente um banheiro. Como já conheceu outros lugares, ficou encantada com esse espaço e fala com entusiasmo sobre como será o dela um dia”, disse. Kian ressalta que controla o conteúdo publicado e limita o acesso da filha às redes sociais. O objetivo é proteger a infância e garantir que a exposição aconteça de forma responsável. “Eu faço questão de preservar essa infância. Ela não tem acesso livre às redes sociais. Todo o conteúdo é supervisionado por mim e pela família, e publicamos com cautela. Se essa visibilidade fortalece nossa identidade, amplia o respeito e contribui para minha comunidade, acredito que estou seguindo um propósito coerente com nossa história”, concluiu.

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/03/01/oi-pexual-crianca-indigena-do-am-viraliza-ao-comer-tanajura-e-mostrar-a-rotina-das-culturas-satere-mawe-e-ticuna-nas-redes-sociais.ghtml


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