Perícia feita pela PF nos celulares de Daniel Vorcaro revela detalhes de uma engrenagem criminosa movida por corrupção

  • 04/03/2026
(Foto: Reprodução)
Caso Master: perícia em celulares de Vorcaro revelam engrenagem criminosa movida por corrupção Para fazer a operação desta quarta-feira (4), a Polícia Federal se baseou na perícia feita nos celulares de Daniel Vorcaro. Os investigadores afirmam que o conteúdo revela detalhes de uma engrenagem criminosa movida por corrupção. A Polícia Federal afirma que o esquema de Vorcaro operava com quatro núcleos principais: financeiro: responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; corrupção institucional: voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro: com utilização de empresas interpostas; intimidação e obstrução de justiça: responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades. A PF descobriu que o dono do Master montou uma rede para ter acesso a informações privilegiadas vindas diretamente do Banco Central. Os investigadores encontraram conversas do banqueiro com dois servidores de carreira do BC, documentos, minutas e até indícios de favores pessoais e pagamentos. Na decisão, o ministro André Mendonça aponta que, à época dos fatos, Paulo Sérgio Neves de Souza era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, e Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Eles foram afastados dos cargos pela atual diretoria do Banco Central em 8 de janeiro de 2026, após o início de uma sindicância interna. Os dados foram enviados à PF. Os dois estão proibidos de entrar nos prédios e de acessar os sistemas de segurança do Banco Central. De acordo com as investigações, Paulo Sérgio chegou a dar sugestões ao dono do master, Daniel Vorcaro, sobre como deve se comportar em reunião com o presidente do Banco Central. Mesmo sendo servidor do BC, acabou se tornando uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro. Belline Santana, segundo a PF, mantinha a mesma relação de empregado/consultor de Vorcaro e também foi instado a emitir opinião sobre um ofício que o Banco Master enviaria ao departamento que ele próprio chefiava no Banco Central. De acordo com a investigação, o dono do Banco Master utilizou contratos simulados de prestação de serviços, por intermédio de empresa de consultoria, para justificar transferências financeiras em favor dos servidores, a título de contraprestação pela “assessoria” privada que forneciam. Perícia feita pela PF nos celulares de Daniel Vorcaro revela detalhes de uma engrenagem criminosa movida por corrupção Jornal Nacional/ Reprodução Em outro trecho, o documento mostra que, ao saber por meio de mensagem do próprio Paulo Sérgio de uma viagem que o servidor faria aos parques da Disney e da Universal, Vorcaro chegou a comentar que precisaria “arrumar guia para essas pessoas”. Em seguida, acionou pessoa específica para providenciar o serviço. Em nota, o BC afirmou que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente de pessoal, durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master O ministro André Mendonça também determinou o bloquei de R$ 22 bilhões de Vorcaro e dos demais investigados. A terceira fase da Operação Compliance Zero expôs uma divergência entre o relator e a Procuradoria-Geral da República, que não viu urgência no caso e queria mais prazo para se manifestar. André Mendonça afirmou que, se as medidas requeridas pela Polícia Federal não fossem acolhidas em caráter de urgência, haveria risco à segurança e à própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos apontados nos autos; que a demora dificultaria sobremaneira a recuperação de ativos bilionários que foram desviados dos cofres públicos e de particulares atingidos pelos variados crimes contra o sistema financeiro nacional apurados. Segundo a Polícia Federal, mesmo após Daniel Vorcaro ter sido solto em novembro de 2025, os investigadores encontraram indícios de que a organização continuou a ocultar recursos bilionários em nome de terceiros. Os recursos somente foram descobertos em razão das medidas executadas na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 14 de janeiro, quando foi bloqueada a impressionante quantia de R$ 2,2 bilhões, valor que estava na conta do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, junto à empresa CBSF DTVM, mais conhecida como Reag. A decisão do ministro André Mendonça menciona que a investigação identificou a emissão de ordens diretas de Daniel Vorcaro para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas – dentre as quais concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas – que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da Justiça. Um dos alvos do grupo foi o jornalista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”. Na decisão de Mendonça, o nome dele aparece protegido por uma tarja. Na troca de mensagens entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, o banqueiro demonstrou incômodo com a atuação do jornalista, que havia publicado uma notícia desfavorável aos interesses de Vorcaro. Vorcaro disse: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele. Mourão respondeu: Vou fazer isto. Em outro momento, o banqueiro ordena um ataque ao jornalista: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Mourão respondeu com dois símbolos de sinal positivo e escreveu: “Estamos em cima de todos os links negativos. Vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”. De acordo com a PF, “a partir de todos esses diálogos verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. Nota "O Globo" Sobre esses fatos, o jornal “O Globo” divulgou a seguinte nota: “O Globo’ repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. ‘O Globo’ e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público”. Associações ligadas à imprensa e ao exercício do jornalismo manifestaram repúdio à tentativa de intimidação e violência contra o jornalista Lauro Jardim: A ANJ – Associação Nacional de Jornais afirmou que métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira; A Abert – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão declarou que iniciativas que visam intimidar um profissional de imprensa são incompatíveis com a democracia e violam o Estado de Direito; A Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas ressaltou que atacar um jornalista é atacar toda a sociedade, que depende da informação livre, crítica e independente; A Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo afirmou que tentativas de constranger jornalistas não podem ser toleradas, que o exercício do jornalismo é protegido pela Constituição e constitui pilar essencial da democracia; A Associação Internacional de Radiodifusão condenou energicamente as graves ameaças ao jornalista Lauro Jardim e ressaltou que a atitude viola a Declaração de Princípios sobre Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. LEIA TAMBÉM Vorcaro preso: Mendonça dá 'puxão de orelha' na PGR, cobra urgência em investigação e cita plano para agredir jornalista 'Quebrar todos os dentes num assalto': mensagens de Daniel Vorcaro expõem ameaças contra opositores e jornalista Lauro Jardim O que você precisa saber sobre a prisão de Daniel Vorcaro e o colapso do Banco Master Daniel Vorcaro é preso pela PF em nova fase da operação sobre Banco Master

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/03/04/pericia-feita-pela-pf-nos-celulares-de-daniel-vorcaro-revela-detalhes-de-uma-engrenagem-criminosa-movida-por-corrupcao.ghtml


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