Planta carnívora rara ressurge no Piauí após 80 anos sem registros no Brasil
12/03/2026
(Foto: Reprodução) Utricularia warmingii, planta carnívora rara é encontrada no Piauí
Francisco Sousa
Uma planta carnívora aquática rara, a Utricularia warmingii, foi encontrada em uma área alagada de Campo Maior, no Norte do Piauí. O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA).
Segundo os pesquisadores, a espécie não era registrada no Brasil havia mais de 80 anos. Por isso, o reaparecimento fez o grupo reavaliar o risco de extinção da planta no país.
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O estudo, publicado na revista científica Kew Bulletin, mostra que a espécie foi encontrada durante um inventário de plantas aquáticas feito em 2023. Foi a primeira vez que a planta carnívora teve registro no Nordeste.
A Utricularia warmingii vive submersa em águas rasas, mede até 6 centímetros e captura pequenos organismos por meio de estruturas microscópicas semelhantes a armadilhas, chamadas utrículos.
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A espécie já foi registrada, de forma rara e isolada, em países como Bolívia, Colômbia e Venezuela. No Brasil, houve ocorrências no Pantanal e no Sudeste, também em poucos episódios. Em São Paulo, o último registro foi em 1939.
Segundo o estudo, a falta de novas coletas desde a primeira descrição da planta, feita em 1877, em Caldas (MG), indica que ela pode ter desaparecido também em Minas Gerais.
“A descoberta no Piauí amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie, mas também evidencia sua vulnerabilidade. Até agora, a população encontrada parece estar restrita a um único local, e novas buscas na região não localizaram outras ocorrências”, destaca o professor Francisco Ernandes Leite Sousa, mestrando da UFPI e líder da pesquisa.
O estudo alerta que lagoas rasas e áreas temporariamente alagadas, habitat da espécie, estão entre os ecossistemas mais ameaçados do mundo. A expansão agropecuária, o uso de fertilizantes, a chegada de espécies invasoras e mudanças no regime das cheias podem alterar a qualidade da água e colocar essas plantas em risco.
No Brasil, os registros mostram populações isoladas e separadas por grandes distâncias. A área ocupada pela espécie no país é de apenas 36 km². Para os pesquisadores, essa distribuição reduzida dificulta a recolonização natural.
“Esse caso também mostra como ainda conhecemos pouco a flora de várias regiões do país. Áreas como o interior do Nordeste permanecem subamostradas, e novos estudos podem revelar espécies raras ou populações ainda desconhecidas”, disse o pesquisador Paulo Minatel Gonella, do INMA.
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