Por que ES é o único estado a fechar supermercados aos domingos? Mão de obra, faturamento e escala são desafios para empresas

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Falta de mão de obra faz supermercados fecharem aos domingos no ES O fechamento dos supermercados aos domingos no Espírito Santo, que volta a valer a partir deste domingo (1º), é resultado de uma combinação de fatores: dificuldade para contratar e montar escala de funcionários e baixo faturamento no primeiro dia da semana. É o que dizem as entidades do setor ouvidas pelo g1. A escala segue no modelo 6 x 1, mas, agora, a folga semanal do setor passa a ser fixa, aos domingos. O Espírito Santo é o único estado do país com acordo coletivo que suspende o funcionamento do segmento neste dia da semana, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A medida, prevista na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), vale até 31 de outubro de 2026 e será reavaliada após esse período. O acordo abrange 70 mil trabalhadores em mais de 1.500 lojas nos 78 municípios capixabas. O modelo não é inédito no estado. Entre 2009 e 2018, os supermercados do ES também não funcionavam aos domingos, após acordo firmado entre empresários e trabalhadores. O cenário do mercado de trabalho ajuda a explicar a decisão. O Espírito Santo registrou, em 2025, a menor taxa anual de desemprego da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. O índice ficou em 3,3%, segundo o IBGE, o quarto menor do país. Com menos pessoas procurando trabalho, os empresários relatam dificuldade para preencher vagas no comércio. Supermercados ficarão fechados aos domingos no Espírito Santo Reprodução/ TV Gazeta De acordo com a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), esse cenário influencia a retomada da regra. "O fechamento dos supermercados aos domingos, que tem como motivação principal a falta de mão de obra, será adotado em caráter experimental e reavaliado em 31 de outubro de 2026", disse em nota. Montar escala de fim de semana virou desafio José Henrique Neffa, empresário, dono de supermercado em Vitória, no Espírito Santo Reprodução/ TV Gazeta O empresário José Henrique Neffa, dono de um supermercado em Vitória, afirma que a escassez de mão de obra tornou as escalas de final de semana um desafio. Segundo ele, o domingo é o dia de menor faturamento da semana, o que também influencia a decisão, que foi uma unanimidade entre os empresários. “Hoje, com essa carência de mão de obra, é muito difícil. A gente precisa humanizar o ambiente de trabalho. A pessoa mais descansada produz mais”, disse. Faturamento menor aos domingos Dados da Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo comprovam um dos argumentos do setor. Um levantamento da Receita Estadual mostra que, em 2025, o domingo foi o dia com menor média de vendas entre hipermercados, supermercados, mercearias, minimercados e hortifrutis no estado. Enquanto o sábado registrou média de R$ 102 milhões em vendas, o domingo ficou em cerca de R$ 25,9 milhões. Veja média diária de vendas Como era a escala e como fica agora Antes da mudança, era comum que os trabalhadores atuassem em escala de um domingo sim, outro não. A jornada semanal é de 44 horas, podendo haver horas extras. Em alguns supermercados, o domingo trabalhado gerava remuneração adicional; em outros, a compensação era feita por banco de horas. Os estabelecimentos organizam os turnos ao longo do horário de funcionamento, que pode ir das 7h às 22h, para respeitar a carga horária diária de cada funcionário. Com o novo acordo, os trabalhadores passam a folgar todos os domingos. A jornada será reorganizada entre segunda-feira e sábado. Sandra Mara é encarregada do setor de padaria de um supermercado de Vitória, no Espírito Santo Viviane Machado/ g1 Para Sandra Mara, encarregada do setor de padaria de um supermercado em Vitória, a mudança representa melhoria na qualidade de vida. Ela afirma que, antes, trabalhava em escala alternada. “A gente trabalhava um domingo sim, um domingo não. Agora vamos folgar todos. Vou ter mais tempo com minhas filhas, que sempre perguntavam quando eu estaria em casa”, diz. Daniele Roseno, caixa em supermercado de Vitória, no Espírito Santo Viviane Machado/g1 Já a operadora de caixa Daniele Roseno diz que a mudança tem dois lados. Segundo ela, o domingo trabalhado significava renda extra. “Por um lado é bom por causa das folgas. Mas o domingo era uma fonte de renda extra quando a gente trabalhava”, afirma. Sindicato defende descanso e nega perda salarial Para o presidente do Sindicato dos Comerciários, Rodrigo Rocha, a mudança representa uma conquista histórica da categoria. Ele afirma que o descanso aos domingos sempre foi uma reivindicação dos trabalhadores do comércio no estado. “O domingo é socialmente destinado ao descanso e à convivência familiar. Reduzir o trabalho contínuo melhora diretamente a qualidade de vida, a saúde física e mental dos trabalhadores”, afirma.. Segundo ele, a reorganização da jornada não pode significar redução salarial. “Mudança de escala não pode gerar perda de renda. Salários e direitos devem ser preservados integralmente”, diz. O sindicato também avalia que o impacto para os consumidores tende a ser pequeno, já que os supermercados mantêm horários amplos durante a semana e compras emergenciais podem ser feitas em comércios de bairro. Supermercados vão fechar no Espírito Santo aos domingos Reprodução/ TV Gazeta O que diz a regra O fechamento foi definido na Convenção Coletiva de Trabalho assinada entre a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado Espírito Santo (Fecomércio-ES) e o Sindicato dos Comerciários. A norma segue as diretrizes da Portaria nº 3.665/2023 do Ministério do Trabalho e Emprego, que determina que o funcionamento do comércio aos domingos e feriados dependa de autorização em acordo coletivo. O acordo estabelece: Fechamento entre 1º de março e 31 de outubro de 2026; Reavaliação ao fim do período; Multa equivalente a um salário do trabalhador por domingo em caso de descumprimento; Exceção para pequenos mercados de bairro, desde que funcionem apenas com os proprietários, sem empregados registrados. Segundo a Fecomércio-ES, o período servirá como experiência e poderá ser revisto nas negociações previstas para novembro. Confira as regras: Supermercados: não podem funcionar aos domingos, conforme a nova convenção coletiva. A mesma regra vale para mercearias, minimercados e atacarejos. Material de construção: as lojas devem estar fechadas aos domingos. Açougues e padarias: podem funcionar aos domingos. Os empregados desses estabelecimentos não estão incluídos na categoria dos comerciários de supermercados e, portanto, ficam fora das novas regras. Comércio de rua: não há impedimento para abertura aos domingos. Shoppings: as lojas são liberadas para funcionar aos domingos. Infográfico - fechamento de supermercados no ES aos domingos Arte/g1 Horário pode mudar durante a semana Cada supermercado tem autonomia para reorganizar o funcionamento nos demais dias. A orientação da Acaps é concentrar mais funcionários às sextas-feiras e aos sábados, quando o movimento tende a ser maior. “As empresas são livres para abrir um pouco mais cedo ou fechar os estabelecimentos mais tarde no sábado. Mas isso vai depender muito de cada supermercado e tudo deve ser feito respeitando a legislação”, explicou o vice-presidente da Associação, Luiz Coutinho. Duas redes de supermercados anunciaram que devem ampliar o horário de funcionamento durante a semana para compensar o domingo fechado. São os casos dos Supermercados BH, que contam com mais de 40 lojas no Espírito Santo, e da rede do Grupo Coutinho, responsável pelas lojas do Extrabom, Extraplus e AtacadoVem, com mais de 50 unidades. Nas mudanças no Extrabom, algumas lojas vão abrir uma hora mais cedo, às 7 horas, às sextas e aos sábados, ou fechar meia hora ou uma hora mais tarde, às 21h30 ou 22 horas. Nas lojas do BH Supermercados, as mudanças também se concentram às sextas e aos sábados, com lojas tanto abrindo meia hora mais cedo, às 7 horas, quanto fechando uma hora mais tarde, às 21 horas. Os supermercados só não deram detalhes se vão pagar hora extra aos funcionários ou montar uma equipe nova, com contratações. As outras redes não manifestaram interesse nessa ampliação da jornada, por enquanto. Consumidores divididos Entre os clientes, a mudança gera opiniões diferentes. Para o aposentado Hélio Nogueira, o fim de semana é o principal momento para fazer compras. “Muita gente deixa para comprar no fim de semana. A gente trabalha a semana toda”, disse. A aposentada Elzi Mol disse que sentirá falta dos supermercados abertos aos domingos Reprodução/ TV Gazeta A aposentada Elzi Mol afirma que entende a necessidade de descanso dos trabalhadores, mas acredita que a população sentirá falta. “Eu acho que quem trabalha precisa de descanso, mas faz muita falta. Acostumaram a gente com essa mordomia”, comentou. Já o professor Rafael Tigre avalia que a medida traz benefícios aos funcionários, mas pode dificultar a rotina de parte dos consumidores. “Para o trabalhador vai ser melhor, mas para quem só tem o domingo para fazer compra pode ser complicado”, afirmou. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/03/01/por-que-es-e-o-unico-estado-a-fechar-supermercados-aos-domingos-mao-de-obra-faturamento-e-escala-sao-desafios-para-empresas.ghtml


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