Operação no PE prende italiano e outros 5 suspeitos de fraudes em hospedagem para a COP 30 em Belém
24/03/2026
(Foto: Reprodução) Operação no PE prende italiano e outros 5 suspeitos de fraudes em hospedagem para a COP 30 em Belém
Reprodução / PC-PA
Seis pessoas, incluindo um estrangeiro italiano, foram presas na terceira fase da Operação Check Out, da Polícia Civil do Pará (PCPA), com a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). O grupo é suspeito de integrar uma quadrilha especializada em fraudes eletrônicas contra turistas da COP 30, a conferência climática da ONU, realizada em novembro de 2025 em Belém.
Todos os suspeitos foram presos em Recife e região metropolitana. Além das prisões preventivas, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão, com bloqueio de R$ 1 milhão em ativos financeiros.
Foram apreendidos celulares, tablets, cartões bancários e documentos que comprovam lavagem de dinheiro via "laranjas".
Um dos investigados é o italiano Giampietro Mor, apontado pela polícia como suposto "chefe" da operação". Ele foi preso em Goiana, na Zona da Mata Norte, no Pernambuco. O g1 tentava localizada a defesa dele e dos outros suspeitos, mas ainda não havia obtido resposta até a publicação da reportagem.
Uma mulher foi detida em um hospital no bairro Paissandu, no Recife. Outros alvos foram presos em Paulista e Ipojuca, no Litoral Sul.
Os investigados respondem pelos crimes de estelionato qualificado, associação criminosa, lavagem de capitais e falsidade ideológica.
Anúncios falsos de hospedagem de luxo para COP
Segundo as investigações, o grupo criava anúncios falsos em plataformas digitais, usando fotos de imóveis de luxo em Belém para atrair turistas nacionais e estrangeiros durante a COP 30. Vítimas, incluindo diplomata chinês de alto escalão, descobriam a fraude ao chegar.
Os prejuízos foram estimados em 500 mil euros, cerca de R$ 3 milhões, com subnotificação por barreiras linguísticas e diplomáticas. Ministros da Alemanha, Itália, China e Bangladesh também foram lesados.
A estrutura logística funcionava em Pernambuco, apesar dos golpes em Belém.
Antecedentes da operação
Segundo delegado, quadrilha aplicou golpe em delegações internacionais durante a COP30
Em dezembro de 2025, a 2ª fase da operação prendeu cinco suspeitos, incluindo italianos, em força-tarefa entre policiais do Pará e do Pernambuco. No dia 13 de dezembro, foi bloqueado o valor de até R$ 1 milhão em contas, com repetição automática para novos ingressos.
Segundo a polícia, as investigações continuam sob sigilo para recuperar ativos e identificar novos núcleos da ação criminosa.
Fraudes ocorreram durante crise do setor hoteleiro
Belém foi a sede da COP 30 e também o ponto de chegada do projeto Biotravessia
Crédito: Divulgação
Antes da COP 30, Belém enfrentou uma grave crise no setor hoteleiro, com apenas 23 mil leitos disponíveis para 50 mil visitantes esperados, levando a uma disparada nos preços e risco de boicote por delegações.
Plataformas como Booking e Agoda foram notificadas por preços abusivos, por oferecerem diárias de até R$ 6,3 mil, casas por R$ 1 milhão ou R$ 2,2 milhões pelos 11 dias do evento, até 15 vezes acima do normal, resultando em ações judiciais da Defensoria Pública do Pará e Procon.
A situação levou países em desenvolvimento pressionarem por mudança de sede devido aos altos custos, que variavam de US$ 400-500/diária em comparação a US$ 50-70 que seria o ideal, com motéis adaptados e navios como soluções emergenciais. Antes da conferência, a organização do evento conseguiu confirmações de 162 nações após ampliação para 53 mil leitos de hospedagem.
COP 30 se consolidou como espaço de mobilização e visibilidade da agenda ambiental
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