Produtores se unem para construir estradas e garantir o escoamento da safra no TO
22/01/2026
(Foto: Reprodução) A proximidade de mais uma grande safra no Tocantins reacende um debate antigo no estado: a necessidade de estradas em boas condições para garantir o escoamento da produção agrícola. Com a colheita de soja prevista para começar no final de janeiro e ganhar força entre fevereiro e março, produtores rurais têm se organizado para enfrentar um dos principais desafios do agro tocantinense fora da lavoura: a infraestrutura viária.
A estimativa para a safra 2025/2026 é de aproximadamente 5,75 milhões de toneladas de soja, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume deve contribuir para que a produção total de grãos do estado ultrapasse 9,6 milhões de toneladas, um novo recorde histórico. Para que essa produção chegue aos mercados consumidores e aos portos, o caminho começa nas estradas vicinais e nas rodovias estaduais.
Estradas vicinais são fundamentais para garantir o escoamento da safra e reduzir custos logísticos no agro tocantinense.
Yuri Felipe Sousa
Na região conhecida como Garganta, na divisa entre Tocantins e Bahia, a mobilização dos produtores avançou para um novo patamar. Ao todo, a estrada que marca a divisa entre os dois estados soma cerca de 90 quilômetros. A atuação direta da associação de produtores ocorre no trecho da Garganta, enquanto há também estradas no lado baiano que dão acesso às fazendas. Nesse caso, o asfalto foi executado pelos próprios produtores, em parceria com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), entidade que atua em todo o Oeste da Bahia.
Trechos asfaltados pelos próprios produtores evidenciam a organização do setor produtivo diante dos gargalos históricos de infraestrutura no estado.
Arquivo/APROSOJA TOCANTINS
O produtor rural Martin Dowich explicou que a iniciativa surgiu da necessidade prática de manter a produção circulando. “Essa estrada da divisa Tocantins-Bahia tem aproximadamente 90 quilômetros. A nossa associação atua diretamente na Garganta, mas existem também estradas no lado da Bahia que dão acesso às fazendas. Lá, o asfalto foi feito pelos produtores em parceria com a AIBA”, relatou.
Segundo Dowich, um dos trechos mais estratégicos do corredor logístico foi implantado recentemente pelos próprios produtores. “Os 40 quilômetros que hoje dão sustentação a esse eixo não foram apenas recuperados. Eles foram feitos do zero, com asfalto novo, construído pelos produtores, porque não havia mais condições de depender de estrada de terra em uma região que escoa volumes cada vez maiores de grãos”, afirmou.
Ele destaca que esse trecho já mudou a dinâmica do transporte na região. “A estrada que segue em direção a Mateiros é uma continuidade desses 40 quilômetros já asfaltados. A previsão agora é avançar com mais 13 quilômetros de asfalto novo e realizar a manutenção de outros 40 quilômetros, garantindo condições adequadas de tráfego em todo o corredor”, acrescentou.
Com o avanço das obras, os reflexos já são percebidos no dia a dia de quem transporta produção e insumos. “Hoje sentimos o retorno em conforto, segurança e redução de custos. Por ali passa muito carregamento de soja, milho, algodão e também todos os insumos. E não é só o agro. A estrada melhora o acesso entre cidades e beneficia toda a região”, completou Dowich.
Municípios como Lagoa da Confusão, Cristalândia, Pium, Formoso do Araguaia, Santa Rita do Tocantins e Dueré dependem diretamente das estradas vicinais e das rodovias estaduais para levar a produção até as vias principais. Nessas regiões, qualquer problema na malha viária se traduz em atraso, aumento de custos e risco de perdas.
Grande parte desse fluxo converge para a BR-153, principal corredor logístico do estado, responsável por conectar a produção tocantinense aos mercados do Sul e Sudeste e aos portos do Arco Norte. Além dela, rodovias estaduais cumprem papel estratégico no acesso aos terminais multimodais de Palmeirante, Porto Nacional e Alvorada, onde a carga segue por outros modais até os portos.
Rodovias que conectam as áreas produtivas à BR-153 sustentam a competitividade do agro e a integração com os mercados nacionais.
Yuri Felipe Sousa
A presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, avalia que a mobilização dos produtores evidencia a urgência de soluções diante da falta de infraestrutura adequada. “Com uma safra desse tamanho, não dá para pensar só na produção. A estrada também é parte da lavoura. Quando o produtor se organiza para construir ou manter uma estrada, não é por satisfação, mas porque precisa garantir o escoamento da produção diante da ausência do poder público”, afirmou.
Para o setor produtivo, o recado é claro. A competitividade do agro tocantinense passa, necessariamente, pela capacidade de transformar gargalos históricos em soluções coletivas. Com a safra se aproximando, cada quilômetro asfaltado ou mantido representa menos custo, mais segurança e mais desenvolvimento ao longo das rotas que sustentam a economia do estado.
A melhoria das estradas é parte estratégica da lavoura e impacta diretamente a segurança, a logística e o desenvolvimento regional.
Yuri Felipe Sousa