Pesquisadores alertam para poluição em mangue de Fernando de Noronha; VÍDEO
21/04/2026
(Foto: Reprodução) Imagens de drone indicam poluição no mangue em Fernando de Noronha
Pesquisadores alertam para poluição no Mangue do Sueste, em Fernando de Noronha, após análise em nove pontos da ilha. A área, que fica no Parque Nacional Marinho, foi apontada como o ponto mais crítico do estudo.
“Estamos preocupados com o Mangue do Sueste. Achávamos que não haveria poluição na região, mas encontramos contaminantes. Isso é grave porque o manguezal é área de reprodução de várias espécies”, disse a oceanógrafa Fiamma Abreu, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
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Imagens de drone feitas após a chuva neste mês de abril registraram espuma na água, sinal de poluição (veja vídeo acima). O Mangue do Sueste é único em ilhas oceânicas do Atlântico Sul.
“O manguezal é uma área única, com espécies que só existem ali. Há possibilidade de descarte irregular de resíduos na região”, afirmou a pesquisadora.
Registro do mangue alertou pesquisadores
Bianca Rangel/Projeto Tubarões e Raias de Noronha
O estudo faz parte do projeto Polmar Noronha, realizado há dois anos. As coletas ocorrem em áreas urbanas e locais mais preservados, como o Parque Nacional Marinho.
As coletas são feitas na baixa e na alta estação, durante o inverno e o verão. Os pesquisadores vão comparar os níveis de poluição entre o período seco e a época de chuva. Em 2026, as primeiras amostras foram recolhidas entre 13 e 15 de abril.
Além do mangue, houve coletas no Porto de Santo Antônio, em frente à Associação Noronhense de Pescadores (Anpesca), na Praia do Cachorro, no efluente da praia, e nas praias do Sancho, Atalaia e Boldró, incluindo o efluente do Boldró.
Mangue foi registrado logo após a chuva neste mês de abril
Bianca Rangel/Projeto Tubarões e Raias de Noronha
Outros pontos
As análises identificaram também níveis de contaminação na Praia de Cachorro e na Praia do Boldró, que fazem parte da área urbana. Esses locais ficam próximo à estação de tratamento de esgoto da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa)
Os pesquisadores também coletaram sangue de aratus nas regiões de Sancho e Sueste.
“Vamos avaliar a variação dos danos genéticos nos aratus. Queremos identificar quais estão mais estressados, em quais ambientes, e relacionar isso aos possíveis contaminantes”, explicou Fiamma Abreu.
Foram realizadas coletas na Praia do Cachorro
Fiamma Abreu/Acervo pessoal
Filtro solar
A equipe do projeto Polmar vai analisar ainda os contaminantes de protetor solar. Na Praia da Atalaia, o uso desses produtos é proibido, mas os pesquisadores identificaram descumprimento da regra.
“Esses contaminantes representam risco para corais e peixes”, afirmou a pesquisadora.
Os resultados dos dados de Fernando de Noronha serão comparados com análises feitas em locais como Tamandaré, no litoral sul do estado.
Os pesquisadores pretendem concluir a primeira etapa do mapeamento da ilha até setembro. Os resultados serão apresentados ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com sugestões de ações de conservação.
Pesquisadores também fizeram coleta da água na Atalaia
Fiamma Abreu/Acervo pessoal
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