Polícia fará reconstituição da morte de PM achada com tiro na cabeça; família pede investigação do caso como feminicídio
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Uma soldado da PM morre com um tiro na cabeça e o caso é investigado como morte suspeita
A Polícia Civil realizará nesta segunda-feira (2) a reconstituição da morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no Brás, região central de São Paulo.
Ela era esposa do tenente-coronel da PM, Geraldo Leite Rosa Neto, e, segunda a família, os dois viviam um relacionamento abusivo e tumultuado.
A morte da PM foi no dia 18 de fevereiro no apartamento onde o casal morava na Rua Domingos Paiva. Gisele tinha 32 anos e estava casada desde 2024 com o tenente-coronel. Segundo a versão dele, a policial teria atirado contra a própria cabeça após uma discussão do casal enquanto ele estava no banho.
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Em seu depoimento, Geraldo disse que escutou um barulho e, quando saiu do banheiro, encontrou a mulher ferida. Gisele foi socorrida, mas não resistiu.
A reconstituição faz parte do trabalho de investigação da Corregedoria da PM e da Polícia Civil, que tentam esclarecer as circunstâncias do crime.
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Montagem/g1/Arquivo pessoal
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Segundo a família da vítima, a soldado vivia em um relacionamento abusivo e era proibida de usar salto e batom e só podia colocar roupa de academia com ele.
Os relatos foram apresentados à polícia e contribuíram para que o caso passasse a ser investigado como morte suspeita.
Parentes também disseram que ela se afastou gradualmente da convivência com amigos e familiares depois do casamento.
"Era um relacionamento doentio, ele tinha um sentimento de posse. Ele exercia um controle absurdo na vida dela, inclusive a proibindo de ter contato com a família", disse o advogado da família, José Miguel da Silva Júnior.
Procurada, a defesa do tenente-coronel não se manifestou sobre as acusações até o momento.
A família sustenta que a policial vivia sob pressão psicológica constante e que a filha dela, de 7 anos, teria presenciado discussões e situações de conflito dentro de casa.
Dias antes da morte, Gisele teria pedido ajuda ao pai para deixar o imóvel, dizendo que não suportava mais a situação. Mesmo assim, decidiu permanecer após afirmar que tentaria conversar novamente com o marido.
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Ainda segundo os familiares, ela planejava pedir o divórcio e enfrentava resistência do companheiro. A família contesta a hipótese de suicídio e defende que o caso seja investigado como feminicídio.
Para a mãe da PM, a filha nunca tiraria a própria vida. "Jamais tiraria a própria vida. Ela tinha sonhos e planos. O sonho dela era viver e dar o melhor para a filha. Era muito amorosa. Só tinha amor e amava a vida, e todo dia minha filha dizia que sofria violência psicológica”, afirmou Marinalva à TV Globo.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, que aguarda resultados de perícias, incluindo a análise da trajetória do disparo, para esclarecer as circunstâncias da morte.
Versão do marido
A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar.
Reprodução/TV Globo
Após ser encontrada no chão do quarto com tiro na cabeça pelo marido, Gisele foi levada ao Hospital das Clínicas, onde não resistiu aos ferimentos.
O caso é investigado pelo 8° Distrito Policial do Brás e é acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar. Por enquanto, o tenente-coronel não é considerado suspeito.
Em depoimento, o tenente-coronel relatou que o relacionamento do casal era conturbado e que, naquela manhã, havia ido ao quarto da esposa para propor a separação.
Segundo o oficial, ele teria sido alvo de boatos de colegas que teriam inventado um suposto relacionamento extraconjugal. O boato, segundo ele, chegou até Gisele e provocou crises de ciúmes. As discussões teriam se tornado frequentes, e o casal passou a dormir em quartos separados.
Segundo ele, após uma discussão, entrou no banheiro e, cerca de um minuto depois, ouviu o barulho que inicialmente interpretou como o de uma porta batendo. Ao sair, disse ter encontrado Gisele ferida.
O tenente-coronel declarou que mantém uma arma de fogo sobre o armário no quarto onde dorme, que foi usada na morte de Gisele.